PORTUGAL SERÁ� MELHOR

  • - se a casa de Aristides de Sousa Mendes fôr reconstruída para um projecto ligado com a sua vida
  • - se houver mais locais para pôr as mãos na massa
  • - se cada um de nós Ler +
  • - se cada um de nós respeitar os passeios como lugar de trânsito dos peões, sobretudo dos que têm menos mobilidade
  • - se for mandado para as urtigas o princí­pio, muito vulgarizado: Tudo pelos amigos, nada pelos inimigos. Aos outros aplica-se a lei. É mais simples e justo se a todos se aplicar a lei.

POR UM JORNALISMO MELHOR

Recentes

Ligações


  • Get Firefox!

quarta-feira, junho 27, 2007

1001 RAZÕES PARA GOSTAR DE PORTUGAL João Lobo Antunes


neurocirurgião e homem de cultura







"A cura da Justiça tem de vir de dentro da profissão, defende o neurocirurgião João Lobo Antunes

Paula Torres de Carvalho, no Público de hoje

"A "cura" do sistema de justiça "tem de vir sobretudo de dentro da profissão, dos seus mecanismos endógenos de reparação, como sucede em qualquer ser vivo", defendeu ontem o médico neurocirurgião João Lobo Antunes, um dos conferencistas do primeiro encontro promovido, em Lisboa, pela Associação de Juízes pe-
la Cidadania, com o tema Ser juiz hoje, que contou também com a presença do juiz-conselheiro Cunha Rodrigues.
Dirigindo-se a uma plateia de magistrados e de advogados, o neurocirurgião estabeleceu uma análise comparativa e crítica entre as profissões de médico e de juiz, e abordou, entre outras, a questão da identidade profissional, referindo que esta "é notada também por quem olha de fora". "Este olhar é tanto mais exigente quanto mais nos arrogamos uma superioridade moral naquilo que fazemos. No caso dos médicos, é a proclamação do altruísmo que se deve sobrepor ao interesse próprio, económico, académico ou de simples conforto e reconhecimento social. No vosso, o interesse primário é a procura da verdade e a aplicação justa da lei", sublinhou.
Na perspectiva de Lobo Antunes, "acaba por ser fatal" a "atitude defensiva" de médicos e magistrados se refugiarem nas "trincheiras" da sua "suficiência, indiferentes à percepção que os outros têm do que fazem". Uma profissão é, em seu entender, "essencialmente um contrato social que obriga à protecção de pessoas e valores vulneráveis por gente especialmente educada e preparada para tal". "No meu caso, a gente são os doentes e os valores da saúde, no vosso, aqueles que a vós recorrem e os valores da justiça", disse.
Para Lobo Antunes, o exercício da cidadania pelos magistrados implicará "acima de tudo o desempenho quotidiano de um trabalho bem feito", a procura da verdade, a proximidade, a celeridade. "Os juízes são certamente os últimos guardiões da verdade e da confiança", frisou.
Cunha Rodrigues chamou a atenção para o facto de a posição do juiz, nas sociedades complexas, se estar "perigosamente" a encaminhar para "um "anticlímax do "ser" e para um deslizamento do estar". Falou das "servidões legais" que marcaram a história da profissão, do tempo em que a magistratura era quase exclusivamente exercida por homens de origem rural. Da evolução e da mudança da ideia do juiz e das relações com o poder político. No entender de Cunha Rodrigues, "é merecedor de atenção" o associativismo sindical dos titulares de órgãos de soberania e a "invasão" do quotidiano da justiça pelos media.
O juiz-conselheiro e antigo procurador-geral da República Cunha Rodrigues questionou-se ainda sobre os problemas resultantes de uma maior mediatização da justiça. "