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sexta-feira, janeiro 02, 2009

COM A DEVIDA VÉNIA

"Feliz Ano Darwin!
Carlos Fiolhais

Pode dizer-se que não existe nenhuma teoria científica que esteja em competição com o evolucionismo

Quando há poucos anos se perguntou a um conjunto de professores da Universidade de Coimbra quais foram os dez livros que mais mudaram o mundo, não foi sem surpresa que se apurou em primeiro lugar a Origem das Espécies do naturalista inglês Charles Darwin e só depois a Bíblia. Mas, ao querer organizar uma exposição sobre esse top ten, a surpresa foi ainda maior quando se verificou que não havia no rico acervo das bibliotecas da universidade nenhuma primeira edição da obra maior de Darwin, publicada em 1859, ao passo que havia várias centenas de edições, algumas bastante antigas e preciosas, do livro sagrado dos cristãos.

Este facto chegará para mostrar que, se hoje os cientistas são todos darwinistas, há 150 anos, quando foi divulgada a revolucionária teoria de Darwin, não havia entre nós quase ninguém interessado nas ideias do inglês. Graças à sua pródiga confirmação pela observação e pela experiência, a teoria da evolução alcançou desde então uma aceitação que, na sua origem, dificilmente se poderia prever. Hoje, pode dizer-se que não existe nenhuma teoria científica que esteja em competição com o evolucionismo (o criacionismo não é ciência!).

A demora com que as ideias de Darwin chegaram até nós é sintomática do nosso atraso científico no século XIX. Apesar de Darwin ter ficado em pouco tempo mundialmente famoso e de ter trocado milhares de cartas com naturalistas de todo o mundo, o único português a corresponder-se com ele foi um jovem de 26 anos, residente nos Açores, completamente isolado dos círculos científicos. Francisco de Arruda Furtado dirigiu-se, em 1881, ao velho sábio do seguinte modo: "Nasci e vivo nestas ilhas vulcânicas onde os factos de distribuição geográfica dos moluscos terrestres são uma interessante prova da teoria a que deu o seu nome mil vezes célebre e respeitado." Darwin, que tinha visitado os Açores durante a sua viagem à volta do mundo no Beagle, respondeu, quase na volta do correio, com palavras gentis e encorajadoras: "Admiro-o por trabalhar nas circunstâncias mais difíceis, nomeadamente pela falta de compreensão dos seus vizinhos."

É bem conhecida a polémica que as ideias darwinistas logo suscitaram, nomeadamente a forte oposição que teve por parte da Igreja de Inglaterra. A esse confronto não terá sido alheio o progressivo afastamento de Darwin da sua fé da juventude - ele que tinha estudado Teologia em Cambridge - para assumir, no fim da vida, quando respondia ao português, uma posição agnóstica. O mecanismo da selecção natural permitia defender a evolução das espécies como um design sem designer (algo que os criacionistas ainda hoje se recusam a aceitar). O mais perturbador para alguns crentes era a eventual "descendência humana do macaco", tendo ficado célebre a afirmação de um antidarwinista segundo a qual "não era verdade mas, se fosse verdade, o melhor era que não se soubesse".

A oposição com base na Bíblia ao evolucionismo conheceu também alguns episódios curiosos em Portugal. No mesmo ano em que escrevia a Darwin, Furtado publicou em Ponta Delgada um folheto intitulado O Homem e o Macaco, em resposta a um padre que tinha pregado nessa cidade: "E ainda há sábios que acreditam que o homem descende do macaco!... Nós somos todos filhos de Nosso Senhor Jesus Cristo!..." O açoriano esclareceu que "não há sábios que acreditam que o homem descende do macaco (...) mas que ambos deveriam ter sido produzidos pela transformação de um animal perdido e mais caracterizado como macaco do que como homem. Eis o que se disse e o que se diz e, se isto não se prova, o contrário também não".

Hoje, passados 150 anos sobre a Origem das Espécies e 200 anos sobre o nascimento de Darwin, a teoria que o tornou famoso está bem e recomenda-se, não só devido à ajuda da paleontologia mas também e principalmente devido à corroboração pela moderna genética. Conforme afirmou o geneticista Theodosius Dobzhansky, "nada na biologia faz sentido a não ser à luz da evolução". Feliz ano Darwin!

Professor universitário (tcarlos@teor.fis.uc.pt)


No Público, hoje.

É um prazer ler Carlos Fiolhais. Hoje chama a atenção para Darwin que nos legou elementos charneira e únicos para a compreensão das espécies. Os factos referentes ao açoriano ouvi-os da boca de outro açoriano, Onésimo Teotónio Almeida, numa conferência na Casa dos Açores.

2 Comments:

Anonymous Anónimo said...

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10:36 da manhã  
Blogger Onésimo said...

Caro José Carlos;
Grato pela a referência amável.
Na verdade, o que o Carlos Fiolhais cita (uma carta de Arruda Furtado a Darwin e a resposta deste) era conhecido antes do meu ensaio. O que acrescentei na comunicação que levei a um colóquio na Horta, depois publicada nas Actas, e de que fiz um breve resumo naquela charla na Casa dos Açores em Lisboa, foi:

1. A recolha de todas as referências aos Açores na correspondência de Darwin;

2. A transcrição do relato da passagem de Darwin pelos Açores (seis dias na Terceira e uma paragem rápida em S. Miguel), que nunca tinha visto referidas em Portugal;

3. A divulgação do folheto de Arruda Furtado "O Homem e o Macaco", publicado em Ponta Delgada em 1881, completamente desconhecido das próprias pessoas que escrevem sobre Arruda Furtado, incluindo uma tese portuguesa sobre o darwinismo publicada há pouco tempo;

4. Outros açorianos que escreveram pró ou contra o darwinismo no século XIX.

Para os interessados, a referência bibliográfica do meu texto é:

"Darwin e os Açores - das referências às ilhas à recepção da sua teoria no arquipélago", in "O Faial e a Periferia Açoriana nos Sécs. XV a XX. Actas do IV Colóquio (Horta:: Núcleo Cultural da Horta, 2007), pp. 521-538.

Aproveito para lhe dar um abraço e lhe desejar um bom 2009.

onésimo

6:00 da manhã  

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