PORTUGAL SERÁ� MELHOR

  • - se a casa de Aristides de Sousa Mendes fôr reconstruída para um projecto ligado com a sua vida
  • - se houver mais locais para pôr as mãos na massa
  • - se cada um de nós Ler +
  • - se cada um de nós respeitar os passeios como lugar de trânsito dos peões, sobretudo dos que têm menos mobilidade
  • - se for mandado para as urtigas o princí­pio, muito vulgarizado: Tudo pelos amigos, nada pelos inimigos. Aos outros aplica-se a lei. É mais simples e justo se a todos se aplicar a lei.

POR UM JORNALISMO MELHOR

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quinta-feira, setembro 18, 2008

VALE A PENA LER

A Lei do Divórcio
Vasco Pulido Valente

Não se pode obrigar quem não quer continuar casado a continuar casado: este é o grande princípio da nova Lei do Divórcio. Em substância, o Estado prescinde de exercer qualquer poder coactivo sobre o indivíduo para conservar, ou proteger, a instituição. Isto provocou por aí uma polémica, que a imprensa e os peritos descreveram como uma polémica de "valores".Não se pode obrigar quem não quer continuar casado a continuar casado: este é o grande princípio da nova Lei do Divórcio. Em substância, o Estado prescinde de exercer qualquer poder coactivo sobre o indivíduo para conservar, ou proteger, a instituição. Isto provocou por aí uma polémica, que a imprensa e os peritos descreveram como uma polémica de "valores". Possivelmente. Não seria lógico que nenhum católico, como tal, aprovasse a "facilitação" do divórcio; ou que um "liberal", "agnóstico" ou ateu, a resolvesse condenar. Mas, se repararem bem, a Igreja não protestou com muita veemência. O cardeal Policarpo sabe (e o país também) que o mundo ficará na mesma, com a lei ou sem ela. A vida das pessoas não vai mudar ou, pelo menos, não vai mudar por isso.O divórcio era antigamente um privilégio de ricos (tirando, por razões várias, no regime clerical de Salazar). Os pobres não tinham dinheiro para comer, quanto mais para se divorciar. A baixa classe média (pequenos proprietários, pequenos comerciantes, pequenos funcionários, à volta de Lisboa e do Porto, um ou outro pequeno industrial) vivia num equilíbrio precário que não aguentava o menor solavanco e muito menos um solavanco economicamente quase catastrófico como o divórcio. A classe média só se divorciava (e muito pouco) à custa de grandes sacrifícios. Claro que esse arranjo era feito à custa das mulheres, que o Código Civil reduzia a uma condição de absoluta subordinação e que não tinham espécie de existência pública.A extraordinária riqueza do Portugal de hoje (para quem se lembra, por exemplo, do Portugal de 1940 ou dos princípios de 50), a "emancipação" da mulher e os contraceptivos mudaram a "moral" ou, se quiserem, mudaram as regras. Devagar, reforma a reforma, a lei (com certeza imperfeita) começou a reconhecer a realidade. Não há espécie de razão para o PS e o Presidente da República se envolverem, por causa desta, num conflito. Excepto uma razão simbólica: como a "cooperação estratégica" aproximou excessivamente o Presidente do primeiro-ministro, a questão do divórcio permite ao Presidente exibir o seu "conservadorismo" e ao primeiro--ministro o seu "liberalismo". Cavaco precisa de acalmar a direita, que o elegeu: Sócrates precisa de atrair a esquerda, para ser eleito. Mas convém não exagerar: os portugueses não andam a pensar no divórcio.

