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terça-feira, junho 05, 2007

O JORNALISMO E NÓS - PROVEDORIAS Hoje, no DN

VALE TUDO?

José Carlos Abrantes
provedor@dn.pt

O leitor Carlos Fonseca interrogou o provedor a propósito de uma notícia que, em parte, transcreve um acórdão do Supremo Tribunal de Justiça. "A 'pérola' que acima reproduzo pode ser lida na pág. 12 do DN, de 30 de Maio, (....) em peça com o título: 'Abusar de jovem de 13 anos é de 'ilicitude mediana'.' A questão que me ponho, e que lhe ponho, é se era necessário citar o que julgo ser parte do acórdão do STJ para informar os leitores sobre a substância do mesmo. As frases mencionadas serão indispensáveis à elaboração da peça jurídica, tendo em atenção o que estava em causa no Supremo. Transcritas para uma folha de jornal, acessível a toda a gente, não passam de pornografia. E, que eu saiba, por muito que o jornalismo dito de referência vá resvalando (sabe-se lá até onde, numa época em que os valores comerciais parecem sobrepor-se aos jornalísticos), o DN ainda é um jornal respeitável. E, como diria o saudoso Diácono Remédios, não havia necessidade. O facto está aí, e fica à sua consideração."

O leitor tem razão. Um jornal não pode ser o repositório da licenciosidade verbal, mesmo se esta tiver origem na verdade jurídica que caracteriza uma sentença. Ao DN acede o grande público. Isto exige que o jornal seja escrito com ponderação.

Neste caso, não recebi resposta da jornalista - uma profissional que sempre respondeu noutras ocasiões em que a tenho interrogado. Também não recebi respostas dos editores e dos directores que têm responsabilidades na resposta ao provedor e na elaboração e fecho das notícias.

Uma leitora protesta por uma questão afim. "Sou leitora do vosso diário e analiso vários temas, crónicas, publicidade a conferências e espectáculos... enfim procuro actualização. Também utilizo a secção 'Anúncios Classificados', tanto como leitora como enquanto utilizadora. Quando solicito uma publicação verifico, no dia, a sua correcta inserção; abro apenas a página correspondente. Ontem, 14 de Maio de 2007, por acaso iniciei este suplemento pela última página e anteriores. Fiquei atónita!

A penúltima página apresentava fotografias coloridas de corpos femininos em posições de carácter sexual de dimensões iguais às, por exemplo, dos automóveis para venda. Embora havendo liberdade de imprensa, considera adequada a sua inserção no jornal ? Não seria mais lógico o tema 'relax-massagens' ser encaminhado para revista ou jornal da especialidade? Como poderemos deixar as crianças ler calmamente o Diário de Notícias?"

É um caso diferente. Estou de acordo com a leitora. O tom escabroso dos anúncios poderá chocar crianças e outros leitores. O Diário de Notícias parece esquecer que é uma das mais antigas marcas de Portugal. A gestão da valia da marca deveria levar a critérios de exclusão rigorosos. O mau gosto não pode invadir uma pequeníssima parte das páginas de um dos mais prestigiados órgãos de imprensa portugueses. Será que a rentabilidade de um jornal não será maior se a sua publicidade for seleccionada, com exigência, com critérios equivalentes aos do seu jornalismo, na opinião como nas notícias?

Lembro que, numa crónica de 3 de Abril de 2007, já tinha dado razão ao leitor Luís Franco Nogueira, que se queixava da insistência com que o Diário de Notícias estava a tratar de tais questões. Parar com este relax seria um sinal de bom senso.

Deixo para a última crónica algumas reflexões sobre os editores e o papel que desempenham no jornalismo de hoje. A este propósito, quero prestar homenagem a António José Teixeira, o director que foi mais cooperante nas respostas ao provedor. Também foi o director, dos quatro com quem trabalhei, que reconheceu mais vezes os erros do jornal e aquele que mais assumiu, como sendo de sua responsabilidade, os erros de jornalistas, dos editores e do jornal. Reconheço que João Marcelino foi o director que menos tempo teve para poder acertar tempos e reacções com o provedor. Paradoxalmente, reconheço também que foi com o actual director que mais avancei nas questões de fundo relativas ao jornal. Deixo o desejo de que o diálogo entre o novo provedor, o director, os editores e os jornalistas sobre as interrogações dos leitores possa ser mais eficaz e ganhe mais vivacidade.

