PORTUGAL SERÁ� MELHOR

  • - se a casa de Aristides de Sousa Mendes fôr reconstruída para um projecto ligado com a sua vida
  • - se houver mais locais para pôr as mãos na massa
  • - se cada um de nós Ler +
  • - se cada um de nós respeitar os passeios como lugar de trânsito dos peões, sobretudo dos que têm menos mobilidade
  • - se for mandado para as urtigas o princí­pio, muito vulgarizado: Tudo pelos amigos, nada pelos inimigos. Aos outros aplica-se a lei. É mais simples e justo se a todos se aplicar a lei.

POR UM JORNALISMO MELHOR

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quarta-feira, junho 27, 2007

PROVEDORES+CÂMARAS

O Mirante, Diário On Line assinala que um novo provedor vai surgir: "A criação do lugar de provedor municipal no concelho de Alpiarça foi aprovada pela assembleia municipal na reunião desta terça-feira. O provedor vai receber as queixas dos munícipes e encaminha-las para os autárquicos, além de dar pareceres sobre questões municipais. O cargo não vai ser remunerado, mas a câmara compromete-se a dotar o serviço dos meios necessários. No regulamento sobre a actividade do provedor está explicito que é incompatível o exercício do cargo de provedor com outras actividades públicas de cariz partidário. Votaram a favor os oito eleitos do PS e um do PSD e abstiveram-se seis eleitos da CDU e um do PSD."

Os provedores têm vindo a ter reconhecimento social em Portugal. Talvez seja porque as pessoas gostam de se queixar. Ou porque as coisas não estão bem a 100%. Ou porque....

1001 RAZÕES PARA GOSTAR DE PORTUGAL João Lobo Antunes


neurocirurgião e homem de cultura







"A cura da Justiça tem de vir de dentro da profissão, defende o neurocirurgião João Lobo Antunes

Paula Torres de Carvalho, no Público de hoje

"A "cura" do sistema de justiça "tem de vir sobretudo de dentro da profissão, dos seus mecanismos endógenos de reparação, como sucede em qualquer ser vivo", defendeu ontem o médico neurocirurgião João Lobo Antunes, um dos conferencistas do primeiro encontro promovido, em Lisboa, pela Associação de Juízes pe-
la Cidadania, com o tema Ser juiz hoje, que contou também com a presença do juiz-conselheiro Cunha Rodrigues.
Dirigindo-se a uma plateia de magistrados e de advogados, o neurocirurgião estabeleceu uma análise comparativa e crítica entre as profissões de médico e de juiz, e abordou, entre outras, a questão da identidade profissional, referindo que esta "é notada também por quem olha de fora". "Este olhar é tanto mais exigente quanto mais nos arrogamos uma superioridade moral naquilo que fazemos. No caso dos médicos, é a proclamação do altruísmo que se deve sobrepor ao interesse próprio, económico, académico ou de simples conforto e reconhecimento social. No vosso, o interesse primário é a procura da verdade e a aplicação justa da lei", sublinhou.
Na perspectiva de Lobo Antunes, "acaba por ser fatal" a "atitude defensiva" de médicos e magistrados se refugiarem nas "trincheiras" da sua "suficiência, indiferentes à percepção que os outros têm do que fazem". Uma profissão é, em seu entender, "essencialmente um contrato social que obriga à protecção de pessoas e valores vulneráveis por gente especialmente educada e preparada para tal". "No meu caso, a gente são os doentes e os valores da saúde, no vosso, aqueles que a vós recorrem e os valores da justiça", disse.
Para Lobo Antunes, o exercício da cidadania pelos magistrados implicará "acima de tudo o desempenho quotidiano de um trabalho bem feito", a procura da verdade, a proximidade, a celeridade. "Os juízes são certamente os últimos guardiões da verdade e da confiança", frisou.
Cunha Rodrigues chamou a atenção para o facto de a posição do juiz, nas sociedades complexas, se estar "perigosamente" a encaminhar para "um "anticlímax do "ser" e para um deslizamento do estar". Falou das "servidões legais" que marcaram a história da profissão, do tempo em que a magistratura era quase exclusivamente exercida por homens de origem rural. Da evolução e da mudança da ideia do juiz e das relações com o poder político. No entender de Cunha Rodrigues, "é merecedor de atenção" o associativismo sindical dos titulares de órgãos de soberania e a "invasão" do quotidiano da justiça pelos media.
O juiz-conselheiro e antigo procurador-geral da República Cunha Rodrigues questionou-se ainda sobre os problemas resultantes de uma maior mediatização da justiça. "

sexta-feira, junho 22, 2007

1001 RAZOES PARA GOSTAR DE PORTUGAL

SERPA, um lugar simpático no Alentejo.

quarta-feira, junho 20, 2007

FESTIVAL DE TEATRO DE ALMADA

, no dia 22, sexta feira, na Casa da Cerca, em Almada.

Vai ser divulgada a programação.

terça-feira, junho 19, 2007

FALAR DE BLOGUES com Jose Luis Orihuela

Não é possível realizar o FALAR DE BLOGUES com José Luís Orihuela 10, na próxima sexta-feira, dia 22.

Pelo facto, as nossa desculpas

Livraria Almedina e José Carlos Abrantes

ADIADO O FALAR DE BLOGUES COM José Luís Orihuela 10

Na Livraria Almedina, ao Saldanha
Dia 22 de Junho 2997, 6ª feira, às 19 horas

Jose Luis Orihuela é Professor na Universidade de Pamplona e tem corrido o mundo a falar de blogues e a formar especialistas e não especialistas na Web 2. Em 2006 publicou La revolución de los blogs, editado pela La Esfera de los Libros de Madrid. Está incluído no International
Who´s Who of Professionals desde 1999.

Organização de Livraria Almedina e José Carlos Abrantes

WORKSHOP SOBRE A WEB 2.0

ADIADO para data a confirmar

Workshop web 2.0
Introdução à blogosfera e uso dos meios sociais
Coordenação José Luis Orihuela*
Lisboa 22 de Junho 2007, Porto 23 de Junho 2007

Data: 22 de Junho de 2007
Horário: 9h30 às 17h00
Local: Lisboa

sexta-feira, junho 15, 2007

CINEMA: documentário e televisão


A docs.pt é uma revista da Apordoc. Sai hoje o nº 5, sobre televisão.

CINEMA, no Nimas

Vale a pena estar atento aos melhores filmes estreados entre Junho e Julho de 2007. Uns já vimos, outros deixámos escapar. Volver, A Vida dos Outros, O Meu Tio, Shortbus, ou Manual de Amor, Natureza Morta, 98 Octanas, fazem parte dos já vistos, entre outros. Mas há os que passaram escondidos: Klimt, por exemplo, um filme sobre o pintor do beijo, O Caimão, Inland Empire. O melhor é cada um fazer a lista dos que faltam e aparecer no Nimas, uma vez ou outra.

OS MEDIA E NÓS

Mário Bettencourt Resendes, ex-director do Diário de Notícias, é o próximo provedor do jornal. O jornal mantém a tradição de nomear o provedor rapidamente não havendo hiatos de espera. Desta vez a decisão foi tomada e divulgada em tempo record.
Ao meu successor desejo as maiores felicidades no exercício do cargo.

