PORTUGAL SERÁ� MELHOR

  • - se a casa de Aristides de Sousa Mendes fôr reconstruída para um projecto ligado com a sua vida
  • - se houver mais locais para pôr as mãos na massa
  • - se cada um de nós Ler +
  • - se cada um de nós respeitar os passeios como lugar de trânsito dos peões, sobretudo dos que têm menos mobilidade
  • - se for mandado para as urtigas o princí­pio, muito vulgarizado: Tudo pelos amigos, nada pelos inimigos. Aos outros aplica-se a lei. É mais simples e justo se a todos se aplicar a lei.

POR UM JORNALISMO MELHOR

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sábado, janeiro 24, 2009

EM DESTAQUE NO PÚBLICO


Em memória da Stella
José Pacheco Pereira

Stella esteve presa várias vezes e, no exílio argelino, foi uma das vozes da Rádio Voz da Liberdade, com Manuel Alegre


ver na íntegra em SÓ TEXTOS

sexta-feira, janeiro 23, 2009

1001 RAZÕES PARA GOSTAR DE PORTUGAL


A propósito do cão de água e de Obama lembro o que escrevi no : 1001 Razões para Gostar de Portugal

terça-feira, janeiro 20, 2009

ELES VÃO PEDIR MAIS E MELHORES ESTÁDIOS....

Mundial-2018 vai valorizar futebol português, defende Madail

Foi dado hoje o primeiro passo na sede da FPF para formalizar junto da FIFA a candidatura ibérica ao Mundial de 2018. Madail acredita que este projecto vai valorizar o país, mas o grande beneficiado será o futebol português.

O presidente da Federação portuguesa de Futebol, Gilberto Madail, e o seu homólogo Angel Villar oficializaram a candidatura conjunta à organização do Mundial de 2018. Madail explica agora os trâmites do processo:

«Vamos aguardar até Março que a FIFA nos envie as condições. Depois de as analisarmos, apresentamos aos respectivos governos o que precisamos. Verificados todos os pontos e elaboramos o dossier de candidatura, que será feito por um comité de organização único.»

E prossegue: «Este dossier será submetido à FIFA em Dezembro e, caso haja uma decisão favorável, iremos formar o comité final de organização do Campeonato do Mundo.»

Madail destaca a importância que este projecto tem tanto a nível desportivo como de promoção do país: «É uma forma de valorizarmos o futebol português, de valorizarmos o nosso pais e também de começarmos a estabelecer uma ligação muito maior entre o futebol português e o espanhol o que poderá no futuro originar outros intercâmbios, a nível de clubes».

O responsável máximo da FPF espera superar o sucesso do Euro-2004: «Esperamos que haja um impacto muito mais forte com esta organização, no futebol português, das nossas mentalidades e que o futebol venha a ganhar com isto.»


In A Bola On Line

E nós? Por mim vou pedir o impossível (será?): melhores e mais bibliotecas, melhores e mais universidades, melhor e mais justiça na distribuição dos rendimentos, melhor e mais atenção à memória de Aristides Sousa Mendes.

sábado, janeiro 17, 2009

EM DESTAQUE NO PÚBLICO

Direito ao bom nome e liberdade de expressão
Francisco Teixeira da Mota

O Tribunal da Relação do Porto evitou uma condenação de Portugal pelo Tribunal Europeu dos Direitos do Homem

Corria a Primavera de 2003 e a polémica sobre a Casa da Música e a política cultural da Câmara Municipal do Porto (CMP) tinha atingido o seu auge.
Numa entrevista, Pedro Burmester, que dirigia a Casa da Música, denunciara publicamente uma série de comportamentos do presidente da CMP que, no seu entender, revelavam uma total incompreensão e desvalorização do projecto. Pelo seu lado, o presidente da CMP, em reacção à entrevista, exigiu publicamente a demissão de Pedro Burmester do cargo de administrador da Casa da Música. Esta sequência de eventos suscitou um amplo e intenso debate nos meios culturais e na comunicação social, tendo inclusivamente Jorge Sampaio, então Presidente da República, afirmado, aquando da sua visita ao Porto para presenciar os festejos do S. João, que era importante a permanência de Pedro Burmester no projecto da Casa da Música.
O crítico de arte Augusto M. Seabra, então colaborador regular do PÚBLICO, publicava semanalmente um artigo de opinião onde habitualmente tecia comentários (muitas vezes, violentos e contundentes) sobre assuntos culturais, num tom, muitas vezes, irónico e polémico, independentemente da cor político-partidária dos visados.
No entender deste crítico de arte, o presidente da CMP, depois de ter sido eleito, tinha progressivamente deslocado as prioridades culturais do município para a chamada "cultura popular" (ou "pimba"), em detrimento da "cultura clássica", o que era muito criticado por diversos agentes culturais.
Para Augusto Seabra, o presidente da CMP tinha uma posição hostil e de desconfiança, assumindo posições que obstavam ao normal e saudável desenvolvimento do projecto da Casa da Música que, no seu entender, era um projecto de uma importância capital em termos de desenvolvimento cultural do Norte. E considerava que as posições públicas do presidente da CMP revelavam uma concepção provinciana, senão mesma pacóvia, da cultura.
No dia 22 de Junho de 2003, na sua coluna semanal, escreveu o seguinte: "No momento em que o energúmeno que encabeça a maioria PSD-CDS-PCP na Câmara Municipal do Porto e seus apaniguados encetaram uma lógica repressiva de silenciamento, à cata de 'delito de opinião', ainda assim será da Casa e da Música que se falará, porque o que neste momento se nos oferece fruir e avaliar é um projecto cultural de uma envergadura e seriedade absolutamente ímpares."
...

ver mais em SÓ TEXTOS

sexta-feira, janeiro 16, 2009

LEITURA DE POESIA

Dia 21 de Janeiro às 18,45 h
A poesia de Manuel Alegre com declamação pelo próprio, leitura critica de Paulo Sucena e ainda a especial participação de António Borges Coelho

POR UMA CULTURA DE PARTICIPAÇÃO!

Morada da Livraria: Rua Augusto Gil, 15 B ( junto ao antigo cinema Roma/actual Fórum Lisboa)


Recebido da Livraria Círculo das Letras

DEBATE sobre Direitos Humanos

Dia 20 de Janeiro,3ª feira pelas 18,45 horas
Debate sobre os 60 anos da Declaração dos Direitos do Homem,
com as presenças de Dom Januário Torgal Ferreira ( Bispo da Forças Armadas e Segurança)
e Dr Domingos Lopes (Vice Presidente da Comissão dos Direitos Humanos da Ordem dos Advogados e Presidente do Fórum pela Paz e pelos Direitos Humanos)


POR UMA CULTURA DE PARTICIPAÇÃO!

