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sexta-feira, janeiro 09, 2009

SÓ TEXTOS

CAFÉ PHILO

DIA 13 de JANEIRO às 21H00
Na Cafetaria do INSTITUTO FRANCO-PORTUGUÊS
TEMA: O ABSURDO / L’ABSURDE

Debate em francês e português animado por

Jean-Yves Mercury
Dominique Mortiaux
Nuno Nabais

O Café Philo de vivos e participados debates volta a marcar encontro em 2009. É já no próximo dia 13 de Janeiro às 21h00 na Cafetaria do Instituto Franco-Português.
Como sempre, Jean-Yves Mercury, Dominique Mortiaux e Nuno Nabais lançarão muitas achas para a fogueira para manter aceso o debate cujo tema será “O Absurdo”.
A entrada é livre e, já sabe, pode intervir quer em português quer em francês.

Esperamos por si!

Para ajudar à reflexão e à preparação do debate, deixamo-vos algumas reflexões e interrogações sobre o tema.

O ABSURDO

«“Absurdo”, que etimologicamente significa “discordante”, designa na nossa linguagem quotidiana o que é contrário ao senso comum e à razão. O termo é utilizado, no sentido mais específico, para designar o que contradiz as leis da lógica; fala-se nomeadamente de “raciocínio pelo absurdo”, que consiste, para demonstrar que uma proposta é verdadeira, em mostrar que a afirmação do seu contrário conduz a uma contradição. O sentimento do absurdo, da discórdia face ao mundo em geral também pode existir e, nesse caso, o termo toma um sentido mais explicitamente filosófico, tornando-se célebre na nossa época em particular graças a Albert Camus. O sentimento do absurdo revela a nossa procura do sentido, explícito nas! questões fundamentais tais como “porque estou aqui?”, “qual é o sentido do mundo?”, “porque é que o sofrimento existe?” etc. e nasce do encontro entre este desejo de sentido e a constatação de que o real não existe (ou é impermeável à nossa compreensão); que ele é, como o diz uma personagem de Shakespeare, como “uma história contada por um idiota, cheia de barulho e de furor, e que não quer dizer nada”. A afirmação do absurdo implica portanto a da ausência de Deus, e a da presença do trágico. A sua forte presença na literatura e no pensamento moderno e contemporâneo tem explicação no desabar civilizacional da crença no Deus cristão, na crise da linguagem que a acompanhou e nas grandes catástrofes que marcaram o nosso tempo. Se ele abre uma via ao riso, o p! ensamento de uma ausência essencial de sentido na exist&! ecirc;nc ia abre também sobre várias posições étnicas, que não são necessariamente determinadas por um pessimismo negro. Ele pode conduzir, segundo os autores que o reivindicaram, ao desprezo, mas também a uma maior afirmação da liberdade e da responsabilidade humana e não é incompatível com a procura da felicidade e da solidariedade entre os homens.
Se a questão se põe, em particular em relação ao tema que será o nosso nesta terça feira, de saber se o real tem ou não uma significação e quais as consequências étnicas que dai decorrem, podemos também interrogarmo-nos mais fundamentalmente sobre a legitimidade da procura do sentido em si : que angústia revela? Será possível abrir-se e viver num não saber originário? A procura de clareza não acabará por obscurecer a nossa relação com o real? Se isso for verdade, qual pode ainda ser a razão de ser do pensamento? Tantas questões a debater para começar este novo ano em beleza!»


L’ABSURDE

«Absurde», qui étymologiquement signifie «discordant», désigne dans notre langage quotidien ce qui est contraire au sens commun et à la raison. Le terme est en un sens plus précis utilisé pour désigner ce qui contredit les lois de la logique ; on parle ainsi notamment de «raisonnement par l’absurde», qui consiste, pour démontrer qu’une proposition est vraie, à montrer que l’affirmation de son contraire aboutit à une contradiction. Le sentiment de l’absurdité, de la discordance face au monde en général peut également se faire jour, et le terme prend alors un tour plus explicitement philosophique, rendu célèbre à notre époque en particulier par Albert Camus. Le sentiment de l’absurde rév&egr! ave;le notre recherche du sens, qui s’explicite dans les questions fondamentales telles que «pourquoi suis-je là ?», «quel est le sens du monde?», «pourquoi y a-t-il la souffrance ?» etc., et naît de la rencontre entre ce désir de sens et le constat que le réel n’en a pas (ou qu’il est imperméable à notre compréhension) ; qu’il est, comme le dit un personnage de Shakespeare, telle «une histoire racontée par un idiot, pleine de bruit et de fureur, et qui ne veut rien dire». L’affirmation de l’absurde implique donc celle de l’absence de Dieu, et celle de la présence du tragique. Sa forte présence dans la littérature et la pensée moderne et contemporaine s’explique par l’effondrement civilisationnel de la croyance au Dieu chrétien et la crise du langage qui l&rsqu! o;a accompagnée, et par les grandes catastrophes qui on! t marqu& eacute; notre temps. Si elle ouvre la voie au rire, la pensée d’une absence essentielle de sens à l’existence débouche aussi sur différentes positions éthiques, qui ne sont pas nécessairement déterminées par un pessimisme noir. Elle peut conduire selon les auteurs qui s’en sont revendiqué au détachement, mais aussi à une plus grande affirmation de la liberté et de la responsabilité humaine, et n’est pas incompatible avec la recherche du bonheur et de la solidarité entre les hommes.
Si se pose donc en particulier par rapport au thème qui sera le nôtre ce mardi la question de savoir si le réel a ou non une signification et celle des conséquences éthiques qui en découle, on peut aussi s’interroger plus fondamentalement sur la légitimité en elle-même de la recherche du sens : quelle angoisse celle-ci révèle-t-elle ? Est-il possible de s’ouvrir à et de vivre dans un non-savoir originaire ? La recherche de clarté ne finit-elle pas par obscurcir notre rapport au réel ? Si cela est vrai, quelle peut encore être la raison d’être de la pensée ? Autant de questions à débattre pour commencer cette nouvelle année en beauté !


Recebido do Institut Franco Portugais