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terça-feira, setembro 09, 2008

A NOVA CLASSE LOW COST

"Segundo Gaggi e Narduzzi, o mundo divide-se hoje entre uma ínfima minoria de «aristocratas» do capital, uma classe de tecnocratas bem remunerados, uma classe proletarizada em expansão e a nova classe low cost. Porquê a designação low cost? Porque empresas com a IKEA, a Ryanair, a Virgin ou a Zara representam um novo paradigma económico que naturalmente criou um novo paradigma social. São marcas «facilmente reprodutíveis e reconhecíveis em todo o mundo» que apostaram na tecnologia e na eliminação dos custos intermédios e que prometem uma democratização das comodidades burguesas. Se antes consumíamos aquilo que nos davam, agora queremos ter uma palavra a dizer naquilo que compramos: «Favorecidos pela transparência garantida pelos novos processos técnicos, pelo reduzido custo da aquisição e troca das informações e pela dimensão global da procura, os consumidores low cost estão numa posição de força que nem aqueles que fizeram parte da brasonada classe média alguma vez sonharam ocupar. Têm maior facilidade e familiaridade em organizar-se e obter resultados e podem orientar a oferta para satisfazer as suas exigências». Aparentemente, toda a gente ganha com isso. Uma empresa como a IKEA triplicou as vendas num decénio. E a massa dos consumidores vive experiências gratificantes e «interclassistas» como nunca tinha experimentado antes. A classe low cost, dizem Gaggi e Narduzzi, é «um estrato que, nos seus contornos e na sua psicologia, nos recorda as massas romanas da época imperial: não pede «panem et circensis», porque sabe que tem de pagar os serviços que consome, mas deseja jogos cada vez mais demorados e pão cada vez mais abundante e a preços descendentes».
É um diagnóstico fascinante, mas que peca por excesso de optimismo e de pessimismo."


Pedro Mexia escreve, no Público, um interessante artigo sobre a nova classe low cost, um dado sociológico dos tempos deste início do segundo milénio. "Somos todos classe média, é pelo menos aquilo que repetimos uns aos outros, e nesse caso talvez seja algo inquietante que nos comuniquem que essa mítica «classe única» se acabou. A tese vem em La fine del ceto medio, que saiu na Einaudi em 2006 e teve edição portuguesa pela Teorema (Low Cost – O Fim da Classe Média). Massimo Gaggi, jornalista do Corriere della Sera, e Edoardo Narduzzi., empresário, explicam um facto simples: a classe média corresponde a um modelo de produção e de consumo que já se extinguiu, um modelo industrial nacional em que a procura correspondia à oferta." Quantos de nós, não sentirão alguma identificação com esta análise?