Morada da Livraria: Rua Augusto Gil, 15 B ( junto ao antigo cinema Roma/actual Fórum Lisboa)


Recebido da Livraria Círculo das Letras

COLÓQUIOS

O 4º Encontro Açoriano da Lusofonia, organizado pelos COLÓQUIOS DA LUSOFONIA, (de 31 de Março a 4 de Abril de 2009, no Cineteatro Lagoense, Lagoa, S. Miguel) conta já com a presença de mais de seis dezenas de pessoas do mais elevado nível académico como os nossos convidados especiais:

PROFESSOR ADRIANO MOREIRA, (Presidente da Academia de Ciências de Lisboa)
PROFESSOR MALACA CASTELEIRO, (da Academia de Ciências de Lisboa)
PROFESSOR CARLOS REIS, (Reitor da Universidade Aberta)
PROFESSOR EVANILDO BECHARA (da Acaademia Brasileira de Letras)

além da presença dos escritores açorianos
ÁLAMO OLIVEIRA
CRISTÓVÃO AGUIAR
DANIEL DE SÁ
MÁRIO MOURA


Recebido da organização do colóquio

EUROPEANA : PENSEZ CULTURE

La Bibliothèque Virtuelle Européenne Europeana est à nouveau accessible à l’adresse :
2 millions de documents en ligne

Services numériques, voir aussi :

La bibliothèque numérique de la bibliothèque nationale de France Gallica 2 et l'édition contemporaine :
http://gallica2.bnf.fr/
Réseau francophone des bibliothèques nationales numériques
http://www.rfbnn.org/
The European Library : portail des bibliothèques nationales européennes
http://search.theeuropeanlibrary.org/portal/en/index.html

quinta-feira, janeiro 15, 2009

SÓ TEXTOS Revista do CNC


O Centro Nacional de Cultura, a Fundação Mário Soares, o Seminário Livre de História das Ideias da F.C.S.H. da Universidade Nova de Lisboa e a Biblioteca Nacional de Portugal vão lançar o  DVD-ROM O Tempo e o Modo – Nova Série (1969-1977) que será apresentado pelo Dr. Guilherme d’Oliveira Martins na 5ª feira, dia 22 de Janeiro de 2009, pelas 18h30 na Galeria Fernando Pessoa do Centro Nacional de Cultura.


Galeria Fernando Pessoa
Centro Nacional de Cultura
Largo do Picadeiro, 10
(ao Chiado)

Para mais informações contactar o
Centro Nacional de Cultura
Tel. 21 346 67 22
ttamen@oniduo.pt


Recebido de Teresa Tamen

quarta-feira, janeiro 14, 2009

POESIA

...
Oh as casas as casas as casas
as casas nascem vivem e morrem
Enquanto vivas distinguem-se umas das outras
distinguem-se designadamente pelo cheiro
variam até de sala para sala
As casas que eu fazia em pequeno
Onde estarei eu hoje em pequeno?
Onde estarei aliàs eu dos versos daqui a pouco?...


Ruy Belo
Todos os Poemas II, Lisboa, Assírio e Alvim, pag 153/154

INTERNET

terça-feira, janeiro 13, 2009

SÓ TEXTOS

QUINTA DA REGALEIRA

A GALERIA MATOS FERREIRA vai promover ainda no domingo, dia 18 de Janeiro, uma visita guiada aos Jardins Iniciáticos da QUINTA DA REGALEIRA, tendo como guia o Dr. JOSÉ MANUEL ANES. O custo é de EUR 15,00 (quinze euros) por pessoa e o local de encontro será às 10h00 defronte dos portões da entrada da referida Quinta.

Os interessados devem inscrever-se com antecedência através do Tel 21 323 00 11, do Tlm 96 295 37 22 ou do Email: mfgaleria@netcabo.pt
.

Deverão em qualquer das opções indicar sempre número de telemóvel para eventual contacto.

Sublinhamos ainda que a Galeria situa-se em pleno Bairro Alto, mais precisamente no Nº. 18 da Rua Luz Soriano, e tem o seguinte horário de funcionamento: de terça-feira a sábado, das 19 às 2 horas e aos domingos e feriados das 15 às 20 horas.


Recebido da Galeria Matos Ferreira

SÓ TEXTOS

MATOSFERREIRA GALERIA DE ARTE
BAIRRO ALTO - Rua Luz Soriano, 18 / 1200 - 247 LISBOA * Tlf: 213 230 011 Tlm: 962 953 722

Curso de TAROT DE MARSELHA Por PEDRO ROCHA

“A felicidade é o momento em que captamos vogando livres os elementos da nossa própria composição” BRODSKY


A GALERIA MATOS FERREIRA vai promover um Curso de TAROT durante dois meses com início em Fevereiro, aos sábados, pelas 17 horas com sessões de 2h00 cada e com um intervalo de 15 minutos. Ou seja, nos dias 7, 14, 21 e 28 dos meses de Fevereiro e Março, tendo como formador PEDRO ROCHA.

O custo do curso é de EUR. 60,00 (sessenta euros) por mês e terá um limite máximo de 20 (vinte) participantes.

Os interessados podem-se inscrever através do Tel 21 323 00 11, do Tlm 96 295 37 22 ou ainda do Email: mfgaleria@netcabo.pt . Deverão em qualquer das opções indicar sempre o número de telemóvel para eventual contacto.



PROGRAMA

MÓDULO I
Breve introdução.
Origem da vida e noção de características próprias e da individualidade.
A "loucura da normalidade" e a loucura da "anormalidade". A questão do eu interior. A questão dos preconceitos.
O respeito pelo próximo e o Amor como propostas para uma nova etapa da evolução e como coluna vertebral.
Proposta de elementos do respeito pelo próximo.
O TAROT como ciência de aproximação ao sensível versus como jogo de probabilidades (uma espécie de poker). Atenção ao estado
alucinatório e ao abuso de confiança.
As questões da mente e da razão emocional - Discussão.
MÓDULO II


· Apresentação dos Arcanos Maiores…Carta a carta.

· As cartas dialogam entre si.

· As primeiras experiências. Leituras em conjunto.


BIBLIOGRAFIA ACONSELHADA

JUNG E O TARÔ - Uma Jornada Arquetípica, livro de autoria de SALLIE NICHOLS, da editora CULTRIX de São Paulo - Brasil e disponível na Galeria Matos Ferreira a um preço especial para os participantes no curso.

segunda-feira, janeiro 12, 2009

EM DESTAQUE NO PÚBLICO

Três interrogações sobre as eleições de 2009
Pedro Magalhães

Qual será a dimensão do castigo que os eleitores aplicarão ao PS nas legislativas deste ano? A primeira interrogação suscitada pelo calendário eleitoral de 2009 tem a ver com a dimensão do castigo que os eleitores aplicarão ao PS nas legislativas. Nas democracias parlamentares, os partidos de governo são quase sempre castigados eleitoralmente. Este negative incumbency effect, documentado originalmente num estudo de 1993 de Richard Rose e Thomas Mackie, contraria claramente o que sucede noutros níveis de governo (eleições locais ou regionais) ou até noutro tipo de democracias (regimes presidenciais, por exemplo). Contudo, em Portugal, este fenómeno parece afectar especialmente o Partido Socialista. Foi assim em 1979 e em 1985, e só aparentemente isso não terá ocorrido em 1999. Só aparentemente porque, na verdade, dados de inquéritos pós-eleitorais revelam uma mutação importante do eleitorado socialista de 1995 para 1999: uma deserção dos eleitores mais à esquerda que compunham a coligação eleitoral anterior, que só a boa situação da economia terá compensado, sem ter impedido, mesmo assim, quer um forte aumento da abstenção, quer a subida dos partidos à esquerda do PS.
Hoje, poucos duvidarão que possíveis perdas para a esquerda e para a abstenção serão, precisamente, o obstáculo fundamental à renovação da maioria absoluta por parte do PS. E desta vez não há, claro, bom desempenho económico para mostrar. No entanto, como mencionei há duas semanas, a natureza da crise económica actual, tal como é apercebida pelos eleitores, pode favorecer em vez de desfavorecer o Governo. Acresce que o primeiro-ministro é candidato, e nunca um primeiro-ministro perdeu eleições em Portugal. Já no PSD, a acreditar na imprensa, uma parte significativa do partido já só aguarda a derrota em 2009 para conduzir Passos Coelho à liderança. Em suma, alguma espécie de castigo o PS certamente sofrerá, mas resta saber qual será a sua dimensão, os seus beneficiários e se não será compensado por outros factores.