A LER, hoje

A coragem do juiz de Portimão
Gustavo Gramaxo Rozeira

(..) É que Portugal não é assim tão diferente de Guantánamo: no nosso país é possível a um arguido estar preso um ano e seis meses sem sequer ter sido formalmente acusado da prática de qualquer crime e até três anos sem nunca ter sido submetido a julgamento.
A situação é tão grave que, frequentemente, acontece que o julgamento, em vez de servir como o momento culminante em que a sociedade, por intermédio do tribunal, exprime um severo juízo de censura sobre uma conduta criminosa, é pelo contrário o momento em que o arguido é colocado em liberdade, porque a pena em que acaba por vir a ser condenado já foi cumprida pelo período de tempo em que esteve sujeito a prisão preventiva.
(...)

no Público

LIDO, hoje

Constança Cunha e Sá,

(...) Esta semana, também, foi publicada uma sondagem, no Correio da Manhã, que para além de assegurar a vitória do PS e a descida do CDS e do PSD, confirma, mais uma vez, o peso eleitoral do PCP e do Bloco de Esquerda, que, juntos, conseguem obter cerca de 20 por cento das intenções de voto. O Partido Comunista, em particular, surge em terceiro lugar, com um resultado superior a dez por cento, como, aliás, já tinha acontecido numa sondagem anterior. É verdade que, com o tempo, a popularidade de Jerónimo de Sousa deixou de ser uma "novidade", transformando-se num facto normal e previsível que já não suscita a admiração de ninguém. No entanto, a persistência do fenómeno não só não lhe retira singularidade como lhe acrescenta relevância política. O voto de protesto, embora explique parte do sucesso, não justifica, por si só, a capacidade de mobilização que tem, neste momento, o partido.
Ao contrário do Bloco de Esquerda, que sempre beneficiou do interesse dos jornalistas, o PCP, visto como uma aberração ideológica, foi durante muito tempo um partido ignorado, incapaz de contribuir para um debate sério sobre o desenvolvimento do país. Envelhecido, desprovido de quadros e sem intelectuais ao dispor, o PCP parecia ter os dias contados: para todos os efeitos, era uma espécie de relíquia histórica que mais tarde ou mais cedo acabaria por desaparecer, levado pela inflexibilidade de uma ortodoxia que se recusava a evoluir. Quando Carlos Carvalhas, o espelho do impasse em que se encontrava o PCP, abandonou a liderança, foi substituído, como se disse, pela velha guarda do partido. Imune às subtilezas da teoria, Jerónimo de Sousa confirmou as piores expectativas dos "renovadores". Com ele, os comunistas deixaram-se de evasivas ideológicas e, recuando no tempo, recuperaram acriticamente as suas teses do passado. Mas - e isso passou desapercebido - sem se preocuparem excessivamente com elas: o novo líder do PCP podia ser estalinista, sonhar com a antiga União Soviética ou defender regimes totalitários, mas nunca perdeu tempo a discutir o estalinismo, o modelo soviético ou o regime de Fidel. Ignorando ostensivamente as grandes questões doutrinais que envolveram a queda do Muro e o futuro do socialismo, Jerónimo de Sousa reduziu o debate ideológico aos problemas concretos dos portugueses. Daí à famosa "afectividade" que supostamente o distingue foi um passo que se acelerou com a eleição do eng.º Sócrates e com o "socialismo de mercado" que actualmente nos governa.
Pode-se dizer que a necessidade de controlar o défice, o arranque de algumas reformas e o progressivo esvaziamento dos direitos adquiridos é um terreno fértil ao florescimento do PCP e à demagogia de grande parte das suas propostas.
(...)

no Público, hoje

quarta-feira, setembro 17, 2008

DANÇA, MÚSICA, LEITURAS....

Leituras encenadas, concertos e humor marcam início de minitemporada do Teatro São Luiz