USAR MELHOR a blogosfera

(Foi alargado o prazo para a inscrição: 18 de Junho, 2a feira)

Workshop web 2.0
Introdução à blogosfera e uso dos meios sociais
Coordenação José Luis Orihuela*
Lisboa 22 de Junho 2007, Porto 23 de Junho 2007

Data: 22 de Junho de 2007
Horário: 9h30 às 17h00
Local: Lisboa







Conteúdos Programáticos:

Primeira Parte:
Introdução à Blogosfera
• Conceito, estrutura e funções do blogue
• Dinâmica da blogosfera
• Chaves para criar e manter um blogue de êxito

Segunda parte:
Uso de meios sociais no jornalismo e na educação
• Filosofia e ferramentas da Web 2.0
• Exploração e uso de recursos na internet para jornalistas e comunicadores
• Exploração e uso de recursos na internet para investigação e docência

------------------

Data: 23 de Junho de 2007
Horário: 15h00 às 19h00
Local: Porto

Conteúdos Programáticos

Introdução à Blogosfera
• Conceito, estrutura e funções do blogue
• Dinâmica da blogosfera
• Chaves para criar e manter um blogue de êxito


DATA LIMITE PARA INSCRIÇÂO: 18 de Junho de 2007

*José Luis Orihuela Colliva é doutorado em Ciências da Informação, professor na Faculdade de Comunicação da Universidade de Navarra, autor do blogue eCuaderno.com e do livro "La revolución de los blogs" (La Esfera de los Libros, Madrid, 2006). Participou em conferências, cursos e workshops em mais de vinte países, é júri internacional dos prémios Best of the Blogs da Deutsche Welle, colunista na revista Tiempo ("Blogosfera") e co-autor de "Blogs. La conversación en Internet que está revolucionando medios, empresas y ciudadanos" (ESIC, Madrid, 2005) e "Comunicar para crear valor" (Eunsa, Pamplona, 2004).

Mais informações em aqui

quinta-feira, junho 14, 2007

ELE, NÓS, ELES...

UMA PROPOSTA CONSENSUAL

O que devia estar neste momento, a meu ver, a preocupar os candidatos à Câmara de Lisboa é o modo como os futuros comboios TGV irão atravessar o Tejo e entrar na cidade.

A proposta do Governo, a avaliar pelas informações mais recentes, é a da construção de uma ponte para o Barreiro para os comboios provenientes de Badajoz e do Algarve que seguirão para uma estação terminal em Chelas. Os comboios para o Porto, no entanto, não utilizarão esta ponte e entrarão em Lisboa pelo Lumiar .

O que estrá previsto, assim, além da ponte para o Barreiro, é uma entrada em Lisboa pelo Norte destinada aos comboios para o Porto e a navetes para o aeroporto da Ota.

Esta solução, com custos financeiros e ambientais gigantescos, parece-me inviável.

As possibilidades de travessia do Tejo pelos comboios TGV destinados a Badajoz que devem, a meu ver, ser estudadas são 4: a da ponte para o Barreiro, a da ponte ou tunel para o Montijo, e as travessias antes e depois de Vila Franca. Os estudos necessários para avaliar as dificuldades técnicas destas diferentes soluções e quantificar os seus custos, não estão minimamente iniciados.

Em Novembro vamos ter uma Cimeira Ibérica. Penso que nesta Cimeira Portugal pode apresentar uma proposta que os espanhois certamente aceitarão: a de construir, com grande prioridade, uma linha de bitola europeia que permita o trânsito de comboios TGV, de Badajoz ao Pinhal Novo, onde há uma estação de FERTAGUS.

Esta linha, particularmente facil de construir, que poderá estar pronta, talvez, dentro de 4 ou 5 anos, e que na totalidade, ou pelo menos em grande parte, será integravel na futura linha de Lisboa a Madrid, tem para nós o interesse gigantesco de, a muito curto prazo, ligar as nossas indústrias da Península de Setrubal à rede internacional de bitola europeia, o que é fundamental para a sua sobrevivência.

Penso que, neste contexto, os candidatos à Câmara de Lisboa devem:
Apoiar calorosamente a construção urgente da linha de Badajoz ao Pinhal Novo.
Propor que, nos dois anos a seguir, se estudem seriamente as diferentes possibilidades dos comboios TGV atravessarem o Tejo, a ligação ferroviária ao futuro aeroporto de Lisboa cuja localização será entretanto definida, e, ainda, a chegada a Lisboa dos futuros TGV para o Porto, cuja linha será construida quando for considerado conveniente.

enviado por António Brotas

O CINEMA E NÓS

A Vida dos Outros (Leben der Anderen, Das, 2006)
de Florian Henckel von Donnersmarck

Sinopse: Em novembro de 1984, o governo da Berlim Oriental busca assegurar seu poder através de um cruel sistema de controle e vigilância sobre os cidadãos. O capitão Anton Grubitz busca ser promovido em sua carreira, com o apoio dos mais influentes círculos políticos da época, e para isso dá a um fiel agente do sistema, Gerd Wiesler, o encargo de coletar evidências contra o bem-sucedido dramaturgo Georg Dreyman e sua namorada, a atriz Christa-Maria Sieland.

ver mais em Cine Players

Só fui ontem, domingo, ao A Vida dos Outros. Saí de uma livraria da Alemanha de 1995 (terei feito bem as contas?) para o ar fresco dos exteriores do King. Um tempo e um espaço que é nosso, porque temos o cinema. Um cinema soberbo, diria. Falado em alemão.

No King também está Natureza Morta, de Zhang Ke, China/Hong Kong. Vi um documentario, julgo que do mesmo autor, no Indie. Achei mais interessante que o filme, mas aprecio a demarche deste criador que nos aoroxima os territórios, as geografias, as pessoas que se movem.

quarta-feira, junho 13, 2007

WORKSOPS SOBRE A WEB 2.0 COM ORIHUELA

(faltam 2 dias para a inscrição, agora até 14 de Junho)

Workshop web 2.0
Introdução à blogosfera e uso dos meios sociais
Coordenação José Luis Orihuela*
Lisboa 22 de Junho 2007, Porto 23 de Junho 2007

Data: 22 de Junho de 2007
Horário: 9h30 às 17h00
Local: Lisboa

Conteúdos Programáticos:

Primeira Parte:
Introdução à Blogosfera
• Conceito, estrutura e funções do blogue
• Dinâmica da blogosfera
• Chaves para criar e manter um blogue de êxito

Segunda parte:
Uso de meios sociais no jornalismo e na educação
• Filosofia e ferramentas da Web 2.0
• Exploração e uso de recursos na internet para jornalistas e comunicadores
• Exploração e uso de recursos na internet para investigação e docência

------------------

Data: 23 de Junho de 2007
Horário: 15h00 às 19h00
Local: Porto

Conteúdos Programáticos

Introdução à Blogosfera
• Conceito, estrutura e funções do blogue
• Dinâmica da blogosfera
• Chaves para criar e manter um blogue de êxito


DATA LIMITE PARA INSCRIÇÂO: 11 de Junho de 2007

*José Luis Orihuela Colliva é doutorado em Ciências da Informação, professor na Faculdade de Comunicação da Universidade de Navarra, autor do blogue eCuaderno.com e do livro "La revolución de los blogs" (La Esfera de los Libros, Madrid, 2006). Participou em conferências, cursos e workshops em mais de vinte países, é júri internacional dos prémios Best of the Blogs da Deutsche Welle, colunista na revista Tiempo ("Blogosfera") e co-autor de "Blogs. La conversación en Internet que está revolucionando medios, empresas y ciudadanos" (ESIC, Madrid, 2005) e "Comunicar para crear valor" (Eunsa, Pamplona, 2004).