A segunda interrogação eleitoral para 2009 tem a ver com a tendência para o bipartidarismo em Portugal e com o desempenho dos pequenos partidos, em particular os que se situam à esquerda do PS. Um dos acontecimentos mais fascinantes no sistema político português foi a extraordinária mutação ocorrida entre 1985 e 1987, através da qual um sistema multipartidário se converteu num bipartidarismo, com o PSD e o PS a recolherem praticamente quatro em cada cinco dos votos válidos dos eleitores portugueses em cada eleição legislativa. O que a torna fascinante é o facto de ter ocorrido sem mudanças relevantes no sistema eleitoral, único factor que costuma ditar mudanças desta magnitude. Contudo, nas eleições de 2005, a soma das percentagens de votos de PS e PSD foi a menor desde, precisamente, 1987. E por estes dias, em muitas sondagens, CDU e Bloco de Esquerda somam mais de 20 por cento dos votos, o que, a confirmar-se, deverá ser suficiente para que 2009 seja uma eleição onde se abrirá mais uma brecha no bipartidarismo português.
Mas, apesar de haver boas razões, como vimos logo no início, para esperar um bom desempenho dos partidos à esquerda do PS, isso não elimina algumas dúvidas relevantes, nomeadamente quanto do desempenho do Bloco. Uma tese de doutoramento defendida recentemente em Coimbra pelo psicólogo Rui Antunes mostra que, ao contrário do que sucede entre os eleitores do PS e do PCP - segmentos cuja comunicabilidade deverá ser quase nula - aqueles que se identificam com o BE e com o PS têm alguma proximidade entre si, não se colocando numa zona de total exclusão mútua. Isto pode funcionar, claro, nos dois sentidos. Um estudo de painel realizado pelo Instituto de Ciências Sociais em 2005 e 2006 mostrava que, nas presidenciais, parte dos votos de Francisco Louçã vieram de eleitores que tinham votado no PS. Mas mostrava também que parte dos anteriores votantes no BE não se coibiram de votar em Manuel Alegre, mesmo com Louçã no boletim de voto. Sócrates não é, claro, Alegre. Mas há para estes lados uma fluidez que não deixará o Bloco dormir descansado nos próximos meses, e que deverá estar por detrás, de resto, das hesitações recentes em torno da "convergência das esquerdas".

Uma terceira interrogação tem a ver com as consequências para as eleições legislativas de uma eventual simultaneidade com as europeias ou as autárquicas, cenários que têm sido agitados nos últimos dias. Esta interrogação é diferente porque não lhe conheceremos a resposta: seja o que for que suceda, não teremos ponto de comparação directo. Mas podemos especular. A acreditar na imprensa, o PS parece achar que o cenário da antecipação e simultaneidade com as europeias lhe é mais favorável, temendo talvez uma punição que as europeias impliquem para o partido de governo e as suas consequências para umas legislativas subsequentes, ou até que a coincidência de legislativas e autárquicas seja mais favorável ao PSD. Mas tudo isto é demasiado incerto. Por um lado, quanto às europeias, sabe-se que quando são conduzidas no final do ciclo eleitoral - perto das eleições seguintes - tendem a produzir perdas muito reduzidas para os partidos de governo. O único caso em Portugal, as europeias de Junho de 1999, não é desviante (o PS teve 43 por cento dos votos) e o efeito de demonstração que um bom resultado nas europeias poderia ter para o que se segue não seria despiciendo. Por outro lado, o pouco que se sabe sobre a ocorrência de eleições locais e nacionais nos sistemas políticos europeus não apoia muito a noção de um efeito de contaminação entre as duas eleições. Em países como a Dinamarca ou a Suécia, nas locais e nacionais simultâneas de, respectivamente, 2001 e 2002, mais de um quarto dos eleitores votaram em partidos diferentes consoante o tipo de eleição. E no Reino Unido, onde a situação tem sido mais frequente nos últimos 20 anos, os estudos mostram que os factores que influenciam a decisão de voto num e noutro nível de governo são relativamente independentes. É possível que toda a intriga dos últimos dias seja, afinal, por nada. Politólogo (pedro.magalhaes@ics.ul.pt)

sexta-feira, janeiro 09, 2009

COM A DEVIDA VÉNIA AO PÚBLICO E À AUTORA

Educação: os critérios da excelência
Lídia Jorge

A titularidade foi dada a professores bons, excelentes, maus e muito maus. Não premiou nada, porque baralhou tudo1.Ficarão por muito tempo célebres os braços-de-ferro que Margaret Thatcher manteve com os sindicatos do Reino Unido, como conseguiu vencê-los, e como à medida que os humilhava, mais ia ganhando o eleitorado do seu país. Na altura a primeira-ministra britânica era a voz da modernidade liberal, criou discípulos por toda parte, e ainda hoje, apesar do negrume da sua era, há quem se refira à sua coragem como protótipo da determinação governativa. Mas neste diferendo que opõe professores e Governo, está enganado quem associa o seu perfil ao de Maria de Lurdes Rodrigues. Se alguma associação deve ser feita - e só no plano da determinação -, é bom que o faça directamente com a pessoa do primeiro-ministro.
De facto, a equipa deste Ministério da Educação tem-se mantido coesa, iniciou reformas aguardadas há décadas, soube transferir para o plano da realidade as mudanças que em António Guterres foram enunciadas como paixão, conseguiu que o país discutisse a instrução como assunto de primeira grandeza, fez habitar as escolas a tempo inteiro, fez ver aos professores que o magistério não era mais uma profissão de part-time, arrancou crianças de espaços pedagógicos inóspitos, e muitos de nós pensámos que a escola portuguesa ia partir na direcção certa. Quando José Sócrates saía com todos os ministros para a rua, nos inícios dos anos lectivos, via-se nesse gesto uma determinação reformista que augurava um caminho de rigor. Não admira que o primeiro-ministro várias vezes tenha falado do óbvio - que era necessário determinar quem eram, na escola portuguesa, os professores de excelência. Era preciso identificá-los, promovê-los, responsabilizá-los, outorgar-lhes credenciais de liderança. Era fundamental que se procedesse à sua escolha. Mas a sua equipa legislou sobre o assunto e infelizmente errou.