17.09.2008

Leituras encenadas, concertos e espectáculos de humor são algumas das actividades que compõem a mini-temporada que o Teatro São Luiz, em Lisboa, apresentará entre este mês e Janeiro, enquanto a sala principal estiver fechada para obras.
A programação, centrada no Jardim de Inverno do São Luiz, começa a 25 de Setembro, com Molière Molière! Modo de Usar, um projecto do Grupo Cassefaz em que se reflecte sobre os autores clássicos e o que eles actualmente representam.
Em oito sessões, que decorrem até 5 de Outubro, o público é convidado a acompanhar ensaios e leituras encenadas e a participar num processo de partilha de pensamentos e conhecimentos sobre os clássicos - e Molière, em particular - juntamente com um grupo de artistas, professores e investigadores, entre os quais Ricardo Araújo Pereira, Vasco Graça Moura e Maria João Brilhante.
Entre 23 de Outubro e 22 de Novembro haverá concertos de cinco artistas, que actuarão duas noites cada, numa rubrica intitulada A Solo no Jardim de Inverno. O primeiro a actuar é Mário Laginha (23 e 24 Outubro), seguindo-se Bernardo Sassetti (31 de Outubro e 1 de Novembro), J.P. Simões (7 e 8 de Novembro), Nancy Vieira (14 e 15 de Novembro) e Jorge Palma (21 e 22 de Novembro).
No âmbito do Ciclo Novos x9, o humor apresenta-se no São Luiz, com Novos Humoristas - Cómicos de Garagem (8 a 11 de Outubro) e também Portugalex - O Balanço do Ano (3 a 20 de Dezembro), as versões para palco de dois programas das Antenas 1 e 3.
Em Janeiro, também integrados no Ciclo Novos x9, serão apresentados trabalhos criativos de Novos Actores, iniciativa que pretende dar visibilidade aos alunos de várias escolas profissionais e superiores de Teatro e aos actores ainda desconhecidos.
A Mostra Internacional de Vídeo-
-Dança Dança Sem Sombra, uma produção da Associação Vo'arte com programação a cargo de Pedro Sena Nunes, volta este ano ao São Luiz, a 24 e 25 de Novembro, para explorar a relação entre vídeo e dança.
A terminar esta minitemporada, de 28 a 31 de Janeiro, a cantora de jazz Jacinta dará quatro concertos, intitulados Songs of Freedom, em que interpretará temas das décadas de 1960, 1970 e 1980, celebrizados por músicos como Ray Charles, Sting, Stevie Wonder, James Brown, Aretha Franklin, Nina Simone, Bob Marley, Prince, Michael Jackson, The Beatles e U2.
Para Fevereiro está prevista a conclusão das obras e a reabertura da sala principal do São Luiz. Lusa


no Público

sexta-feira, setembro 12, 2008

UMA BOA IDEIA

"Manuela Silva defende uma provedoria dos pobres
12.09.2008, António Marujo
A presidente da Comissão Nacional Justiça e Paz (CNJP), Manuela Silva, defendeu ontem em Fátima, no Congresso da Pastoral Social, a criação de uma "provedoria de direitos dos pobres", que deveria ser "a voz dos pobres junto dos poderes públicos".
Na sua intervenção, Manuela Silva defendeu também a criação de "mecanismos estatais e autárquicos de prevenção e erradicação da pobreza". A presidente da CNJP, instituição da Igreja Católica para as questões sociais, referiu a petição dinamizada pela comissão a pedir a declaração, pelo Parlamento, da pobreza como violação de direitos humanos. Em Julho, a Assembleia da República votou favoravelmente essa declaração.
Na mesma sessão, o presidente da Cáritas Portuguesa, Eugénio Fonseca, afirmou que a a pobreza não deve ser considerada "uma fatalidade" e que para a sua erradicação "basta haver vontade política e ética".
Eugénio Fonseca afirmou que a Igreja Católica deve ser a primeira a fazer uma opção preferencial pelos mais pobres. "