Mais informações em aqui

OS MEDIA E NÓS

O Correio da Manhã dá conta do protesto da Presidência da República sobre a transmissão do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas.

"A Presidência da República questionou, ontem, a administração da RTP sobre o modo como o canal 1 emitiu as Cerimónias Comemorativas do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas. Belém qualificou de “inadmissível” e “inaceitável” a interrupção da transmissão das celebrações do 10 de Junho, domingo, em Setúbal. O ‘corte’ na emissão privou os telespectadores de verem parte das condecorações atribuídas pelo Chefe de Estado, Cavaco Silva."

terça-feira, junho 12, 2007

PONTO FINAL Prevodorias do DN, ultima cronica (II)

Jose Carlos Abrantes
Provedor dos leitores do DN

Foi para mim uma grande distinção poder servir os leitores como provedor durante estes três anos. Completei cerca de 12 anos de DN, contando com períodos anteriores em que fui colaborador do jornal. Restam ainda algumas tarefas que continuarão esta ligação ao DN, nomeadamente a preparação de um livro a partir das crónicas como provedor. Tenho outro livro, em projecto, sobre longo período imediatamente anterior de estabilidade do DN. Por outro lado, em Outubro, será apresentada a tradução do livro Public Editor, de Dan Ockrent, primeiro provedor do The New York Times. Envolvi-me nesta edição planeada com o objectivo de assinalar os dez anos de provedor no Diário de Notícias, completados no fim de Janeiro. Dan Ockrent estará entre nós em Outubro.

O meu mandato como provedor do DN termina hoje, com esta crónica. Foi um imenso prazer e um enorme desafio manter três anos de reflexão sobre o DN e os media, em relação com os jornalistas e os leitores. Termino o mandato com a sensação de que o mandato do provedor poderia ser mais longo, como é o caso noutros jornais, sobretudo americanos. Estou também convicto de que o jornalismo de hoje é mais sério, mais profissional e mais informativo do que noutros tempos, tantas vezes divinizados.

Estamos a anos-luz dos tempos heróicos do jornalismo e da sua deontologia, em que os conflitos de interesse eram facilmente aceites. Cândido de Oliveira, treinador do Sporting entre 1946 e 1949, saía dos jogos para ir fechar A Bola (ver livro de Fernando Correia e Carla Baptista). Hoje, como já nos anos 60, ninguém aceitaria essa situação, leitores como jornalistas.

Os conflitos de interesses ainda existem, mas há alguns que foram definitivamente bem resolvidos, mantendo-se hoje outros mais "escondidos".

Este reconhecimento obriga-me, simultaneamente, a identificar derrapagens, por vezes espectaculares, do jornalismo actual.

Hoje há mais publicações e, sobretudo, mais informação nas publicações. Arriscaria dizer: melhor informação nas publicações. Se a qualidade do jornalismo é melhor, há ainda um facto novo. Os jornalistas não estão sós na produção de informação. O mundo dos blogues e novos utensílios da Rede aumentam a escolha e permitem a expressão livre dos cidadãos. É certo que os blogues não são jornalismo. Mas os cidadãos gostam cada vez mais de territórios de expressão. Alguns destes podem ser mais ágeis do que o jornalismo. Mesmo que não retirem leitores, são concorrentes na criação de informação por vezes sobre temas ou perspectivas que dificilmente serão adoptadas pelo jornalismo.

O que fica destes três anos? Fica a inscrição, citando José Gil. Fica o debate público sobre este jornal e sobre os media. Podem alguns jornalistas e jornais ter argumentos contra a presença dos provedores. Mas, como o The New York Times, apressar-se-ão a nomear um provedor se crise forte os atingir. O escrutínio é sempre incómodo. E a crítica pública do jornalismo é um enorme aborrecimento para alguns jornalistas, mas é também um ganho cívico inestimável. O DN mantém esse debate há dez anos. Temos razões para crer que vai continuar.

Saio no fim do contrato. Deixo o DN com a tristeza de perder o contacto com os leitores. Trata-se de um contrato tácito e irrepetível. Saio com a convicção de que o meu mandato teria sido diferente, não forçosamente melhor, se tivesse havido maior estabilidade nos directores. Nos três anos, de Maio de 2004 a Junho de 2007, vi sete nomes no cabeçalho da direcção do DN.

O DN parecia conquistado pela futebolização: treinador que não ganha, sai. Melhor, em certos casos, treinador que está, sai. Ora, dar a um director um período de três a cinco anos parece o mínimo para que um trabalho sério se afirme, se desenvolva e solidifique. Não foi o caso para os directores do DN nos últimos anos.|

Três anos para recordar

Só posso sentir um imenso privilégio por ter sido escolhido por Fernando Lima e continuado o meu mandato sob as direcções de Miguel Coutinho, António José Teixeira e João Marcelino. Também coabitei com os directores interinos José Manuel Barroso, João Morgado Fernandes e Miguel Gaspar.

A todos os que consultei e me deram as suas opiniões abalizadas o meu obrigado. Este foi um dos aspectos mais claramente gratificantes da minha actividade. De facto, os problemas levantados pelos leitores pertencem, aos mais variados domínios, ou com eles têm ligações. Sucederam-se questionamentos de notícias sobre a guerra do Iraque, sondagens, eleições, música, futebol, crime, ciência, História, política internacional e quantos mais assuntos. O provedor tem de se debruçar sobre assuntos muito diversos e especializados. Muitas vezes recorri a especialistas de mérito que deram novos dados e opiniões ou aconselhamento sobre os problemas.

Livros, sempre os livros

A discussão pública dos media e do jornalismo tem entradas variadas. No DN, existe há dez a coluna do provedor. O DN e outros jornais têm secções de media. O Clube do Jornalistas tem mantido com alguma regularidade um programa de televisão. As universidades têm cursos de jornalismo ou áreas afins. Os livros sobre jornalismo sucedem-se a um ritmo difícil de acompanhar. É preciso estar de mal com a vida ou ter dela uma concepção estranha para nos continuarmos a lamentar sobre estes domínios. Com esta referência a livros saídos há pouco quero homenagear os investigadores, jornalistas, editores, directores de colecção que a cada momento produzem novo conhecimento e o disponibilizam.

Na produção sobre os jornalistas destaco o livro de Sara Meireles Graça, jovem docente da Escola Superior de Educação de Coimbra, que passou pelo jornalismo. Os Jornalistas Portugueses: Dos Problemas da Inserção aos Dilemas Profissionais, obra de sua autoria, foi agora editada pela Minerva Coimbra.