2.Errou ao criar, de um momento para o outro, duas categorias distintas, quando a escola portuguesa não se encontrava preparada para uma diferenciação dual. A escola portuguesa tinha o defeito de não diferenciar, mas tinha a virtude de cooperar. O prestígio do professor junto dos alunos e dos colegas não era contabilizado, mas era a medida da sua avaliação. Pode dizer-se que era uma escola artesanal que necessitava de uma outra sofisticação. Mas, para se proceder a essa modificação com êxito, era preciso compreender os mecanismos que a sustentavam há décadas, e tomar cuidado em não humilhar uma classe deprimida, a sofrer dia a dia o efeito de uma erosão educacional que se faz sentir à escala global. Só que em vez da aplicação cuidadosa e gradual de um processo de mudança, a equipa do Ministério da Educação resolveu criar um quadro de professores titulares, a esmo, à força e à pressa. No afã de encontrar a excelência, em vez de se aplicar critérios de escolha pedagógica e científica, aplicaram-se critérios administrativos, de tal modo aleatórios que deixaram de fora grande percentagem de professores excelentes, muitas vezes os responsáveis directos pelo êxito pedagógico das escolas.
O alvoroço que essa busca de um quadro de excelência criou está longe de ser descrito devidamente. Basta visitar algumas escolas para se perceber como a titularidade está distribuída a professores bons, excelentes, mas também a maus e muito maus, e foi negada a professores competentes. Isto é, criou-se um esquema que não premiou nada, porque baralhou tudo. Os erros foram detectados por muita gente de boa fé, em devido tempo, mas o processo avançou, a justiça não foi reposta, nem sequer a nível da retórica política. Pelo contrário, aquilo que a razão mostrava à evidência foi sendo desmentido, adiado, ridicularizado, ou desviado para o campo da luta sindical dita de inspiração comunista.

3.O segundo instrumento ao serviço da excelência não teve melhor sorte. Era preciso inaugurar nas escolas uma cultura de responsabilidade que até agora fora relegada para determinismos de vária ordem, menos os estritamente pedagógicos, o que era um vício da escola portuguesa, pelo menos até à publicação dos rankings. Mas aí, de novo, a equipa do Ministério da Educação funcionou mal. Se os campos de avaliação do desempenho dos professores estão mais ou menos fixados, e começam a ser universais, os parâmetros em questão foram pensados por mentes burocráticas sem sentido da realidade, na pior deturpação que se pode imaginar em discípulos de Benjamin Bloom, porque um sistema que transforma cada profissional num polícia de todos os seus gestos, e dos gestos de todos os outros, instaura dentro de cada pessoa um huis clos infernal de olhares paralisantes. Ninguém melhor do que os professores sabe como a avaliação é um logro sempre que a subjectividade se transforma em numerologia. Claro que não está em causa a tentativa de quantificação, está em causa um método totalitário que se transforma num processo autofágico da actividade escolar. Aliás, só a partir da divulgação das célebres grelhas é que toda a gente passou a entender a razão da pressa na criação dos professores titulares - eles estavam destinados a ser os pilares dessa estrutura burocrática de que seriam os pivots. Isto é, quando menos se esperava, e menos falta fazia, estavam lançadas as bases para uma nova desordem na escola portuguesa. Como ultrapassá-la?

4.Não restam muitos caminhos. Ultimamente, almas de boa fé falam de cedência de parte a parte. Negociação, bondade, comissões de sábios. A questão é que não há, neste campo, nenhuma justiça salomónica a aplicar. O objecto em causa não é negociável. Tendo em conta uma erosão à vista, só a Maria de Lurdes Rodrigues, que sabe que foi longe de mais, competiria dizer "Não matem a criança, prefiro que a dêem inteira à outra", mas já se percebeu que não o vai fazer. Obcecada pela sua missão, que começou tão bem e está terminando mal, quererá ir até ao fim, mesmo que do papel dos mil quesitos que alguém engendrou para si só reste um farrapo. É pena. Depois de ter tido a capacidade de pôr em marcha uma mudança estrutural indispensável para a modernização do ensino, acabou por não ser capaz de ultrapassar o desprezo que desde o início mostrava ter em relação aos professores. E, no entanto, numa política de rosto humano, seria justo voltar atrás, reparar os estragos, admitir o erro sem perder a face. Ou simplesmente passar o mandato a outros que possam reiniciar um novo processo.
De facto, em Portugal existem vários vícios na ascensão ao poder. Um deles consiste em não se saber entrar no poder. Pessoas sem perfil técnico, ou humano, aceitam desempenhar cargos para os quais não foram talhados. Parece que toda a gente gosta de um dia dizer ao telefone, no telejornal, "Papá, sou ministro!", com o resultado que se conhece. Outro é não se saber sair do poder. Houve um tempo em que Mário Soares ensinou ao país como os políticos saem no tempo certo, para retomarem, quando voltam a ser úteis. Os grandes políticos conhecem a lei do pousio. E o objecto da disputa deve ser sempre mais alto do que a própria disputa. É por isso estranho e desmedido o que está a acontecer.

5.José Sócrates deverá estar a pensar que pode ter pela frente um golpe de sorte - Margaret Thatcher teve a guerra das Falklands - e até pode vir a ter uma maioria absoluta outra vez. Aliás, pelo que se ouve e vê, a frase da ministra da Educação "Perco os professores mas ganho o país", cria efeitos de grande admiração junto duma população ansiosa por ver braços-de-ferro no ar, sobretudo se eles vierem do corpo de uma mulher. Não falta quem faça declarações de admiração à sua coragem, como se a coragem prescindisse da razoabilidade. E até é bem possível que a Plataforma Sindical um dia destes saia sorridente da 5 de Outubro com um acordo qualquer debaixo do braço, como já aconteceu.
Mas a verdade é que, a insistir-se neste plano, despropositado, está-se a fomentar uma cadeia de injustiças e inoperâncias que só a alternância democrática poderá apagar. Se José Sócrates pediu boas soluções e lhe ofereceram estas, foi enganado, e deveria repensar nos seus contratos. Mas se ele mesmo acredita neste processo kafkiano, é uma desilusão, sobretudo para os que confiaram na sua capacidade de ajudar o país a mudar. Neste momento, entre nós, a educação tornou-se uma fábula. Escritora


Não posso deixar de sublinhar a importância do texto de Lídia Jorge. A educação é demasiado importante para ser deixada na mão exclusiva dos políticos. Ter uma análise de um dos escritores contemporâneos mais consagrados é sempre de destacar. Mas Lídia Jorge foi professora anos e anos. Basta ler este artigo para perceber como a escrita de qualidade nos deixa perceber melhor o que se passa. Exemplo: "Só que em vez da aplicação cuidadosa e gradual de um processo de mudança, a equipa do Ministério da Educação resolveu criar um quadro de professores titulares, a esmo, à força e à pressa."


Este artigo desencadeia também (ou continua...) um debate fora da oposição da sindicatos-ministra o que é desejável e salutar. Nomeadamente, os especialistas em ciências da educação e pedagogos estão muito silenciosos o que não é nada positivo para o debate (com algumas excepções, como a de Bártolo Paiva Campos, no DN, ou António Brotas, um "eterno" lutador). Jornais como o Público também têm afastado colaborações diversificadas privilegiando colunistas "certos" a que tem dado grande relevo. Especialistas de história e de ciências da educação já me confessaram ter artigos sem publicação. Certo também é que os especialistas nem sempre sabem ou querem compreender que um artigo de jornal são 3000 caracteres ou menos.

...a continuar

SÓ TEXTOS

CAFÉ PHILO

DIA 13 de JANEIRO às 21H00
Na Cafetaria do INSTITUTO FRANCO-PORTUGUÊS
TEMA: O ABSURDO / L’ABSURDE

Debate em francês e português animado por

Jean-Yves Mercury
Dominique Mortiaux
Nuno Nabais

O Café Philo de vivos e participados debates volta a marcar encontro em 2009. É já no próximo dia 13 de Janeiro às 21h00 na Cafetaria do Instituto Franco-Português.
Como sempre, Jean-Yves Mercury, Dominique Mortiaux e Nuno Nabais lançarão muitas achas para a fogueira para manter aceso o debate cujo tema será “O Absurdo”.
A entrada é livre e, já sabe, pode intervir quer em português quer em francês.

