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terça-feira, janeiro 06, 2009

COM A DEVIDA VÉNIA AO DN E AUTOR

"Autores nacionais venderam um milhão na época de Natal

JOÃO CÉU E SILVA

Literatura. O livro foi uma das prendas preferidas pelos portugueses este Natal. Se os escritores estrangeiros tiveram o comportamento habitual, já os nacionais surpreenderam pelo número excepcional de vendas. É certo que dos pesos-pesados só Miguel Sousa Tavares esteve parcialmente fora do ringue

Mulheres deram taça a Rodrigues dos Santos

Dar e receber um livro no Natal é a troca de presentes preferida dos portugueses. Fazê-la com livros de autores nacionais é a grande moda. O resultado destas duas situações fez com que os autores nacionais tenham sido os recordistas de vendas de livros neste último trimestre, num total muito próximo de um milhão de exemplares.

Este número é ainda mais indicativo da mudança quando se somam apenas as vendas de meia dúzia de autores e de vários dos seus títulos e se chega imediatamente ao patamar do meio milhão. É o caso de José Rodrigues dos Santos, que para além do seu novo livro vendeu milhares dos outros; de José Saramago, que acrescentou 30 mil às vendas de o Ensaio sobre a Cegueira devido ao filme; dos três irmãos Lobo Antunes - António, João e Nuno -, que só por si venderam 120 mil; Daniel Sampaio, com largos milhares, e Isabel Stilwell, que reeditou o enorme êxito anterior.

É uma mudança de rumo do mercado editorial, que se acentuou em 2008 - acompanhando a tendência internacional - e que tem duas razões: o peso do leitor feminino e a aposta das editoras em dar romances historicamente comerciais e com um mínimo de credibilidade.

Com esta "receita literária", lucram as editoras e os livreiros, ganham os autores e aumenta o seu número, ficam os que lêem mais satisfeitos e o rácio de leitura em português melhora, sem se necessitar de alimentar o debate inócuo de que a literatura light destrói a boa escrita e não atrai novos leitores aos já fiéis ao livro.

Analisar o aumento de vendas do autor nacional envolve muitas outras variáveis, mas, no final, a conclusão é a mesma e nenhuma editora veio ainda a público lamentar-se dos efeitos da crise. Não será por acaso que, entre os empresários portugueses, Miguel Pais do Amaral seja um dos mais satisfeitos com os investimentos realizados no último ano, a aquisição de 16 das mais importantes editoras nacionais.


Também ainda não é possível confirmar o efeito das concentrações de editoras sob grandes grupos no crescimento deste sector, por isso a explicação mais imediata, e com a qual os editores ouvidos pelo DN concordam, é mesmo o gosto dos leitores por um segmento literário que promove um efeito de camaleão até junto de autores "clássicos".

Os dois livros que lideram as tabelas não poderiam ser mais diferentes um do outro. José Rodrigues dos Santos escreveu uma história romântica e as edições sucedem-se. José Saramago fez um longo conto irónico e liderou a tabela de vendas durante as últimas semanas com seis edições. Curiosamente, apesar de José Saramago ser o número um nas tabelas das Fnac e das Bertrand, foi Rodrigues dos Santos quem mais vendeu, porque se beneficia da aquisição noutros espaços comerciais.

A única certeza neste burburinho livreiro é que os 6000 exemplares de Ninguém Dá Prendas ao Pai Natal, de Ana Saldanha, se venderam mesmo devido à quadra."


Publicado no DN de hoje