Da editorial Caminho saiu um trabalho de Fernando Correia e de Carla Baptista, Jornalistas: Do Ofício à Profissão, Mudanças no Jornalismo Português (1956-1968), apresentado por Paquete de Oliveira e José Carlos de Vasconcelos na semana passada.

Assinalo ainda um livro publicado há mais tempo, Os jornalistas Portugueses 1933-1974: Uma Profissão em Construção, de Rosa Maria Sobreira, editado pela Livros Horizonte/CIMJ, em 2003. Com livros me despeço. Até sempre! |

O DN QUE VIVI Provedorias no DN, ultima cronica (I)

José Carlos Abrantes
provedor dos leitores

O que está bem, valorizo. Nas crónicas anteriores, fiz as apreciações positivas que entendi serem justas, sem deixar no tinteiro críticas a quem as mereceu. Não tenho grupos a que deva obedecer, nem peias ideológicas que me cerceiem os juízos de valor. Não sou alinhado nem sigo indicações de aparelhos partidários. Fiz sempre juízos livres, segundo a minha consciência pessoal.

Centro de Documentação e Informação (CDI)

É um dos sectores mais eficientes, onde obtive sempre respostas rápidas e produtivas. O CDI tem um espólio que não tem paralelo no jornalismo português, pois cobre mais de 140 anos da vida social e política portuguesa. O DN ganharia em criar mais condições para rentabilizar os documentos que possui e dar maior visibilidade social ao seu património documental. (1)

Fecho da Edição

É uma editoria de grande importância no jornal. O provedor contou com uma excelente colaboração deste sector, que regularmente telefonava, na véspera da publicação dos artigos, a esclarecer pequenas dúvidas.

Hibridismo

O DN é feito actualmente numa matriz híbrida: procura satisfazer leitores mais exigentes e tenta abrir as suas páginas a novos leitores. Esta tendência não é nova, apenas se tornou mais nítida. Começou a desenhar-se nos anos 90, com Mário Bettencourt Resendes, e foi acentuada no início dos anos 2000, com o DN a resvalar para o sensacionalismo. Com recuos e avanços a procura de um modelo híbrido tem-se mantido activa.

No momento presente, a matéria informativa ganhou volume. Há esforços que já assinalei noutras crónicas e que são meritórios. O provedor não foi inundado de queixas por quebra de regras deontológicas. Quem faz o jornal sabe que o DN tem graus de exigência própria.

Mas outros elementos colidem com a procura dessa exigência. A titulação é mais agressiva e alguns assuntos mais populares são chamados mais amiúde. A barra cimeira que encabeça o DN é disso sintoma, tendo titulado este mês: "Carolina passa a filme" (sobre Carolina Salgado), "Ele será Pinto da Costa" (um filme), "A busca mais cara" (sobre Madeleine), "A testemunha-chave" (sobre o serial killer de Santa Comba) , "Guerra nos Advogados" (sobre as eleições na Ordem dos Advogados), "O que ele disse ao telefone" ( outra vez o serial killer), "Lopez em Lisboa" (sobre Jennifer Lopez)", "Suspeito espanhol" (novamente Madeleine), "Ofensas a padre" (sobre a directora da DREN), "Joana volta a tribunal" (crime sobre uma criança de Portimão). É certo que há outras notícias e destaques. Mas será que não há leitores entediados desta excessiva superficialidade e insistência?

Imagens

Noutra crónica, já expliquei como foi tensa, por vezes, a relação do provedor com o jornal por causa das ilustrações das crónicas. A tal ponto que estive para interromper o meu mandato, em Abril de 2005, pelas provocações que apareceram a ilustrar os meus artigos. O provedor tem a última palavra a dizer no texto, o que sempre aconteceu, e deveria ter essa última palavra nas imagens que ilustram as suas crónicas. Valeu-me um advogado sabedor das coisas da comunicação social: Francisco Teixeira da Mota. Sem ele, o meu mandato teria sido mais curto. Aliás, o provedor trabalhou sem contrato escrito, mas com cumprimento integral das cláusulas acordadas para anteriores provedores. Ou seja, o DN cumpriu escrupulosamente o que estava consuetudinariamente estatuído.

Leitores

Não houve assuntos-tabu. Os leitores questionaram o jornal sobre mais assuntos do que os que cabiam nas competências do provedor. Não me acantonaram na exclusiva posição de último defensor da pureza linguística, embora também o tenham exigido, por vezes. Os leitores ajudaram a questionar o modo de dar notícias em todos os sectores, obrigando a reflectir sobre a grande variedade dos problemas do jornalismo.

Algum correio dos leitores ficou sem resposta pública, mesmo pessoal. Ainda tentarei escrever a alguns leitores. A todos que questionaram, que me apoiaram, que de mim divergiram, o meu obrigado.

Literacia dos media

Julgo ter dado suficiente atenção à componente pedagógica do cargo de provedor. Escrevi várias crónicas sobre as imagens e outras ainda sobre o papel dos media na vida dos cidadãos. Não esqueci a blogosfera, em que estou muito envolvido. No entanto, neste domínio tenho a sensação de ter ficado aquém do que gostaria de ter feito.

Ainda tentei fazer crónicas mais participadas. Pensei que os leitores gostariam de saber como se constrói a agenda noticiosa do DN, como se faz o fecho do jornal. Cheguei a fazer um contacto com a Lusa para explicar aos leitores como funciona o jornalismo de agência. Pensei que seria possível reflectir sobre o papel dos editores envolvendo-os na reflexão, como aliás se fez no El País.

Estes são domínios em que os textos baseados na observação pessoal e na participação dos jornalistas teriam mais pertinência para os leitores.

Livro de estilo

Chamei a atenção, mais do que uma vez, para a falta que faz um livro de estilo aos jornalistas e leitores do DN. No n.º 8 do Estatuto do Provedor diz-se que "o Código Deontológico do Jornalista, o Estatuto Editorial e o Livro de Estilo do Diário de Notícias, do qual este estatuto constitui parte integrante, são referências obrigatórias do provedor dos leitores".

Esperemos que venha a ser elaborado em breve.

Opinião

Está muito em voga em Portugal uma tendência contestável, em que o DN não é excepção. Ocupa-se excessivo espaço de opinião com a opinião de jornalistas. Ressalvo que há comentadores de qualidade entre estes. Mas também é mais barato, por vezes. Compreendo também que haja necessidade de renovar os colunistas.

Em tempos mais recuados, nos anos 90, eu próprio fui forçado ao silêncio que me foi imposto, uma vez no DN e outra no Público, embora em condições muito diferentes.

Outros cronistas surgem, por vezes, com proveito para os jornais. Sabemos por um estudo de Rita Figueiras que os cronistas tendem a eternizar-se com manifesto afunilamento do leque de opiniões. O problema é que opiniões da sociedade civil como as de, por exemplo, Vicente Jorge Silva ou José Medeiros Ferreira, de Ruben de Carvalho ou de Marta Crawford, desapareceram e estão a ser substituídas pelas opiniões de jornalistas no activo.