Esperamos por si!

Para ajudar à reflexão e à preparação do debate, deixamo-vos algumas reflexões e interrogações sobre o tema.

O ABSURDO

«“Absurdo”, que etimologicamente significa “discordante”, designa na nossa linguagem quotidiana o que é contrário ao senso comum e à razão. O termo é utilizado, no sentido mais específico, para designar o que contradiz as leis da lógica; fala-se nomeadamente de “raciocínio pelo absurdo”, que consiste, para demonstrar que uma proposta é verdadeira, em mostrar que a afirmação do seu contrário conduz a uma contradição. O sentimento do absurdo, da discórdia face ao mundo em geral também pode existir e, nesse caso, o termo toma um sentido mais explicitamente filosófico, tornando-se célebre na nossa época em particular graças a Albert Camus. O sentimento do absurdo revela a nossa procura do sentido, explícito nas! questões fundamentais tais como “porque estou aqui?”, “qual é o sentido do mundo?”, “porque é que o sofrimento existe?” etc. e nasce do encontro entre este desejo de sentido e a constatação de que o real não existe (ou é impermeável à nossa compreensão); que ele é, como o diz uma personagem de Shakespeare, como “uma história contada por um idiota, cheia de barulho e de furor, e que não quer dizer nada”. A afirmação do absurdo implica portanto a da ausência de Deus, e a da presença do trágico. A sua forte presença na literatura e no pensamento moderno e contemporâneo tem explicação no desabar civilizacional da crença no Deus cristão, na crise da linguagem que a acompanhou e nas grandes catástrofes que marcaram o nosso tempo. Se ele abre uma via ao riso, o p! ensamento de uma ausência essencial de sentido na exist&! ecirc;nc ia abre também sobre várias posições étnicas, que não são necessariamente determinadas por um pessimismo negro. Ele pode conduzir, segundo os autores que o reivindicaram, ao desprezo, mas também a uma maior afirmação da liberdade e da responsabilidade humana e não é incompatível com a procura da felicidade e da solidariedade entre os homens.
Se a questão se põe, em particular em relação ao tema que será o nosso nesta terça feira, de saber se o real tem ou não uma significação e quais as consequências étnicas que dai decorrem, podemos também interrogarmo-nos mais fundamentalmente sobre a legitimidade da procura do sentido em si : que angústia revela? Será possível abrir-se e viver num não saber originário? A procura de clareza não acabará por obscurecer a nossa relação com o real? Se isso for verdade, qual pode ainda ser a razão de ser do pensamento? Tantas questões a debater para começar este novo ano em beleza!»


L’ABSURDE

«Absurde», qui étymologiquement signifie «discordant», désigne dans notre langage quotidien ce qui est contraire au sens commun et à la raison. Le terme est en un sens plus précis utilisé pour désigner ce qui contredit les lois de la logique ; on parle ainsi notamment de «raisonnement par l’absurde», qui consiste, pour démontrer qu’une proposition est vraie, à montrer que l’affirmation de son contraire aboutit à une contradiction. Le sentiment de l’absurdité, de la discordance face au monde en général peut également se faire jour, et le terme prend alors un tour plus explicitement philosophique, rendu célèbre à notre époque en particulier par Albert Camus. Le sentiment de l’absurde rév&egr! ave;le notre recherche du sens, qui s’explicite dans les questions fondamentales telles que «pourquoi suis-je là ?», «quel est le sens du monde?», «pourquoi y a-t-il la souffrance ?» etc., et naît de la rencontre entre ce désir de sens et le constat que le réel n’en a pas (ou qu’il est imperméable à notre compréhension) ; qu’il est, comme le dit un personnage de Shakespeare, telle «une histoire racontée par un idiot, pleine de bruit et de fureur, et qui ne veut rien dire». L’affirmation de l’absurde implique donc celle de l’absence de Dieu, et celle de la présence du tragique. Sa forte présence dans la littérature et la pensée moderne et contemporaine s’explique par l’effondrement civilisationnel de la croyance au Dieu chrétien et la crise du langage qui l&rsqu! o;a accompagnée, et par les grandes catastrophes qui on! t marqu& eacute; notre temps. Si elle ouvre la voie au rire, la pensée d’une absence essentielle de sens à l’existence débouche aussi sur différentes positions éthiques, qui ne sont pas nécessairement déterminées par un pessimisme noir. Elle peut conduire selon les auteurs qui s’en sont revendiqué au détachement, mais aussi à une plus grande affirmation de la liberté et de la responsabilité humaine, et n’est pas incompatible avec la recherche du bonheur et de la solidarité entre les hommes.
Si se pose donc en particulier par rapport au thème qui sera le nôtre ce mardi la question de savoir si le réel a ou non une signification et celle des conséquences éthiques qui en découle, on peut aussi s’interroger plus fondamentalement sur la légitimité en elle-même de la recherche du sens : quelle angoisse celle-ci révèle-t-elle ? Est-il possible de s’ouvrir à et de vivre dans un non-savoir originaire ? La recherche de clarté ne finit-elle pas par obscurcir notre rapport au réel ? Si cela est vrai, quelle peut encore être la raison d’être de la pensée ? Autant de questions à débattre pour commencer cette nouvelle année en beauté !


Recebido do Institut Franco Portugais

SÓ TEXTOS


"Ao longo do ano de 2008 pedimos-lhe ajuda sob diversas formas. Desde donativos em dinheiro até resíduos para reutilização e reciclagem, passando pelo encaminhamento de uma parte dos seus impostos, diversas e criativas foram as iniciativas que a AMI teve de desenvolver para financiar a sua actividade humanitária médica, social e ambiental, em Portugal e no mundo.

Vimos, neste início de 2009, prestar-lhe a nossa homenagem por toda a ajuda que nos deu, e apresentar-lhe algum do trabalho que conseguimos desenvolver com a sua colaboração.

No âmbito da nossa actividade humanitária Internacional, mantivemos acções em muitos dos 67 países em que actuámos ao longo dos últimos 24 anos, em todos os 5 continentes, através de missões de emergência, desenvolvimento e de apoio a ONG locais. Destacamos a inauguração de uma escola e de um posto de saúde no Afeganistão, de um centro pediátrico em Chernobyl para filhos de deslocados do acidente nuclear, o apoio às populações vítimas do ciclone Nargis em Myanmar através de parceiros locais, depois de nos ter sido impedida a entrada no país, e a missão exploratória ao Zimbabué para apoio às vítimas da epidemia de cólera. Pelo trabalho desenvolvido nesta área, a AMI foi escolhida como Consultora Especial do Conselho Económico e Social das Nações Unidas."


Recebido da AMI

SÓ TEXTOS

ANIMA’ FILMES

CICLO Filmes de Animação

De 19 a 30 de Janeiro 2009 às 18h30
no Instituto Franco-Português
Todas as segundas, quartas e sextas-feiras às 18h30.
Entrada livre. Filmes legendados em português.


Na sua sala de Cinema, o Instituto Franco-Português dedica este primeiro mês do ano de 2009 aos Filmes de Animação. Uma programação para toda a família que promete prolongar os sonhos de Natal nos 6 encontros em torno de filmes incontornáveis da animação francesa. ANIMA’ FILMES é um ciclo de cinema para o qual miúdos e graúdos estão convidados.

É de 19 a 30 de Janeiro, todas as segundas, quartas e sextas-feiras às 18h30. A entrada é livre e os filmes são legendados em português.

