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sábado, julho 07, 2007

TEATRO+ALMADA

Começou o vai e vem entre Lisboa e Almada. A abertura foi no palco grande da Escola António Costa, um lugar que marcou e marcará o festival.

"A estupidez sonda os limites do conceito de argumento: a cadeia causal das cenas é tão complexa que estas se tornam inexplicáveis. Nas estradas poeirentas de Las Vegas, deparamo-nos com um cientista que descobriu a fórmula do Apocalipse e se recusa a revelá-la; dois peritos em Arte que assassinam uma deficiente com um candeeiro; um casal de polícias que vive um dilema amoroso, que passa pela compra de uns ténis Nike e o roubo de meio milhão de dólares; um empresário japonês que persegue um quadro que pertencia à sua família; etc. Sobre Rafael Spregelburd, o diário La Prensa salientou que “escreve obras que são ‘monumentos’, ou que poderiam definir-se como ‘objectos de colecção’”."

O primeiro espectáculo foi A Estupidez (a que se refere o excerto do programa), com texto de Rafael Spregelburd e representada por uma companhia argentina, El Patron Vasquez, de Buenos Aires. Não era preciso estar encartado como crítico teatral para perceber o vanguardismo das escolhas. Depois de duas horas de espectáculo fez-se um intervalo. E a sala de ar livre, de cheia, passou a quase vazia pela saída em massa. O espectáculo, acabou, ao que soube, perto das 2 horas da manhã. Não há vanguardismo que resista a mais de três horas de espectáculo, sobretudo se este se inicia perto das 10h da noite. Começar às 8 para acabar à meia noite seria mais adequado, penso. Não há teatro que resista a decisões desadequadas para os seus públicos.

Os outros espectáculos que pude ver deixaram o gosto de ver teatro. Living Costa Brava, do Cascai Teatre, de Girona é uma peça bem disposta, com um humor que fez aderir a sala. O trabalho inútil de alguns, taras e obsessões de outros, os que vieram dar uma dimensão alargada à Europa são alguns dos temas tratados num espírito por vezes à moda de Chaplin. Sizwe Banzi est mort mostra o rigor, criatividade e saber fazer de Peter Brook. Se quisesse mostrar a alguém em que consiste o trabalho de encenador, mostraria esta peça e cotejaria-a com o texto que lhe deu origem. Ontem foi a vez de Nada, ou o silêncio de Becket pelo Teatro de Marionetas do Porto. O talento deste grupo tornou-o espectáculo de honra deste ano. As referências na encenação são claras a Magritte e ao surrealismo. Lembrei também Topor.