Os jornalistas que fazem as notícias estão a assumir um protagonismo excessivo e a afastar opiniões qualificadas, pois o espaço no papel é restrito. Importa sublinhar que esta é uma tendência generalizada, na rádio, como na televisão e na imprensa escrita. Os jornalistas substituem cada vez mais especialistas conceituados que queimaram as sobrancelhas a estudar os problemas. Não é o recurso à opinião dos jornalistas que é o problema. O problema é que a discussão pública, por vezes, fica empobrecida porque os jornalistas afastam os não jornalistas dessa discussão.

(1) Agradeço a todos os trabalhadores do DN que, quase sem excepção, me trataram com cortesia e profissionalismo, em especial os jornalistas. No CDI, uma palavra especial para Cristina Cavaco. Para Artur Sardinha, que me recebeu os textos sem azedume e com benevolência, em pequenos e pontuais atrasos. Para a pessoa de João Galamba Pinto, editor do Fecho, envio os meus agradecimentos, extensivo a todos os seus colaboradores. A todos os trabalhadores do DN envio o meu reconhecimento. |

domingo, junho 10, 2007

AS IMAGENS E NÓS

LISBOETAS, de Sérgio Treffaut

Fui surpreendido pela exibição de Lisboetas, logo a seguir ao Gato Fedorento. Está de parabéns o realizador, a RTP, o documentário. Mais atenção ao documentário é obrigação de toda a televisão, especialmente da pública.

Intriga-me a bolinha de aviso às 23h 30.

Passaram 20 minutos desde o inicio da exibição. Os Lisboetas foram interrompidos para publicidade. Lamento.

AS IMGENS E NÓS - EDUCAÇÃO PARA OS MEDIA

"Tesourinhos Deprimentes" é um bom exemplo de desconstrução da televisão que recebemos nas nossas casas. Os Gatos Fedorentos estão a revelar mestria na escolha das situações televisivas que comentam. Considero de antologia a entrevista em estúdio da RTP África.

A educação para os media, agora chamada de literacia dos media, está de parabéns. Além dos DVD tem agora o Gato Fedorento. Há problemas que parecem insolúveis e que, de repente, começam a encontrar respostas inesperadas.

* cerca das 23h 30 passaram os prometidos nus, de costas e num plano sóbrio. Não me refiro a esta "ousadia" dos Gatos, mas foi bem controlada a anunciada .

OS MEDIA E NÓS - POLÉMICAS

O «terrorismo virtuoso» da ERC

A ERC produziu mais um monstro: um documento que se chama ora «Avaliação do Pluralismo Político-Partidário na Televisão Pública» ora «Plano de Avaliação do Pluralismo», etc., consoante se lê o comunicado da ERC ou o próprio texto. Na introdução, a ERC afirma monitorar a informação de «todos os operadores de televisão» quanto ao «pluralismo» através de um «modelo» que usa «metodologias qualitativas e quantitativas» (p.1). Mas quer mais. Apesar de a lei, como a própria refere, não lhe pedir esta iniciativa de controle do jornalismo, a ERC resolveu avaliar «o pluralismo político-partidário» na RTP (2).
Trata-se de um policiamento geral, sem paralelo, da actividade de centenas de jornalistas televisivos. A ERC, em vez de optar pelo modelo regulador que age caso a caso (como o dos EUA), optou pelo modelo dos reguladores controleiros e arroga-se o direito de fazer «uma abordagem de fundo» (p.4) aos telenoticiários e de criar critérios, que são os seus próprios. O texto da ERC justifica-se na incumbência da sua missão mas «desfigura-a culturalmente», nas palavras de Artur Portela, membro da antiga Alta Autoridade (AACS), com enorme experiência, a quem pedi que comentasse o documento.
O que avaliará a ERC, um organismo do Estado, nas notícias? A presença e tratamento quantificado de chefe de Estado, partidos, governo e deputados desalinhados (p.5). Isto é, a ERC estabelece um policiamento exclusivo às notícias com os actores do «sistema». É uma acção de polícia mediática do «sistema» a privilegiar o «sistema». A própria ERC considera que há mais vida política para além dessas instituições, mas revela a sua própria natureza: uma emanação dos partidos. Isso é por demais evidente quando indica os protagonistas que incluirá na avaliação: apesar de o listar, exclui o presidente da República − só os partidos lhe interessam (p.6). Cavaco Silva está fora do «sistema» da ERC. Não admira que os partidos do Bloco Central se tenham deliciado com mais este monstruoso condicionamento da liberdade de informação.
A linguagem burocrática, toda ela de «postura e estilo pretensiosos e arrogantes», na apreciação de Artur Portela, arrepia ao chegar aos «critérios de contagem das peças». O jornalismo é transformado nos números da ERC, isto é, um organismo criado pelos partidos e comandado pela acção histriónica de Estrela Serrano, que era «militante activíssima» do partido do governo, como me disse quem com ela trabalhou muito tempo.
A ERC criou uma «tabela» já de má fama em que a cada conjunto de protagonistas das notícias corresponde um «valor (%) tendencial»: ao governo/PS a ERC atribui 50%, à oposição parlamentar 48% e à extraparlamentar 2% (p.7).
Não debaterei as percentagens, porque é grotesco estabelecer valores percentuais expectáveis em notícias, valores a priori de notícias futuras. Também grotesco e gravíssimo é que esta tabela não seja justificada política, académica, legalmente, nada. A ERC só diz que decidiu «atribuir» «um valor percentual» a cada partido e que, «assim sendo» (nada justificando essa expressão de ligação), «elaborou» a «tabela» (p.7).
Trata-se de um exercício de autoridade não explicada, não solicitada e com regras dúbias. A tabela é em si mesma uma avaliação prévia. Apesar de lançar poeira para os olhos dizendo que a avaliação «será feita a posteriori, isto é, o operador público mantém intacta a liberdade editorial», não é nada disso que na prática se verificará. Como a posteriori, se a tabela é a priori? Artur Portela chama-lhe «um a posteriori apriorístico» que, acrescenta, não é tão paradoxal como isso. Interessa a alguém.
Com esta advertência prévia, a ERC criou um efectivo condicionamento prévio sem precedentes na democracia. Nunca a AACS teve alguma vez uma iniciativa de fúria controladora prévia como esta. Segundo informações que recolhi, na redacção da RTP esta «avaliação» quantificada pela ERC é considerada por muitos jornalistas como um condicionamento prévio, ou dito de outra forma, como uma autocensura imposta.
Há um abuso total nesta posição da ERC: a que título um organismo do Estado se arroga o direito de «atribuir» «valores percentuais» à informação realizada por um órgão de informação? Onde, na Constituição e nas leis é permitido a um órgão do Estado definir ao detalhe, previamente, o alinhamento quantitativo de um órgão de informação supostamente livre? Subscrevo o que disse Joaquim Vieira, presidente do Observatório de Imprensa: esta iniciativa da ERC é contrária à Constituição.