Na cafetaria, o chef Pascal propõe, a partir das 17h30, um lanche-buffet com: croissant, pain au chocolat, mini chaussons aux pommes, pain aux raisins, chocolate quente, sumo de laranja, soda.... por 5€.
O melhor é fazer a sua marcação atempadamente. Telefone: 21 311 14 57

PROGRAMA

Segunda-feira 19 janeiro, 18h30, IFP
Le Chien, le Général et les oiseauxde Francis Nielsen – 2003, 75 min.
Um general russo, apesar de estar na reforma, vive assombrado pelas suas recordações e não consegue ter descanso. Felizmente, o acaso traz-lhe ao caminho um cão extraordinário, “Bonaparte”, que vai transformar os seus pesadelos em sonhos mágicos. Juntos, vão travar uma batalha original mas delicada : a libertação de todas as aves engaioladas…

“Com uma finura e delicadeza raras, Francis Nielsen mistura a dor e a ironia, o fantástico e a melancolia… Este desenho animado, diferente dos outros, deveria encantar todos os públicos…e inscrever-se no panteão dos maiores!” Télérama


Quarta-feira 21 janeiro, 18h30, IFP
Le Ballon Rouge (36 min.) e Crin Blanc (40min) de Albert Lamorisse - 1953
O IFP tem o enorme prazer de vos apresentar as magníficas versões restauradas dos filmes Le Ballon Rouge e Crin Blanc, que foram projectadas, em 2007, na Quinzena dos Realizadores, aquando da 60ª edição do Festival de Cannes.
Le Ballon Rouge (36 min.)
Na Paris dos anos 50, um rapazinho liberta um balão atado ao poste de um candeeiro. Para surpresa dos habitantes do bairro, o balão encarnado segue-o pelas ruas de Paris, suscitando a cobiça das outras crianças. Palma de Ouro para a curta-metragem no Festival de Cannes 1956, Le Ballon Rouge recebeu no mesmo ano, um Oscar para o Melhor argumento e o Prémio Louis Delluc
Crin Blanc (40 min)
Crin-Blanc(Crina Branca) é um magnífico exemplar, e o chefe de um grupo de cavalosselvagens. Crina Branca é demasiado orgulhoso para se deixar domar pelos homens. Só Folco, um pequeno pescador, conseguirá domesticá-lo. Uma profunda amizade vai nascer entre a criança e o cavalo. Juntos partirão à conquista de uma liberdade que os homens lhes recusam.
Sobre Crin-Blanc e Le Ballon rouge :
“(…) dois diamantes de poesia, humor e sensibilidade.” TéléCinéObs
« No oposto do antropomorfismo pueril de Disney, os filmes de Lamorisse são contos oníricos que visam a inteligência e a sensibilidade do público jovem”. Télérama


Sexta-feira 23 janeiro, 18h30, IFP
L’île de Black Mor de Jean-François Laguionie – 2003, 80 min.
Em 1803, Le Kid, um miúdo de quinze anos, foge do orfanato onde vivia como condenado. Não conhece o seu verdadeiro nome e tem por única riqueza o mapa de uma ilha do tesouro que caiu dum livro de Black Mor, um célebre pirata com quem gostaria de se parecer.
Com Mac Gregor e La Ficelle, Le Kid apodera-se do barco dos guarda-costeiros e lança-se à descoberta da famosa ilha, do outro lado do Oceano Atlântico… mas as coisas não se passam como nos livros de piratas.

“Uma história de piratas bem construída, um grafismo refinado, um êxito francês do cinema de animação!” Les Inrockuptibles


Segunda-feira 26 janeiro, 18h30, IFP
Les Triplettes de Bellevillede Sylvain Chomet – 2002, 1h 20min.
A ideia de génio que teve a Senhora Souza ao oferecer um bicicleta ao seu sobrinho foi muito além das suas esperanças. O treino, uma alimentação adaptaa e o Tour de France não estavam longe… A « máfia francesa » também não… e ao descobrir o futuro campeão, rapta-o. A Senhora Souza, acompanhada de três idosas que se tornaram-se cúmplices, as Triplettes, vai enfrentar todos os perigos numa corrida persecutória espantosa !
« Humor fino e acerbo, grafismo retro e inventivo, ritmo trepidante e oxigenado, tudo perfeito, que querem ! » Télérama




Quarta-feira 28 janeiro às 18h30
Ude Serge Elissalde– 2006, 1h 15min.
Um licorne denominado U vem em socorro de Mona, uma menina desesperada com a crueldade de seus pais adoptivos. O tempo passa. Mona cresce e torna-se uma bela e sonhadora adolescente. Um dia, chegam ao país imaginário os membros de uma família de barulhentos e burlescos músicos. Entre eles, o encantador Kulka…
« U é uma mistura particularmente arrebatadora e por isso particularmente rara, de inteligência, de sensibilidade e de graça.” Le Monde
“ O desenho é original e inovador, o argumento arrebatador, terno e fascinante. Tudo isto acompanhado de uma dobragem bem cuidada (…) A ver, absolutamente.” Le Parisien


Sexta-feira 30 janeiro às 18h30
Le roi et l’oiseau de Paul Grimault, 87 min. Prix Louis-Delluc 1980.
O rei Carlos V reina como um tirano no reino de Takicardie. Apenas um Pássaro que construiu o seu ninho no cimo do gigantesco palácio ousa desafiá-lo…

« Colaboração brilhante e mágica entre Paul Grimault e Jacques Prévert, esta obra-prima da animação deve ser dada a descobrir com toda a urgência à nova geração” Libération


Recebido do Institut Franco-Portugais

quinta-feira, janeiro 08, 2009

NO CCB



DE JANEIRO A ABRIL, 15 CONCERTOS, 30 MÚSICOS

DOSE DUPLA
De Janeiro a Abril de 2009, todas as quintas-feiras, das 22h00 às 23h00, na recepção do módulo I.

15 duos de dupla nacionalidade…
Jazz sem fronteiras nem barreiras…
M/12 ANOS
Na RECEPÇÃO DO MÓDULO I ENTRADA LIVRE


Em 2009, de Janeiro a Abril, o CCB vai receber jazz em dose dupla todas as quintas-feiras. Um músico português e um convidado estrangeiro em cada concerto ao longo de catorze noites de felizes encontros musicais. Vinte e oito músicos em catorze duos bem diferentes para lhe trazer jazz a dobrar. Há duos mais improváveis e outros mais consensuais, mas em todos a música é a força que derruba fronteiras.



8 DE JANEIRO
Rui Azul (Portugal) saxofone
Wolfram Minnemann (Alemanha) piano, voz


15 DE JANEIRO
Maria João (Portugal) voz
João Farinha (Portugal) piano


22 DE JANEIRO
Maria Viana (Portugal) voz
Joan Monné (Espanha) piano


29 DE JANEIRO
Sofia Ribeiro (Portugal) voz
Marc Demuth (Luxemburgo) contrabaixo


5 DE FEVEREIRO
Maria Anadon (Portugal) voz
Victor Zamora (Cuba) piano DOSE DUPLA | FEVEREIRO

12 DE FEVEREIRO
Barros Veloso (Portugal) piano
Art Themen (Reino Unido) saxofone-tenor

19 DE FEVEREIRO
Marta Olias (Portugal) saxofone
Artur Freitas (Moçambique) saxofone

quarta-feira, janeiro 07, 2009

FALAR DE LISBOA

Vou colocar um novo tema neste blogue, Falar de Lisboa, para discussão dos problemas da cidade onde habito. Quem enviar participação deve inserir o título Falar de Lisboa no email. A mensagem deve ser assinada com nº de Bilhete de Identidade e telefone de contacto. Os textos poderão ser publicados na web, em papel ou PDF, a menos que o autor dê indicação contrária no momento do envio. Enviar para josecarlos.abrantes@gmail.com

Ver a a Baixa do PORTO, no qual me inspirei. Este blogue usa uma estratégia participativa na discussão dos problemas da cidade.

terça-feira, janeiro 06, 2009

SÓ TEXTOS

Olá!