no Público, de hoje

A LER, hoje

O fim da nossa história?
Vasco Pulido Valente

"Portugal está sem destino. Deixou de ser um país colonial. Já não é um "bom aluno da "Europa".Portugal está sem destino. Deixou de ser um país colonial. Já não é um "bom aluno da "Europa". Pior ainda, apesar de muito esforço e muita propaganda, não se conseguiu "modernizar". O "atraso" continua e até aumentou. Não se vive hoje como se vivia durante Salazar, mas também não se vive numa mediocridade tranquila. Pelo contrário, o mundo muda e a insegurança cresce. O mundo muda e Portugal não se adapta: o desemprego cresce; as pensões diminuem, a educação é um artifício, o serviço de saúde vai pouco a pouco empobrecendo e a fisco oprime toda gente. No meio disto, o país não quer, nem está à espera de nenhuma reviravolta dramática. A "Europa", por que antigamente suspirava, obriga à imobilidade. É uma espécie de paragem definitiva, para além da qual nada existe - é pelo menos, por enquanto, um verdadeiro "fim da história".De resto, trinta e tal anos de regime criaram um cinismo político geral. À volta do PS e do PSD há meia dúzia de fanáticos, que ninguém leva a sério, e uma corte de carreiristas, que ninguém respeita. Tendo governado o país simultânea ou alternadamente, nem o PS nem o PSD inspiram hoje qualquer confiança. Colonizaram o Estado e a administração local por interesse próprio e cometeram (ou permitiram que se cometessem) erros sem desculpa. Desorganizaram a sociedade, ou mesmo impedirem que ela se fosse por sua vontade organizando, e levaram Portugal a uma espécie de paralisia de que não se vê saída. Apesar de um ou outro protesto melancólico e corporativo, o público já não se interessa pelo seu futuro, ou pelo seu presente, colectivo.Nem Sócrates, nem Ferreira Leite percebem, no fundo, o que se passa. Sócrates persiste em repetir a sua velha ladainha, inteiramente desacreditada, com o entusiasmo de 2006. Ferreira Leite (a "tia Manuela", como agora popularmente lhe chamam) critica a evidência e recomenda os remédios do costume. Cada um à sua maneira, os dois falam uma nova "língua de pau", que os portugueses não ouvem ou que não registam. Talvez por isso, não falam muito e quando falam, excepto pelas querelas de partido e pelo vaguíssimo contraste entre o maior "liberalismo" de Ferreira Leite e o improvisado "neo-keynesianismo" de Sócrates, concordam no essencial. O PS e o PSD são o regime e não podem ou tencionam tocar no regime. A reforma de Portugal, se por absurdo vier, não virá dali. ""

No Público, hoje

quinta-feira, setembro 11, 2008

MÚSICA E POUCAS PALAVRAS

É um prazer ouvir o Íntima Fracção, concebido por Francisco Amaral.

quarta-feira, setembro 10, 2008

CITAÇÃO DO DIA

Quote of the Day
There is a basic dilemma that most Americans refuse to acknowledge. What we all want for ourselves and our families may be ruinous for us as a society.


Quem disse isto? Ver o artigo escrito hoje no Washington Post ou no Só Textos

A LER, hoje

No Público

Interesses e valores
Rui Tavares

Na semana passada, em Berlim, realizou-se um debate sobre a Europa com a presença de Mário Soares, o ex-director-geral da UNESCO Federico Mayor Zaragoza e o ex-chanceler austríaco Wolfgang Schüssel, entre outros. Mas não pode haver um debate sobre a Europa que não seja também sobre os EUA, e assim foi.
Há qualquer coisa bizarra no senso comum sobre a União Europeia e os EUA.Na semana passada, em Berlim, realizou-se um debate sobre a Europa com a presença de Mário Soares, o ex-director-geral da UNESCO Federico Mayor Zaragoza e o ex-chanceler austríaco Wolfgang Schüssel, entre outros. Mas não pode haver um debate sobre a Europa que não seja também sobre os EUA, e assim foi.
Há qualquer coisa bizarra no senso comum sobre a União Europeia e os EUA. Por um lado, é comum enfatizar a União Europeia ter um interesse comum. Por outro lado, é costume dizer que a UE e os EUA têm os mesmos interesses. Isto é paradoxal: se a UE não é homogénea o bastante para ter interesses comuns, como pode a aliança ainda mais heterogénea com os EUA ter interesses comuns tão evidentes?
Mesmo à pequena escala, num país como Portugal, os nossos interesses são feitos de conflitos.(...)


Financiamento do ensino superior: contradições e desafios
Gonçalo Xufre
O poder político fez com que a única preocupação dos gestores das instituições do ensino superior seja cortar despesas. Pelo menos desde o ano de 2001 que o poder político encara as universidades e os institutos politécnicos como quase-empresas e o domínio em que actuam como quase-mercados.(...)

ONTEM, valeu a pena ler....