* * *

Tendo em conta que a ERC recobre a sua malícia com «cientificidade», analisemos em detalhe a prometida metodologia qualitativa e quantitativa.
Quantitativa: o que a ERC se propõe fazer é análise de conteúdo de textos, conhecida desde os anos 20. Trata-se de reduzir os textos a unidades de sentido contáveis segundo regras idênticas para todos os textos analisados. Verifica-se o número de ocorrência de palavras ou temas (estes já do investigador). Desta forma, a análise quantitativa de conteúdo permite criar estatísticas reveladoras, o que proporciona úteis ferramentas de estudo: são «técnicas de ruptura» com os preconceitos (P. Bourdieu, Le métiers de sociologue, 1968, p.28).
Mas os estudos estatísticos não são miraculosos, apesar da «tendência para se adorar o estatístico como alguém que, com a ajuda de um computador mágico, pode fazer de qualquer estudo um estudo ‘científico’». Ora, «a estatística não é um método pelo qual se possa provar quase tudo o que se queira provar» (H. Blalock, Social Statistics, 1979, p.3). Em ciência, não se pode apresentar os dados como perfeitamente objectivos: menos ainda se for um organismo do Estado a analisar textos jornalísticos. Toda a análise quantitativa está imbuída de subjectividade, desde a escolha das unidades de análise até à interpretação dos dados, e tem um perigo enorme: faz «desaparecer» o texto analisado, ele deixa de existir.
Os cuidados devem ser redobrados na análise de textos televisivos. Numa investigação sobre TV do Centro de Estudo das Imagens e Sons Mediáticos da Universidade de Paris 3, os autores alertaram para o perigo de «constituir o seu corpus em função unicamente do critério quantitativo» e criticaram os investigadores que, «pior ainda, decidem não ver as emissões e fazer estatísticas, curvas e outros gráficos ‘às bolas’ sobre as emissões reveladas pela base de dados» (F. Jost, Compreendre la télévision, 2005, p.117).
Dois investigadores australianos contabilizaram as notícias de uma semana sobre crime: 109 ligavam negros e crime. Procurando um eventual enviesamento contra os negros, fizeram depois uma análise qualitativa: sobraram menos de 20%. O estudo quantitativo tapava esta realidade (J. Hartley e A. McKee, The Indigenous Public Sphere, 2000).
E a análise quantitativa longa como a que a ERC promete? Interessa para captar comportamentos estruturais, mas poucos trabalhos académicos sobre TV recorrem em exclusivo a este método, pois reconhecem-lhe as limitações. A tese de Nuno Brandão, Prime time. Do que falam as notícias dos telejornais (Casa das Letras, 2006) baseia-se só em investigação quantitativa. O autor só quis estabelecer «em que categorias temáticas dominantes são representadas as notícias dos noticiários» (p.152). As conclusões fornecem um útil quadro geral dos temas tratados pelos telejornais ao longo do tempo – mas não vão mais longe. O método não permitiria estabelecer enviesamentos de notícias concretas. Mas esse não era o seu objectivo. Já a tese de mestrado de Felisbela Lopes usou a análise de conteúdo para aplicar ao Telejornal e verificou que o material reunido «impossibilita alguns campos de exploração» (O Telejornal e o Serviço Público, Minerva, 1999, p.127). Por esse motivo a investigadora usou no doutoramento (2005), também sobre programas informativos da TV, métodos de análise qualitativos de forma a enriquecer a análise.
Não só no modelo quantitativo se perde o controle daquilo mesmo que se está a analisar – notícias individuais, com existência própria – como a análise pode ser feita de muitas maneiras, uma correctas outras incorrectas. A ERC já mostrou o que pretende com esta azáfama «científica» quantitativa: iludir, esconder, fingir que tudo está bem na RTP, ignorar os «momentos Chávez», na formulação de J. Pacheco Pereira, que correspondem à necessidade enorme do governo de transmitir ou omitir certas mensagens em certo momento.
Dois exemplos. Analisou um longo período sem incêndios para «provar» que um – repito um – noticiário estava perfeito. Ao alargar a análise e cobri-la de «ciência» estatística, a ERC quis esconder o que estava em causa, um único noticiário, e que deveria ter analisado (e não analisou!). Noutro caso, juntou por grosso 145 edições do Prós e Contras (RTP1) numa queixa motivada por uma edição. O alargamento permitiu embrulhar o caso específico com a generalidade. Nos dois casos, a ERC fez (mal) uma análise que não se lhe pedia para encobrir ou evitar a análise devida. A «aura de verdade» da investigação numérica (McKee, Textual Analysis, 2005, p.19) tem servido à ERC para enganar os partidos, mas não para enganar os jornalistas, que condenaram com veemência este documento (com uma única excepção, a do director de Informação da RTP. Ver DN, 10.05, e referência de Serrano no Clube de Jornalistas, 06.06).
A iniciativa da ERC é tão controleira que chamou a si um trabalho que o mercado em boa parte já oferece. Como referiu Rogério Santos no Clube de Jornalistas, a Marktest já faz uma análise quantitativa de noticiários, que poderia alargar sem custos adicionais para o contribuinte. De facto, a pesporrência da ERC sobre o seu estudo, como se tivesse descoberto a pólvora, omite que a Marktest apresenta análises quantitativas de noticiários desde Maio de 2002 e, incluindo protagonistas, desde 2004.

* * *

Se a análise quantitativa é desadequada ou insuficiente, como fazer? Análise qualitativa ou textual, única forma de colmatar as insuficiências da análise estatística no acesso aos significados e intenções dos textos. Eles podem ser analisados em detalhe porque «são, literalmente, provas forenses». Fornecem «pistas» (J. Harley, The Politics of Pictures, 1992, p.29). Sem essa análise, mais ou menos profunda, mais ou menos rigorosa, não é possível encontrar pistas que revelem significados profundos de textos específicos, sem se perder a sua especificidade numa amálgama estrutural de tendências a prazo, sejam 3 ou 30 meses.
Não conheço nenhum manual de estudos de televisão que limite a análise aos aspectos quantitativos. Um dos mais completos trabalhos nessa área (G. Orza, Programación televisiva. Un modelo de análisis instrumental, 2002) considera que a análise de conteúdo precisa da análise textual como «método complementar» porque «resolve a deficiência» da decomposição numérica e consideração isolada dos elementos do texto (pp. 79-80). Mas outros manuais concentram-se quase em exclusivo na análise qualitativa. Trata-se de uma evidência: nós não «vemos» seis meses de notícias nem as vemos decompostas em unidades. O que vemos e ouvimos são notícias uma a uma. Mas, como actualmente o governo tende a intervir em notícias concretas (é a forma actual de fazer propaganda e condicionamento) a ERC foge da análise qualitativa com o diabo da cruz. Prefere diluir num caldeirão de seis meses, para apagar as pistas. Para Artur Portela, a ERC cai «no abismo da quantificação de uma realidade eminentemente qualitativa.»
A ERC fala da análise qualitativa no documento, claro. Todavia, mistifica-a, como se viu na participação de Serrano no Clube de Jornalistas (RTP2, 06.06): a falada avaliação do «tom» das notícias (neutro, positivo, negativo) não passa duma avaliação quantitativa em séries longas de notícias sem comparação com a análise textual ou qualitativa.
Para se ver como a iniciativa da ERC é falaciosa no que toca à qualitativa nada melhor que... analisar qualitativamente o documento (em www.erc.pt).
Vejamos o índice numerado do documento. Nele encontramos algo muito estranho. O índice apresenta um ponto 6 com os «critérios de contagem das peças», isto é, a análise de conteúdo quantitativa, e um ponto 7 com o título «Indicadores a utilizar na avaliação qualitativa». Mas a bota não acerta com a perdigota. No corpo do texto, os números não correspondem aos do índice. Primeiro pensei que fosse gralha, mas não é, porque o ponto 7 do índice – a «avaliação qualitativa» − pura e simplesmente desapareceu no texto. A ERC promete no documento a avaliação qualitativa, o seu presidente e Serrano desdobram-se em declarações tipo road-show falando em avaliação qualitativa, o índice do documento (assinado pelos cinco membros da ERC!) indica que há uma parte sobre avaliação qualitativa − mas ela foi apagada do texto. Este documento da ERC engana os partidos, a RTP e os portugueses: afirma que tratará da análise qualitativa mas essa parte do documento não existe.