O Pétaouchnöck tem o prazer de vos informar de uma série de espéctaculos a iniciar no dia 23 de Janeiro de 2009 no Instituto Franco-Portugês de Lisboa. Para mais informações visitar Instituto Franco Português .

Entretanto espero que me venham visitar na minha nova morada (que também é namorada) na Rua do Norte, nº 24, junto ao Largo do Camões em Lisboa. Os horários de funcionamento são de segunda a sábados das 16h às 22h.

A todos os meus amigos desejo um bom ano novo.

myspace.com/michellisboa sapateado.org
96 444 44 88
http://petaouchnock.ning.com


Recebido de Michel

SÓ TEXTOS

Primeira Exposição do Grupo Surrealista de Lisboa
Exactamente | 60 Anos Depois

Mesa Redonda

Cumprindo o apreço pelas datas certas, José-Augusto França comemora os 60 anos da primeira exposição do Grupo Surrealista de Lisboa com uma Mesa Redonda em Tomar.
A 19 de Janeiro de 1949, um grupo de jovens artistas - Alexandre O'Neill, António Dacosta, António Pedro, Fernando de Azevedo, João Moniz Pereira, José-Augusto França e Marcelino Vespeira - inauguraram no último andar do n.º 25 da Travessa da Trindade a primeira e única exposição do Grupo Surrealista de Lisboa. Um pequeno escândalo na sociedade lisboeta de então.
A Mesa Redonda, que contará também com a presença de Rui Mário Gonçalves, Raquel Henriques da Silva e Cristina de Azevedo Tavares, marca o arranque de um programa que o Núcleo de Arte Contemporânea (NAC) dedicará em 2009 à comemoração deste acontecimento.
Constituído a partir da doação da colecção de José-Augusto França, o NAC foi inaugurado em 2004 e conta no seu acervo com um significativo número de obras produzidas por artistas do Grupo.

19 de Janeiro | 18h00
Club Thomarense
Rua de Serpa Pinto (antiga Corredoura) - Tomar
Entrada Livre

Excepcionalmente, o Núcleo de Arte Contemporânea estará aberto na Segunda-feira 19 das 12h00 às 18h00.
Rua de Gil de Avó, (junto aos Correios).
Organização:
Serviços de Museologia da Câmara Municipal de Tomar
t.: 249329814 | f.: 249329811 | e.: museologia@cm-tomar.pt


Recebido de Maria Augusta Oliveira

COM A DEVIDA VÉNIA AO DN E AUTOR

"Autores nacionais venderam um milhão na época de Natal

JOÃO CÉU E SILVA

Literatura. O livro foi uma das prendas preferidas pelos portugueses este Natal. Se os escritores estrangeiros tiveram o comportamento habitual, já os nacionais surpreenderam pelo número excepcional de vendas. É certo que dos pesos-pesados só Miguel Sousa Tavares esteve parcialmente fora do ringue

Mulheres deram taça a Rodrigues dos Santos

Dar e receber um livro no Natal é a troca de presentes preferida dos portugueses. Fazê-la com livros de autores nacionais é a grande moda. O resultado destas duas situações fez com que os autores nacionais tenham sido os recordistas de vendas de livros neste último trimestre, num total muito próximo de um milhão de exemplares.

Este número é ainda mais indicativo da mudança quando se somam apenas as vendas de meia dúzia de autores e de vários dos seus títulos e se chega imediatamente ao patamar do meio milhão. É o caso de José Rodrigues dos Santos, que para além do seu novo livro vendeu milhares dos outros; de José Saramago, que acrescentou 30 mil às vendas de o Ensaio sobre a Cegueira devido ao filme; dos três irmãos Lobo Antunes - António, João e Nuno -, que só por si venderam 120 mil; Daniel Sampaio, com largos milhares, e Isabel Stilwell, que reeditou o enorme êxito anterior.

É uma mudança de rumo do mercado editorial, que se acentuou em 2008 - acompanhando a tendência internacional - e que tem duas razões: o peso do leitor feminino e a aposta das editoras em dar romances historicamente comerciais e com um mínimo de credibilidade.

Com esta "receita literária", lucram as editoras e os livreiros, ganham os autores e aumenta o seu número, ficam os que lêem mais satisfeitos e o rácio de leitura em português melhora, sem se necessitar de alimentar o debate inócuo de que a literatura light destrói a boa escrita e não atrai novos leitores aos já fiéis ao livro.

Analisar o aumento de vendas do autor nacional envolve muitas outras variáveis, mas, no final, a conclusão é a mesma e nenhuma editora veio ainda a público lamentar-se dos efeitos da crise. Não será por acaso que, entre os empresários portugueses, Miguel Pais do Amaral seja um dos mais satisfeitos com os investimentos realizados no último ano, a aquisição de 16 das mais importantes editoras nacionais.


Também ainda não é possível confirmar o efeito das concentrações de editoras sob grandes grupos no crescimento deste sector, por isso a explicação mais imediata, e com a qual os editores ouvidos pelo DN concordam, é mesmo o gosto dos leitores por um segmento literário que promove um efeito de camaleão até junto de autores "clássicos".

Os dois livros que lideram as tabelas não poderiam ser mais diferentes um do outro. José Rodrigues dos Santos escreveu uma história romântica e as edições sucedem-se. José Saramago fez um longo conto irónico e liderou a tabela de vendas durante as últimas semanas com seis edições. Curiosamente, apesar de José Saramago ser o número um nas tabelas das Fnac e das Bertrand, foi Rodrigues dos Santos quem mais vendeu, porque se beneficia da aquisição noutros espaços comerciais.

A única certeza neste burburinho livreiro é que os 6000 exemplares de Ninguém Dá Prendas ao Pai Natal, de Ana Saldanha, se venderam mesmo devido à quadra."


Publicado no DN de hoje

segunda-feira, janeiro 05, 2009

ENVIADO POR FERNANDO NOBRE

Contra a Indiferença é o nome do blogue criado por Fernando Nobre, fundador da AMI.

O subtítulo do blogue é o seguinte: "As duas doenças mais graves do mundo são a Intolerância e a Indiferença". Um bom diagnóstico pois não são doenças físicas, antes do foro da interacção social.

O blogue surgiu com o primeiro post em 18 de Dezembro de 2007.

