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terça-feira, novembro 07, 2006

A FÁBRICA DO OLHAR Excerto Capítulo XIV

Capa do Livro A Fábrica do Olhar
Capítulo XIV A IMPRESSÃO Secondo Pia, 1898

No último terço do século XIX, o estatuto científico da fotografia reforça-se. O caso do santo sudário é revelador da instalação de uma paradigma fotográfico: por efeito da nova imagem, o olhar sobre a peça de pano muda. Os mecanismos da prova alteram-se.

Questões

Desde o seu aparecimento em 1357, na pequena aldeia de Lirey, em Champanha, perto de Troyes, o santo sudário preocupou as autoridades eclesiásticas. Dois bispos proibiram vigorosamente a exposição da tela de linho que, alegadamente, terá envolvido o corpo de Cristo após a sua retirada da cruz. Por meio de uma carta enviada ao papa, um deles pedira a promulgação de uma bula: «O sudário era apenas uma cópia, uma simples reprodução da mortalha de Cristo e não a própria mortalha.» Em seguida, o pano passou de Lirey para Sabóia. Teve proprietários poderosos. «Tornava-se ou voltava a tornar-se autêntica. » A pouco e pouco, o interesse desvaneceu-se.
Tudo iria mudar em 1898 com as primeiras fotografias da alegada impressão do corpo de Cristo. Ao substituir a própria tela, a imagem fotográfica oferece finalmente a possibilidade de uma análise cuidadosa. Causa, sobretudo, uma surpresa considerável ao revelar factos inesperados. Invertendo as zonas escuras e as zonas claras, os negativos fazem aparecer de maneira flagrante o desenho de um rosto. Inegável impressão de realidade: os olhos fechados com um círculo branco do positivo recuperam um aspecto normal no negativo. E, tal como num verdadeiro rosto, a sombra do nariz, esbatida nas bordas, torna-se mais clara no centro. As manchas e as impressões vagas da tela de linho dão lugar a um «homem verdadeiro», cuja cabeça emerge de uma semi-obscuridade. O negativo fotográfico parece imitar uma realidade; em contrapartida, o próprio pano parece o negativo de um corpo humano.