BLOCO-NOTAS

A opinião no DN

Já anteriormente dei conta das transformações ocorridas no DN, desde Março, em matéria de opinião. Julgo que este tem sido um calcanhar de Aquiles para o jornal nos três anos do meu mandato. Importa salientar algumas tendências recentes:

1) O editorial deixou de ser assinado individualmente. Sou favorável a um jornalismo com menos protagonismo e, por isso, acho esta evolução interessante.

2) Nas páginas onde aparece o editorial há também um artigo de opinião. O espaço destinado ao correio dos leitores ganhou maior visibilidade e diversidade. Algumas curiosidades e ilustrações completam a página. Julgo que os leitores passaram a dar maior atenção ao editorial, à crónica diária e às opiniões dos leitores.

3) Alguns artigos de opinião são escritos por jornalistas no activo da escrita noticiosa. Esta tendência, já antiga, ganhou agora maior visibilidade. Não a aplaudo, embora me faltem argumentos para defender o afastamento dos jornalistas, sobretudo "seniores" ou muito qualificados, do terreno da opinião. Mas julgo que os jornais e os órgãos de comunicação social teriam mais vantagem em recorrer a figuras externas, prestigiadas, para contratar os seus colaboradores regulares, pelos menos, nas crónicas. Primeiro, os jornalistas são especialistas da escrita de notícias. Segundo, os jornalistas são maus juízes de si próprios. Terceiro, os jornalistas, em Portugal, não são, em geral, especialistas dos assuntos. Em suma: considero mais saudável para um jornal de prestígio a contratação de especialistas externos em vez da solução mais barata de colocar a prata da casa como fazedora de opinião. A diversidade das opiniões aconselha a leques alargados de colaboradores e não ao recurso exaustivo a um colaborador ou a um jornalista com vocação mais versátil. Um jornal é um espelho de uma nação, das forças que a pensam e que a fazem agir.

O jornalismo opinativo é um género bem implantado na imprensa. O editorial é um dos seus expoentes, mas há o comentário, a coluna, a caricatura, por exemplo. Pena que o comentário pontual seja tão poucas vezes usado na imprensa portuguesa, mais habituada a colunas duradouras.

4) Importa sublinhar que o DN continua a ter, na opinião: à segunda-feira, Mário Bettencourt Resendes, jornalista, e João César das Neves, professor universitário; à terça--feira, Adriano Moreira, professor universitário, João Miguel Tavares, jornalista, e o provedor dos leitores; à quarta-feira, Baptista-Bastos, escritor e jornalista, e Vasco Graça Moura, escritor; à quinta-feira, Pedro Lomba, jurista, e Maria José Nogueira Pinto, jurista; à sexta-feira, Fernanda Câncio, jornalista, e António Vitorino, jurista; ao sábado, João Miranda, investigador em biotecnologia e Anselmo Borges, padre e professor de filosofia; ao domingo, Ferreira Fernandes, jornalista, Alberto Gonçalves, sociólogo, Nuno Brederode Santos, jurista, e João Lopes, crítico de cinema. Ferreira Fernandes assina uma coluna diária, excepto ao domingo. Nas últimas semanas, Sena Santos, consagrado jornalista de rádio, passou a assinar colaboração, todos os dias da semana excepto ao domingo.

É certo que saíram vários colunistas prestigiados, alguns com provado "amor à camisola". A matriz anterior estimulou um DN em que a opinião era mais diversificada. Encontrará o DN o equilíbrio em mais e melhores notícias servidas por opiniões influentes e fundamentadas? Assim desejamos.

2 Comments:

Blogger Biby Cletus said...

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7:59 da manhã  
Anonymous Anónimo said...

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3:29 da tarde  

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