"Da relevância política da portaria da bolacha Maria!
Helena Matos

Convém lembrar que não existe nada gratuito. A escolaridade em si mesma custa muitíssimo dinheiro aos portuguesesSe alguma vez tivéssemos de escolher um símbolo para a incontinência legislativa com que os sucessivos governos têm procurado melhorar a vida daqueles que definem como mais desfavorecidos creio que nada suplantaria a portaria da Bolacha Maria.Dada à luz a 30 de Setembro de 1974, a dita portaria procurava aplicar os conceitos da luta de classe ao reino das bolachas e biscoitos, que é como quem diz criar um regime de preços máximos de venda para a bolacha Maria dado que esta, explicava o legislador, ao contrário de outros tipos de biscoitos, era consumida "em especial pelas classes de menores rendimentos"."(...)


No Público

A sombra do silêncio
Miguel Gaspar

Oque é que estamos a dizer quando estamos calados? A pergunta pode parecer paradoxal, mas não é. Enquanto seres humanos, estamos sempre a comunicar. Se não dizemos nada, falamos através dos gestos ou da roupa.Oque é que estamos a dizer quando estamos calados? A pergunta pode parecer paradoxal, mas não é. Enquanto seres humanos, estamos sempre a comunicar. Se não dizemos nada, falamos através dos gestos ou da roupa. E mesmo se desaparecermos do campo visual dos outros seres humanos, estamos a dizer aos outros que desaparecemos. E os outros perguntam: mas afinal de contas, por que é que ele desapareceu?Falar muito ou não dizer nada podem não ser coisas tão diferentes quanto isso. O anterior líder do PSD, Luís Filipe Menezes, era muito falador (e outros antes dele, como Santana Lopes, também). A páginas tantas, apetecia dizer-lhe o mesmo que o rei de Espanha disse a Hugo Chávez: por que não te calas? O longo (mais de um mês) silêncio da actual líder da oposição levou-nos a perguntar: mas por que é que não fala?Nunca estamos sós quando falamos (ou quando ficamos calados). À volta do que dizemos, os outros constroem uma trama. Por que é que ele disse isto? E por que o disse agora? E por que não disse outra coisa? E por que foi ele a dizê-lo? Essa trama é a soma das inferências que os outros fazem a nosso respeito. Por isso, a vida está cheia de equívocos. É por causa de tramas dessas que passamos a vida a tramar-nos. Assim terá acontecido, dizem alguns (mas por que será que o dizem?), com Manuela Ferreira Leite. Antes de falar, já estava tramada por ter ficado tanto tempo calada.
(..)

No Público

AS ELEIÇÕES EM ANGOLA

Vital Moreira escrevia, ontem no Público, um artigo intitulado A vitória de Angola. Para aquele jurista nada ofuscou o brilho da vitória do partido no poder:
"Se bem que as deficiências logísticas do processo eleitoral em Luanda tenham manchado a exemplaridade que o Governo pretendia conferir a estas eleições, elas em nada afectaram a liberdade e a lisura do acto eleitoral nem a genuinidade dos resultados, até porque logo rectificadas pelo prolongamento da jornada eleitoral para o dia seguinte. Todo o processo eleitoral, desde o recenseamento eleitoral há alguns meses, passando pela campanha eleitoral, até à votação e apuramento dos resultados, foi objecto de permanente escrutínio público dos partidos da oposição, de ONG nacionais e internacionais e, na sua fase terminal, de missões oficiais da União Africana, da CPLP e da União Europeia. Poucas eleições africanas em ambiente democrático terão sido disputadas com tanta liberdade, pluralismo e transparência como estas eleições angolanas, o que é, desde logo, um triunfo para Angola."

Já o texto da jornalista Ana Dias Cordeiro, também no Público, é muito mais cauteloso e marca muitos pontos de reflexão e de dúvida sobre as violações e debilidades de todo o processo eleitoral, fazendo eco a inúmeras críticas vindas de observadores da União Europeia.

"Missão de observação da UE opta por não declarar legislativas "livres e justas"

09.09.2008, Ana Dias Cordeiro

Era a mais esperada das posições dos observadores que acompanharam o processo.
A missão foi crítica mas não corrobora muitas das denúncias da oposição em Angola

Em vez de declarar as eleições "justas e livres" como fizeram outras equipas de observação, a missão de observadores da União Europeia (UE) declarou ontem que as legislativas em Angola foram realizadas num "clima de serenidade" e que o dia da votação ficou marcado por "debilidades" na organização e "inconsistências" de procedimentos.
Além disso, numa crítica evidente, considerou que todo o processo tinha sido dominado por "desigualdades nas condições" em que concorreram os partidos políticos. Mas não sustentou algumas das denúncias de formações da oposição e apelou a todos os intervenientes a "manter uma postura serena e democrática"."


