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sábado, dezembro 09, 2006

NÃO APAGUEM A MEMÓRIA

No Expresso saído no dia 8, foi publicado este artigo de José Pedro Castanheira, que assinala algum distanciamento do PCP em relação a esta cerimónia.

"Movimento "Não Apaguem a Memória!" PCP ausente da cerimónia no Tribunal Plenário
José Pedro Castanheira

Cerimónia promovida pelo movimento cívico reuniu algumas centenas de pessoas
de vários quadrantes políticos e figuras do Esatdo democrático.
O movimento "Não Apaguem a Memória!" nasceu por causa de uma polémica com o edifício sede da PIDE/DGS, na Rua António Maria Cardoso, em Lisboa quinta-feira, 07 DEZ 06

O PCP recusou o convite que lhe foi endereçado para estar presente na cerimónia que quarta-feira teve lugar na sala do antigo Tribunal Plenário da Boa-Hora, em Lisboa, onde foram julgados e condenados numerosos democratas que se opunham à ditadura de Salazar e Caetano. À cerimónia, promovida pelo movimento cívico "Não Apaguem a Memória!", acorreram algumas centenas de pessoas de vários quadrantes políticos, que encheram por completo aquela sala, onde hoje funciona a 6º Vara Criminal do Tribunal da Boa-Hora. Também o Estado democrático esteve presente a alto nível, através do presidente do Tribunal Constitucional, Artur Maurício, e do Ministro da Justiça, Alberto Costa, enquanto o presidente da Assembleia da República, Jaime Gama, enviou uma mensagem, o mesmo acontecendo com o ex-presidente Mário Soares. Presentes ainda deputados do PS e do Bloco de Esquerda.

Muito notada foi a ausência de qualquer dirigente ou deputado do PCP, que assim confirmou o seu distanciamento em relação a este movimento cívico, que congrega um leque muito amplo e plural de correntes anti-fascistas. Mas se a direcção do partido se alheou da iniciativa, o mesmo não aconteceu com algum militantes, como o historiador António Borges Coelho, que aliás usou da palavra, e com numerosos dissidentes comunistas, como Raimundo Narciso.
Presentes ainda alguns militares habitualmente conotados com os comunistas, como o almirante Martins Guerreiro e o coronel Duran Clemente.
A cerimónia teve início com o descerrar de uma lápide no átrio da sala, gesto em que participaram dois ex-presos políticos, o socialista Edmundo Pedro e o católico Nuno Teotónio Pereira. "Aqui funcionou o "Tribunal Plenário", onde entre 1945 e 1974 - período da ditadura - foram condenados inúmeros adversários do regime (...) A justiça e os direitos humanos não
foram dignificados", lê-se na lápide. António Borges Coelho lembrou que aquele tribunal, inteiramente dominado pela Pide/DGS, "condenava as vítimas a anos e anos de prisão, a que acrescentava as medidas de segurança de seis meses a três anos, renováveis tantas vezes quantas a polícia política decidisse com a dócil assinatura" dos juizes.

Muito emocionada foi a intervenção de Macaísta Malheiros, que, enquanto advogado, defendeu numerosos presos políticos naquela mesma sala. Agora magistrado, Malheiros evocou "as centenas de réus que por aqui passaram", entre os quais mencionou militares, comunistas, católicos, camponeses, estudantes. Neste seu elenco ficaram de fora presos de outros quadrantes, como socialistas e republicanos, sociais-democratas e anarquistas. Citou longamente a descrição daquele tribunal plenário feita por Aquilino Ribeiro, em "Quando os Lobos Uivam". Muito aplaudida foi a crítica implícita ao comportamento de alguns juizes na actualidade.

Em nome dos promotores falou Cláudia Castelo, para frisar que esta foi "a primeira concretização pública dos objectivos do movimento". Outros objectivos são a "dignificação de locais simbólicos da repressão", com destaque para as cadeias do Aljube, Peniche e Caxias, do campo de concentração do Tarrafal e da sede da PIDE/DGS. Foi por causa deste edifício, na Rua António Maria Cardoso, em Lisboa, que nasceu o movimento "Não Apaguem a Memória!", na sequência de um protesto realizado há pouco mais de um ano contra a transformação daquele imóvel de má memória num condomínio fechado. "


Também a Professora Ana Prata no blogue De dentro do exterior se demarca das críticas de José Pacheco Pereira.