* * *

Resumindo, este documento da ERC é:
- Incompetente, baseado em modelos académicos insuficientes para a análise de textos televisivos.
- Enganador, ao apagar do texto um ponto essencial que consta no seu índice.
- Abusivo, ao extravasar as competências do Estado na análise concreta de textos jornalísticos.
- Atentatório da liberdade por fazer a priori um condicionamento do trabalho de jornalistas, o que será mesmo anticonstitucional.
- Servidor dos partidos, ao avaliar a informação para e através deles, os donos do sistema.
- Malicioso, pois visa deixar passar todos os eventuais casos concretos de condicionamento político da informação na RTP.
A iniciativa da ERC é um atentado à liberdade de informação; ao mesmo tempo, visa ilibar, como no passado, quaisquer casos de condicionamento político de informação na RTP. O resultado do documento torna-se «um terrorismo virtuoso», como o classifica Artur Portela, pois visa condicionar a independência jornalística que é elemento estruturante do próprio pluralismo de que a ERC se propõe ser guardiã.

Eduardo Cintra Torres, in Público, 09/06/2006

WORKSHOP SOBRE A WEB 2.0

(faltam 4 dias para a inscrição, agora até 14 de Junho)

Workshop web 2.0
Introdução à blogosfera e uso dos meios sociais
Coordenação José Luis Orihuela*
Lisboa 22 de Junho 2007, Porto 23 de Junho 2007

Data: 22 de Junho de 2007
Horário: 9h30 às 17h00
Local: Lisboa

Conteúdos Programáticos:

Primeira Parte:
Introdução à Blogosfera
• Conceito, estrutura e funções do blogue
• Dinâmica da blogosfera
• Chaves para criar e manter um blogue de êxito

Segunda parte:
Uso de meios sociais no jornalismo e na educação
• Filosofia e ferramentas da Web 2.0
• Exploração e uso de recursos na internet para jornalistas e comunicadores
• Exploração e uso de recursos na internet para investigação e docência

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Data: 23 de Junho de 2007
Horário: 15h00 às 19h00
Local: Porto

Conteúdos Programáticos

Introdução à Blogosfera
• Conceito, estrutura e funções do blogue
• Dinâmica da blogosfera
• Chaves para criar e manter um blogue de êxito


DATA LIMITE PARA INSCRIÇÂO: 11 de Junho de 2007

*José Luis Orihuela Colliva é doutorado em Ciências da Informação, professor na Faculdade de Comunicação da Universidade de Navarra, autor do blogue eCuaderno.com e do livro "La revolución de los blogs" (La Esfera de los Libros, Madrid, 2006). Participou em conferências, cursos e workshops em mais de vinte países, é júri internacional dos prémios Best of the Blogs da Deutsche Welle, colunista na revista Tiempo ("Blogosfera") e co-autor de "Blogs. La conversación en Internet que está revolucionando medios, empresas y ciudadanos" (ESIC, Madrid, 2005) e "Comunicar para crear valor" (Eunsa, Pamplona, 2004).

Mais informações em aqui

MUSICALIDADES - CARLOS GARDEL




Recordando...

sábado, junho 09, 2007

OS JORNALISTAS, segundo Adelino Gomes (V e VI)

A cunha e o mérito


A empresa e o monopólio

quinta-feira, junho 07, 2007

MUSICALIDADES - ASTOR PIAZZOLA



Nasceu em 11 de março de 1921, em Mar del Plata, Argentina.
Faleceu em 4 de julho de 1992, em Buenos Aires, Argentina.

Welcome to the Astor Piazzolla Listening Booth!

Mi Buenos Aires Querido . Neste site, tem breves resenhas sobre Maradona, Borges, Guevara, Fangio e outros.

O JORNALISMO E NÓS - Jornalistas

JORNALISTAS, segundo Adelino Gomes
O livro Os Jornalistas Portugueses, Dos problemas da inserção aos novos problemas profissonais, de Sara Meireles, foi apresentado recentemente na Bulhosa, em Lisboa. O livro foi apresentado por Adelino Gomes, Cristina Ponte e José Luís Garcia e foi editado pela MinervaCoimbra.





terça-feira, junho 05, 2007

PROVAS E SABERES

Há agora muitos "rosés" e espumantes. Sabe porquê? Sabe o que é sangrar a cuba? Sabe o que são concentradores de que os enólogos não gostam muito de falar? Eis um excerto do que o João Paulo Martins nos disse, num curso organizado pelo Clube de Vinho, na York House. As provas, só ao vivo....



E faz ideia de que como se produz vinho no Chile e noutros países do novo mundo?

O JORNALISMO E NÓS - PROVEDORIAS Hoje, no DN

VALE TUDO?

José Carlos Abrantes
provedor@dn.pt

O leitor Carlos Fonseca interrogou o provedor a propósito de uma notícia que, em parte, transcreve um acórdão do Supremo Tribunal de Justiça. "A 'pérola' que acima reproduzo pode ser lida na pág. 12 do DN, de 30 de Maio, (....) em peça com o título: 'Abusar de jovem de 13 anos é de 'ilicitude mediana'.' A questão que me ponho, e que lhe ponho, é se era necessário citar o que julgo ser parte do acórdão do STJ para informar os leitores sobre a substância do mesmo. As frases mencionadas serão indispensáveis à elaboração da peça jurídica, tendo em atenção o que estava em causa no Supremo. Transcritas para uma folha de jornal, acessível a toda a gente, não passam de pornografia. E, que eu saiba, por muito que o jornalismo dito de referência vá resvalando (sabe-se lá até onde, numa época em que os valores comerciais parecem sobrepor-se aos jornalísticos), o DN ainda é um jornal respeitável. E, como diria o saudoso Diácono Remédios, não havia necessidade. O facto está aí, e fica à sua consideração."

O leitor tem razão. Um jornal não pode ser o repositório da licenciosidade verbal, mesmo se esta tiver origem na verdade jurídica que caracteriza uma sentença. Ao DN acede o grande público. Isto exige que o jornal seja escrito com ponderação.

Neste caso, não recebi resposta da jornalista - uma profissional que sempre respondeu noutras ocasiões em que a tenho interrogado. Também não recebi respostas dos editores e dos directores que têm responsabilidades na resposta ao provedor e na elaboração e fecho das notícias.