Também Mário Soares descreve as eleições angolanas de modo muito crítico. "2.As eleições em Angola, infelizmente, não correram bem. Como temia. Não havia, ao que parece, cadernos eleitorais em muitas secções e a própria organização do acto eleitoral, pelo menos em Luanda, foi um desastre: atrasou na abertura das secções de voto, que não abriram a tempo, muitos eleitores não puderam votar, e a Comissão Eleitoral teve de prolongar por mais um dia, à pressa, as votações

Pelo menos três partidos da oposição protestaram. E a UNITA e a FNLA pediram a impugnação e a repetição do voto em Luanda. Observadores europeus, presididos pela deputada europeia italiana Luisa Morgantini, quando escrevo, ainda não tornaram público o seu relatório, mas já disseram à Reuters que "houve ilegalidades". Curiosamente, muitos angolanos, uma vez que não havia cadernos eleitorais, "votaram onde calhou", disse um angolano. Mas, como pessoas de boa vontade, esperaram horas para votar, pacificamente e interessadas. O que foi um sinal positivo, ao cabo de 16 anos sem eleições. Contudo, as eleições, que deram obviamente uma vitória esmagadora ao MPLA, são contestáveis, segundo os critérios internacionais.

O escritor angolano, que tanto aprecio, José Eduardo Agualusa sublinhou, com bom senso, que "a paz venceu". É verdade e é importante. Não houve incidentes de violência e os angolanos, apesar de silenciosos, antes, durante e depois do acto eleitoral prolongado, mostraram que queriam mesmo votar. É um bom sintoma. Mas, nem por isso, apesar da propaganda governamental, as eleições deixaram de representar uma frustração colectiva e uma ocasião perdida, num momento internacional em que Angola - finalmente em paz - era tempo de se afirmar como uma grande potência africana, tanto no plano político e económico como moral."

terça-feira, setembro 09, 2008

A NOVA CLASSE LOW COST

"Segundo Gaggi e Narduzzi, o mundo divide-se hoje entre uma ínfima minoria de «aristocratas» do capital, uma classe de tecnocratas bem remunerados, uma classe proletarizada em expansão e a nova classe low cost. Porquê a designação low cost? Porque empresas com a IKEA, a Ryanair, a Virgin ou a Zara representam um novo paradigma económico que naturalmente criou um novo paradigma social. São marcas «facilmente reprodutíveis e reconhecíveis em todo o mundo» que apostaram na tecnologia e na eliminação dos custos intermédios e que prometem uma democratização das comodidades burguesas. Se antes consumíamos aquilo que nos davam, agora queremos ter uma palavra a dizer naquilo que compramos: «Favorecidos pela transparência garantida pelos novos processos técnicos, pelo reduzido custo da aquisição e troca das informações e pela dimensão global da procura, os consumidores low cost estão numa posição de força que nem aqueles que fizeram parte da brasonada classe média alguma vez sonharam ocupar. Têm maior facilidade e familiaridade em organizar-se e obter resultados e podem orientar a oferta para satisfazer as suas exigências». Aparentemente, toda a gente ganha com isso. Uma empresa como a IKEA triplicou as vendas num decénio. E a massa dos consumidores vive experiências gratificantes e «interclassistas» como nunca tinha experimentado antes. A classe low cost, dizem Gaggi e Narduzzi, é «um estrato que, nos seus contornos e na sua psicologia, nos recorda as massas romanas da época imperial: não pede «panem et circensis», porque sabe que tem de pagar os serviços que consome, mas deseja jogos cada vez mais demorados e pão cada vez mais abundante e a preços descendentes».
É um diagnóstico fascinante, mas que peca por excesso de optimismo e de pessimismo."


