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quinta-feira, novembro 02, 2006

A FÁBRICA DO OLHAR Excerto Capítulo XII

Capa do Livro A Fábrica do Olhar
Capítulo XII FIGURAS DO GALOPE Eadweard Muybridge, 1872

Em 1872, Eadweard Muybridge realiza a primeira fotografia de um cavalo a galope. Nos Estados Unidos, há uma mistura de incredulidade e entusiasmo. Na Europa, impera o cepticismo. O desafio técnico é considerável: o processo a colódio húmido, que Muybridge manipula com destreza, necessita, quando o Sol brilha, de um tempo de exposição de cerca de dez segundos. Obter uma imagem de um cavalo a galope que não seja totalmente desfocada representa uma proeza. As primeiras experiências são, aliás, insatisfatórias, apesar da extrema velocidade dos obturadores desenvolvidos por Muybridge. Este afirma ter obtido nesta época velocidades de 1/500 de segundo.
No dia 19 de Outubro de 1874, o San Francisco Examiner noticia um drama: Muybridge foi acusado de homicídio. Matou um homem chamado Larkins, que supõe ser o pai do seu filho. O fotógrafo é detido e julgado. Beneficiando de amizades e apoios consideráveis, nomeadamente de Lelan Stanford, governador da Califórnia, com quem fizera as fotografias de cavalos, é libertado. No entanto, o caso lança sobre ele uma terrível suspeita.
Após um interregno de alguns anos, Muybridge retoma os seus trabalhos e, no dia 2 de Agosto de 1877, envia ao jornal Alta California uma fotografia do cavalo Occident. O cavalo trota à velocidade de 36 pés por segundo, a uma distância de 40 pés da máquina fotográfica, e a imagem é quase nítida! A proeza justifica-se pelo melhoramento simultâneo da velocidade dos obturadores através de um sistema eléctrico e da sensibilidade do colódio. «A duração da exposição – avaliada em 1/1000 de segundo – foi determinada com relativa precisão graças à imagem um tanto indistinta do chicote do condutor: este não teve tempo de percorrer uma distância igual ao diâmetro do seu cabo. »
Não seria exacto afirmar que a fotografia de Occident foi acolhida em toda a parte com o mesmo entusiasmo. A prova, tal como a maioria das fotografias de Muybridge, fora retocada. O público, os invejosos e os incrédulos sabiam-no. Indeciso entre o rigor da experimentação científica e a preocupação de agradar pela realização de «belos» retratos de cavalos, Muybridge não resistiu ao desejo de fazer retoques, como o costumava fazer nas fotografias de paisagens.