PORTUGAL SERÁ� MELHOR

  • - se a casa de Aristides de Sousa Mendes fôr reconstruída para um projecto ligado com a sua vida
  • - se houver mais locais para pôr as mãos na massa
  • - se cada um de nós Ler +
  • - se cada um de nós respeitar os passeios como lugar de trânsito dos peões, sobretudo dos que têm menos mobilidade
  • - se for mandado para as urtigas o princí­pio, muito vulgarizado: Tudo pelos amigos, nada pelos inimigos. Aos outros aplica-se a lei. É mais simples e justo se a todos se aplicar a lei.

POR UM JORNALISMO MELHOR

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domingo, novembro 26, 2006

PALAVRAS QUE NÃO MORREM

"A Antonin Artaud
I
Haverá gentes com nomes que lhe caiam bem.
Não assim eu.
De cada vez que alguém me chama Mário
de cada vez que alguém me chama Cesariny
de cada vez que alguém me chama de Vasconcelos
sucede em mim uma contracção com os dentes
há contra mim uma imposição violenta
um cutilada atroz porque atrozmente desleal.


Como assim Mário como assim Cesariny como assim ó meus Deus de Vasconcelos? (...)


As mestiçagens assentam-lhe bem.

terça-feira, novembro 21, 2006

Entre/ VISTAS

Foi apresentado ontem o livro Entre/Vistas de Maria João Seixas, na Fnac Chiado.MJS EntreVistas,.

Julgo que fica bem assinalar no Mestiçagens um livro que todo ele é de saberes cruzados e sensibilidades variadas.

Luís Osório apresentou a obra perante uma assistência na qual, além de alguns dos entrevistados, estiveram presentes Maria Barroso e Mário Soares.



A Maria João agradeceu...

segunda-feira, novembro 20, 2006

UM NOVO LIVRO, HOJE EM COIMBRA


De que forma é que os jornais online utilizam o hipertexto e o multimédia? Como é que as edições online lidam com as dimensões Espaço e Tempo das notícias? Que informação é disponibilizada nos meios online? As edições em papel e online disponibilizam as mesmas notícias? A resposta a estas e outras questões podem ser encontradas no livro "Diários Generalistas Portugueses em Papel e Online", de António José Silva, cujo lançamento vai decorrer no dia 20 de Novembro de 2006, pelas 21h, na Livraria Almedina - Estádio, em Coimbra. A apresentação do livro está a cargo de António Granado, jornalista do Público e autor do blog Ponto Media.

Papel versus on line: uma guerra ou uma cooperação? Prefiro as mestiçagens...

sábado, novembro 18, 2006

ÉTICA, TECNOLOGIA E CULTURA

Andy Miah tem um blogue sobre ética, tecnologia e cultura.

sexta-feira, novembro 17, 2006

PROJECTO PARA A EXCELÊNCIA NO JORNALISMO

Reactivei o blogue Os Media, o Jornalismo e Nós onde lancei o seguinte desafio:

"Na última crónica que escrevi no DN, na passada terça feira dia 15, defendi que seria interessante Portugal ter um Projecto para a Excelência no Jornalismo.
Será que tem sentido tentar levar à prática esta ideia? Porquê? O que deveria ser feito nesse projecto? Como se poderia iniciar e desenvolver esta iniciativa?
Na era da internet, a opinião de cada um pode ser facilmente expressa e publicada. Se receber resposta sobre o assunto, assim o farei no meu site e/ou blogue (salvo indicação em contrário)."

MISTURAS


bem vindas, no PS...francês.

FALAR DE IMAGENS III

quinta-feira, novembro 16, 2006

HOJE, FALAR DE IMAGENS III

Folhetoexterior

Pedro Ornelas fez estas as fotografias na esquina do Largo Camões, em Junho. Podemos fotografar assim sem ilegalidade ou violação de princípios éticos? E publicar na net ou numa exposição? Ou mesmo ganhar directa ou indirectamente dinheiro com imagens “roubadas”? Não me refiro directamente ao Pedro Ornelas, mas a outras situações que se tornaram hoje moeda corrente na indústria dos media e no mundo dos blogues.
Se for ao blogue O Céu sobre Lisboa encontrará 37 comentários à publicação destas fotos e alguns problemas que serão retomados no debate de amanhã, seguramente.

Foto de Pedro Ornelas

Foto de Pedro Ornelas

Foto de Pedro Ornelas

Foto de Pedro Ornelas

Aqui encontra um texto, The Theater of the Street, the Subject of the Photograph, sugerido por Pedro Ornelas para o debate.

FALAR DE IMAGENS III
DIREITO À IMAGEM

Dia 16 de Novembro, 5a feira, às 19h

O que está consagrado na lei portuguesa sobre as imagens? Teremos direito e possibilidade de nos opormos a que outros nos transformem em imagens? Ou a liberdade de expressão é um valor acima de outrops condicionalismos?