Uma leitora protesta por uma questão afim. "Sou leitora do vosso diário e analiso vários temas, crónicas, publicidade a conferências e espectáculos... enfim procuro actualização. Também utilizo a secção 'Anúncios Classificados', tanto como leitora como enquanto utilizadora. Quando solicito uma publicação verifico, no dia, a sua correcta inserção; abro apenas a página correspondente. Ontem, 14 de Maio de 2007, por acaso iniciei este suplemento pela última página e anteriores. Fiquei atónita!

A penúltima página apresentava fotografias coloridas de corpos femininos em posições de carácter sexual de dimensões iguais às, por exemplo, dos automóveis para venda. Embora havendo liberdade de imprensa, considera adequada a sua inserção no jornal ? Não seria mais lógico o tema 'relax-massagens' ser encaminhado para revista ou jornal da especialidade? Como poderemos deixar as crianças ler calmamente o Diário de Notícias?"

É um caso diferente. Estou de acordo com a leitora. O tom escabroso dos anúncios poderá chocar crianças e outros leitores. O Diário de Notícias parece esquecer que é uma das mais antigas marcas de Portugal. A gestão da valia da marca deveria levar a critérios de exclusão rigorosos. O mau gosto não pode invadir uma pequeníssima parte das páginas de um dos mais prestigiados órgãos de imprensa portugueses. Será que a rentabilidade de um jornal não será maior se a sua publicidade for seleccionada, com exigência, com critérios equivalentes aos do seu jornalismo, na opinião como nas notícias?

Lembro que, numa crónica de 3 de Abril de 2007, já tinha dado razão ao leitor Luís Franco Nogueira, que se queixava da insistência com que o Diário de Notícias estava a tratar de tais questões. Parar com este relax seria um sinal de bom senso.

Deixo para a última crónica algumas reflexões sobre os editores e o papel que desempenham no jornalismo de hoje. A este propósito, quero prestar homenagem a António José Teixeira, o director que foi mais cooperante nas respostas ao provedor. Também foi o director, dos quatro com quem trabalhei, que reconheceu mais vezes os erros do jornal e aquele que mais assumiu, como sendo de sua responsabilidade, os erros de jornalistas, dos editores e do jornal. Reconheço que João Marcelino foi o director que menos tempo teve para poder acertar tempos e reacções com o provedor. Paradoxalmente, reconheço também que foi com o actual director que mais avancei nas questões de fundo relativas ao jornal. Deixo o desejo de que o diálogo entre o novo provedor, o director, os editores e os jornalistas sobre as interrogações dos leitores possa ser mais eficaz e ganhe mais vivacidade.

BLOCO-NOTAS

A opinião no DN

Já anteriormente dei conta das transformações ocorridas no DN, desde Março, em matéria de opinião. Julgo que este tem sido um calcanhar de Aquiles para o jornal nos três anos do meu mandato. Importa salientar algumas tendências recentes:

1) O editorial deixou de ser assinado individualmente. Sou favorável a um jornalismo com menos protagonismo e, por isso, acho esta evolução interessante.

2) Nas páginas onde aparece o editorial há também um artigo de opinião. O espaço destinado ao correio dos leitores ganhou maior visibilidade e diversidade. Algumas curiosidades e ilustrações completam a página. Julgo que os leitores passaram a dar maior atenção ao editorial, à crónica diária e às opiniões dos leitores.

3) Alguns artigos de opinião são escritos por jornalistas no activo da escrita noticiosa. Esta tendência, já antiga, ganhou agora maior visibilidade. Não a aplaudo, embora me faltem argumentos para defender o afastamento dos jornalistas, sobretudo "seniores" ou muito qualificados, do terreno da opinião. Mas julgo que os jornais e os órgãos de comunicação social teriam mais vantagem em recorrer a figuras externas, prestigiadas, para contratar os seus colaboradores regulares, pelos menos, nas crónicas. Primeiro, os jornalistas são especialistas da escrita de notícias. Segundo, os jornalistas são maus juízes de si próprios. Terceiro, os jornalistas, em Portugal, não são, em geral, especialistas dos assuntos. Em suma: considero mais saudável para um jornal de prestígio a contratação de especialistas externos em vez da solução mais barata de colocar a prata da casa como fazedora de opinião. A diversidade das opiniões aconselha a leques alargados de colaboradores e não ao recurso exaustivo a um colaborador ou a um jornalista com vocação mais versátil. Um jornal é um espelho de uma nação, das forças que a pensam e que a fazem agir.

O jornalismo opinativo é um género bem implantado na imprensa. O editorial é um dos seus expoentes, mas há o comentário, a coluna, a caricatura, por exemplo. Pena que o comentário pontual seja tão poucas vezes usado na imprensa portuguesa, mais habituada a colunas duradouras.

4) Importa sublinhar que o DN continua a ter, na opinião: à segunda-feira, Mário Bettencourt Resendes, jornalista, e João César das Neves, professor universitário; à terça--feira, Adriano Moreira, professor universitário, João Miguel Tavares, jornalista, e o provedor dos leitores; à quarta-feira, Baptista-Bastos, escritor e jornalista, e Vasco Graça Moura, escritor; à quinta-feira, Pedro Lomba, jurista, e Maria José Nogueira Pinto, jurista; à sexta-feira, Fernanda Câncio, jornalista, e António Vitorino, jurista; ao sábado, João Miranda, investigador em biotecnologia e Anselmo Borges, padre e professor de filosofia; ao domingo, Ferreira Fernandes, jornalista, Alberto Gonçalves, sociólogo, Nuno Brederode Santos, jurista, e João Lopes, crítico de cinema. Ferreira Fernandes assina uma coluna diária, excepto ao domingo. Nas últimas semanas, Sena Santos, consagrado jornalista de rádio, passou a assinar colaboração, todos os dias da semana excepto ao domingo.

É certo que saíram vários colunistas prestigiados, alguns com provado "amor à camisola". A matriz anterior estimulou um DN em que a opinião era mais diversificada. Encontrará o DN o equilíbrio em mais e melhores notícias servidas por opiniões influentes e fundamentadas? Assim desejamos.

segunda-feira, junho 04, 2007

PROVAS E SABERES

Há agora muitos "rosés" e espumantes. Sabe porquê? Sabe o que é sangrar a cuba? Sabe o que são concentradores de que os enólogos não gostam muito de falar? Eis um excerto do que o João Paulo Martins nos disse, num curso organizado pelo Clube de Vinho, na York House. As provas, só ao vivo....



E faz ideia de que como se produz vinho no Chile e noutros países do novo mundo?

MUSICALIDADES

ADRIANA CALCANHOTO

sábado, junho 02, 2007

MUSICALIDADES

SERGE GAINSBOURG- La chanson de Prévert

NINA SIMONE Four Women

sexta-feira, junho 01, 2007

1001 RAZÕES PARA GOSTAR DE PORTUGAL

Para Público de ontem, no sobe e desce, só havia sobe, sem desce. Nani, Nuno Crato e Isabel Alçada eram actores das tais razões que nos lembram um Portugal em mutação. Mas na página 14 vinha ainda o seguinte destaque:

Portugal é o nono país mais seguro do mundo num ranking da Economist.

Esqueçomo-nos, frequentemente, que a nossa situação, em certos domínios, não é boa: é privilegiada.