ENVIADO POR LAURO ANTÓNIO



22.JANEIRO.2009
20,00 horas

VAMOS FALAR DE MÚSICA com

ANTÓNIO VICTORINO D’ ALMEIDA

(NOME MAIOR DA MÚSICA PORTUGUESA CONTEMPORÂNEA,ESTARÁ NO CENTRO DE MAIS UM DEBATE, NUMA

ESTIMULANTE CONVERSA À RODA DA MESA)

Depois de RAÚL SOLNADO, FERNANDO DACOSTA, NUNO JÚDICE, TEOLINDA GERSÃO, IVA DELGADO, LÍDIA JORGE, MARIA DO CÉU GUERRA, EURICO GONÇALVES, PAULO PORTAS, LAURO ANTÓNIO, ROGÉRIO SAMORA, CARLOS DO CARMO, CELINA PEREIRA, OTELO SARAIVA DE CARVALHO, MARCELO REBELO DE SOUSA, IRENE PIMENTEL, PADRE FEYTOR PINTO, FERNANDO ROSAS, BÁRBARA GUIMARÃES, NICOLAU BREYNER, GONÇALO RIBEIRO TELLES, FRANCISCO MOITA FLORES, BAPTISTA BASTOS, ALICE VIEIRA, SÃO JOSÉ LAPA, INÊS LAPA LOPES CONTINUAM OS NOSSOS ENCONTROS, MANTENDO UMA TRADIÇÃO DE TERTÚLIA DO CAFÉ-RESTAURANTE VÁVÁ.

ENTRADA: 17,5 EUROS POR PESSOA. COM DIREITO A ENTRADAS, SOPA, UM PRATO DO DIA, PEIXE OU CARNE, SOBREMESA, BEBIDA (VINHO É O DA CASA!) E CAFÉ. EXTRAS POR CONTA DO FREGUÊS.

[LOTAÇÃO LIMITADA A 50 CADEIRAS. ACEITAM-SE INSCRIÇÕES NO BALCÃO DO VÁVÁ.]

PRÓXIMO CONVIDADO: JOSÉ MANUEL ANES (Fevereiro de 2009)

Para informações e marcações de lugares:

LAURO ANTÓNIO - Blogue Va.Va.diando (http://vava-diando.blogspot.com/][mail: laproducine@gmail.com]

sábado, janeiro 03, 2009

PARECE IMPOSSÍVEL ...MAS NÃO É

No The Washington Post on line
World's oldest woman dies in Portugal aged 115


"There are now only 82 women and nine men verified as being 110 or older, according to gerontologist Dr. Stephen Coles of the Gerontology Research Group at the University of California, Los Angeles.

But he said there could be hundreds more in places such as China, India or Africa where they would not have caught the attention of the Gerontology Research Group, a small volunteer organization that tracks supercentenarians and verifies their birth dates through birth certificates and other documents.

Coles said the supercentenarians appear to share one trait that might account for their longevity _ they come from families whose members are long-lived.

"Whether they drink alcohol or not, it doesn't matter. Whether they smoke cigarettes or not doesn't seem to matter," he said. "The thing that does seem to matter is that they chose their parents wisely.

"It's in the genes. It's in the DNA," he said."


alertado por um post do Paulo Querido, no Face Book

Provavelmente Manoel de Oliveira prepara-se para passar a barreira dos 115, seguindo este exemplo!

sexta-feira, janeiro 02, 2009

COM A DEVIDA VÉNIA

"Feliz Ano Darwin!
Carlos Fiolhais

Pode dizer-se que não existe nenhuma teoria científica que esteja em competição com o evolucionismo

Quando há poucos anos se perguntou a um conjunto de professores da Universidade de Coimbra quais foram os dez livros que mais mudaram o mundo, não foi sem surpresa que se apurou em primeiro lugar a Origem das Espécies do naturalista inglês Charles Darwin e só depois a Bíblia. Mas, ao querer organizar uma exposição sobre esse top ten, a surpresa foi ainda maior quando se verificou que não havia no rico acervo das bibliotecas da universidade nenhuma primeira edição da obra maior de Darwin, publicada em 1859, ao passo que havia várias centenas de edições, algumas bastante antigas e preciosas, do livro sagrado dos cristãos.

Este facto chegará para mostrar que, se hoje os cientistas são todos darwinistas, há 150 anos, quando foi divulgada a revolucionária teoria de Darwin, não havia entre nós quase ninguém interessado nas ideias do inglês. Graças à sua pródiga confirmação pela observação e pela experiência, a teoria da evolução alcançou desde então uma aceitação que, na sua origem, dificilmente se poderia prever. Hoje, pode dizer-se que não existe nenhuma teoria científica que esteja em competição com o evolucionismo (o criacionismo não é ciência!).

A demora com que as ideias de Darwin chegaram até nós é sintomática do nosso atraso científico no século XIX. Apesar de Darwin ter ficado em pouco tempo mundialmente famoso e de ter trocado milhares de cartas com naturalistas de todo o mundo, o único português a corresponder-se com ele foi um jovem de 26 anos, residente nos Açores, completamente isolado dos círculos científicos. Francisco de Arruda Furtado dirigiu-se, em 1881, ao velho sábio do seguinte modo: "Nasci e vivo nestas ilhas vulcânicas onde os factos de distribuição geográfica dos moluscos terrestres são uma interessante prova da teoria a que deu o seu nome mil vezes célebre e respeitado." Darwin, que tinha visitado os Açores durante a sua viagem à volta do mundo no Beagle, respondeu, quase na volta do correio, com palavras gentis e encorajadoras: "Admiro-o por trabalhar nas circunstâncias mais difíceis, nomeadamente pela falta de compreensão dos seus vizinhos."

É bem conhecida a polémica que as ideias darwinistas logo suscitaram, nomeadamente a forte oposição que teve por parte da Igreja de Inglaterra. A esse confronto não terá sido alheio o progressivo afastamento de Darwin da sua fé da juventude - ele que tinha estudado Teologia em Cambridge - para assumir, no fim da vida, quando respondia ao português, uma posição agnóstica. O mecanismo da selecção natural permitia defender a evolução das espécies como um design sem designer (algo que os criacionistas ainda hoje se recusam a aceitar). O mais perturbador para alguns crentes era a eventual "descendência humana do macaco", tendo ficado célebre a afirmação de um antidarwinista segundo a qual "não era verdade mas, se fosse verdade, o melhor era que não se soubesse".

A oposição com base na Bíblia ao evolucionismo conheceu também alguns episódios curiosos em Portugal. No mesmo ano em que escrevia a Darwin, Furtado publicou em Ponta Delgada um folheto intitulado O Homem e o Macaco, em resposta a um padre que tinha pregado nessa cidade: "E ainda há sábios que acreditam que o homem descende do macaco!... Nós somos todos filhos de Nosso Senhor Jesus Cristo!..." O açoriano esclareceu que "não há sábios que acreditam que o homem descende do macaco (...) mas que ambos deveriam ter sido produzidos pela transformação de um animal perdido e mais caracterizado como macaco do que como homem. Eis o que se disse e o que se diz e, se isto não se prova, o contrário também não".

Hoje, passados 150 anos sobre a Origem das Espécies e 200 anos sobre o nascimento de Darwin, a teoria que o tornou famoso está bem e recomenda-se, não só devido à ajuda da paleontologia mas também e principalmente devido à corroboração pela moderna genética. Conforme afirmou o geneticista Theodosius Dobzhansky, "nada na biologia faz sentido a não ser à luz da evolução". Feliz ano Darwin!

Professor universitário (tcarlos@teor.fis.uc.pt)


No Público, hoje.

É um prazer ler Carlos Fiolhais. Hoje chama a atenção para Darwin que nos legou elementos charneira e únicos para a compreensão das espécies. Os factos referentes ao açoriano ouvi-os da boca de outro açoriano, Onésimo Teotónio Almeida, numa conferência na Casa dos Açores.