Pedro Mexia escreve, no Público, um interessante artigo sobre a nova classe low cost, um dado sociológico dos tempos deste início do segundo milénio. "Somos todos classe média, é pelo menos aquilo que repetimos uns aos outros, e nesse caso talvez seja algo inquietante que nos comuniquem que essa mítica «classe única» se acabou. A tese vem em La fine del ceto medio, que saiu na Einaudi em 2006 e teve edição portuguesa pela Teorema (Low Cost – O Fim da Classe Média). Massimo Gaggi, jornalista do Corriere della Sera, e Edoardo Narduzzi., empresário, explicam um facto simples: a classe média corresponde a um modelo de produção e de consumo que já se extinguiu, um modelo industrial nacional em que a procura correspondia à oferta." Quantos de nós, não sentirão alguma identificação com esta análise?

sábado, setembro 06, 2008

OS LIVROS RESISTEM num mundo de imagens

"Livraria Buchholz abre novas lojas e a primeira é no Chiado

06.09.2008, Ana Assunção

Saldos e livros antigos vão ser as novidades a apresentar aos clientes. Sá da Costa, também no Chiado, vai regressar à traça dos anos 40

Longe de fechar as portas, como há vários anos se diz estar prestes a acontecer devido a dificuldades financeiras, a livraria Buchholz da Rua Duque de Palmela, em Lisboa, vai tornar-se menos elitista e abrir novas lojas.
A segunda Buchholz será inaugurada já no mês que vem no Largo Rafael Bordalo Pinheiro, na mesma altura em que ficarão prontas as obras a decorrer na livraria Sá da Costa, também no Chiado. Está prevista uma terceira livraria em Lisboa e outras no resto do país. Como centro universitário, Aveiro é uma hipótese que está a ser ponderada.
Juntamente com a editora Portugália, a Sá da Costa e a Buchholz ganharam novo fôlego com a sua transformação num novo grupo editorial e livreiro integrado na Fundação Agostinho Fernandes. Céu Guarda, a porta-voz do grupo, explica que tanto a loja da Duque de Palmela como a do Chiado vão ter, além dos livros estrangeiros especializados, saldos permanentes e livros antigos. A ideia é abrir a Buchholz a todos os públicos, tornando-a "um espaço mais apelativo" e "democratizando a venda dos livros". No Largo Rafael Bordalo Pinheiro está mesmo a ser criado um espaço infantil num pátio, "aproveitando a linha pombalina", onde os pais podem deixar os filhos. Já as obras em curso na Sá da Costa, na Rua Garrett, visam restituir ao estabelecimento a sua traça original dos anos 40.
A Buchholz da Duque de Palmela foi, nos anos 60, um espaço de tertúlia cultural e artística de Lisboa. A Portugália Editora surgiu na II Guerra pela mão de Agostinho Fernandes e ao longo dos anos teve como directores editoriais João Gaspar Simões e Jorge de Sena. Actualmente, o director editorial é Dinis Nazareth Fernandes, neto de Agostinho Fernandes.
Vão agora, nas palavras de Céu Guarda, "renascer das cinzas". Entre os autores que a Portugália Editora publicou contam-se José Gomes Ferreira, Irene Lisboa, Virgílio Ferreira, Manuel da Fonseca, Herberto Hélder, Sophia de Mello Breyner Andresen e Trindade Coelho.
Também no Chiado, na Rua da Misericórdia, a livraria da editora Guimarães, que publica Agustina Bessa-Luís, foi recentemente recuperada pelo seu novo proprietário, o ex-administrador do BCP Paulo Teixeira Pinto. com A.H."


No Público, hoje

Para quem procura os livros, eis mais uma mais valia para os passeios na Baixa.

sexta-feira, setembro 05, 2008

Histórias do Jazz - Miles Davis -1958 (2/9)

quarta-feira, setembro 03, 2008

COMUNIDADE DE LEITORES

No SÓ TEXTOS encontra o programa da Comunidade de Leitores da Almedina, que hoje se inicia. No mês de Setembro, haverá em foco dois livros: O Apocalipse dos Trabalhadores, de Valter Hugo Mãe e O Triunfo dos Porcos, de George Orwell, este leitura recomendada. A organizadora é Filipa Melo e hoje, às 19h, realiza-se a primeira sessão depois de férias. O autor estará na sessão de dia 24. Às 19h.