Adriano Miranda, fotojornalista
Francisco Teixeira da Mota, advogado
Depoimento de Pedro Ornelas.
Moderador: José Carlos Abrantes

Na Livraria Almedina, Atrium Saldanha

Organização José Carlos Abrantes e Livraria Almedina

Mais informações aqui.

quarta-feira, novembro 15, 2006

POR UM JORNALISMO DE EXCELENCIA

Coloquei comentários ao texto no Os Media, o Jornalismo e Nós

PROVEDORIAS no DN

Por um projecto de excelência
José Carlos Abrantes

Talvez instituições de prestígio possam compreender que, sem jornalismo de excelência, dificilmente haverá excelência na política, na saúde, na educação, na vida cívica. Porquê? Porque o jornalismo define hoje o essencial da imagem pública de quase todos os aspectos da vida social.

Pode ler o texto integral aqui.

No domingo, no Público Rui Araújo escreveu uma crónica sobre o modo como o Público tratou a caso Miguel Sousa Tavares.

SEMINÁRIO INTERNACIONAL DO CIMJ

Na sessão de encerramento, o Ministro dos Assuntos Parlamentares, partiu de uma definição de democracia e das consequências para os jornalistas de estarem no seu interior. Tenho vários excertos do discurso (You Tube obriga a ter menos de 5 minutos..). Tenho também muitos excertos de outros oradores. Vou colocando como me fôr possível, à medida do possível

segunda-feira, novembro 13, 2006

SEMINÁRIO INTERNACIONAL DO CIMJ Media, Jornalismo e Democracia

Passou como um meteoro o primeiro dia do Seminário. No comentário da primeira mesa da manhã José Pacheco Pereira socorreu-se do título de um filme, Vêm aí os Russos, uma comédia do tempo da guerra fria, para dizer que hoje estamos numa situação análoga. Quem são os russo de hoje? As massas que acordaram e estão a pôr em causa os tradicionais equilíbrios.

No seu comentário, José Pacheco Pereira lembrou que a escola continua a viver apenas do mito do ler, escrever e contar. E já há muito teria sido preciso juntar outras literacias: "saber ver televisão e saber procurar na internet." Será que a evidência não penetra na 5 de Outubro, governo após governo? Estamos num mundo globalizado a deixar fragilizar, com a nossa passividade, as crianças e jovens do século XXI.

domingo, novembro 12, 2006

SEMINÁRIO INTERNACIONAL DO CIMJ

Dia 13 e 14 de Novembro, na Escola Superior de Comunicação Social.




Ver o programa em SÓ TEXTOS.

sábado, novembro 11, 2006

MOTORES DE PESQUISA

Experimente uma lógica diferente aqui

LEILÃO DE FOTOGRAFIAS

Leilão foto CCB

Voltei ao CCB. E tive o gosto de licitar, do despique, de desistir e de avançar. Acho que no próximo leilão me vou preparar melhor.

sexta-feira, novembro 10, 2006

A FÁBRICA DO OLHAR Excerto Capítulo XV

Capa do Livro A Fábrica do Olhar
TERCEIRA PARTE A imagiologia Capítulo XVI RADIOGRAFIAS

Antoine Béclère (1856-1939)
Os raios X são descobertos no fim de 1895; a partir de Janeiro de 1896, a notícia corre como um rastilho de pólvora. Ninguém suspeita dos perigos desta «fotografia da sombra». Os caricaturistas exultam: ver – finalmente! – o feto no corpo da mãe, os pensamentos dos políticos ou a mulher no quarto adúltero... Em 1897, os médicos Oudin e Barthélemy, colaboradores de Antoine Béclère, descrevem os primeiros incidentes cutâneos e viscerais com origem no uso repetido dos tubos emissores de raios. Na charneira dos dois séculos, a segurança dos médicos não deixa de diminuir à medida que aumenta o poder dos aparelhos. A protecção dos doentes, em contrapartida, é mais rapidamente levada em conta.
A imagem da mão de Bertha Röntgen, realizada em 22 de Dezembro de 1895 pelo físico Wilhem Conrad Röntgen, abalou a Europa. Ao mobilizar a imprensa internacional, contribuiu para a difusão da descoberta. Pela primeira vez, o olho acedia ao interior do corpo vivo. Pela primeira vez, a máquina de visão via melhor do que o olho humano: a chapa sensível fotográfica captava à distância raios invisíveis. A imagem da mão anelada, enquadrada como uma simples «vista», abria caminho para um diálogo entre o real e a máquina produtora de raios.

A ERC reage à Direcção Editorial do Público

Conselho Regulador da Entidade Reguladora para a Comunicação Social
Nota à Imprensa 11/2006
ASSUNTO: Editorial do jornal “Público” de 10 de Novembro de 2006

1. O “Público” dedica hoje o seu editorial às “competências da ERC”, a propósito de uma deliberação que obriga aquele jornal à republicação do direito de resposta de Rui Rio, Presidente da Câmara Municipal do Porto. As afirmações contidas no editorial referido impõem algumas considerações e esclarecimentos.

2. O “Público” mostra desconhecer, ou recusa conhecer, que entre as competências da ERC se encontra a de “assegurar o livre exercício do direito à informação e à liberdade de imprensa” e de “fazer respeitar os princípios e limites legais aos conteúdos difundidos pelas entidades que prosseguem actividades de comunicação social, designadamente em matéria de rigor informativo e de protecção dos direitos, liberdades e garantias pessoais” (art. 8.º al. a) e art. 24.º, n.º 3, al. a), dos Estatutos da ERC).

3. Tivesse o “Público” feito uma consulta, mesmo que ligeira, a estas normas riatividade autoral”, serão tanto mais inaceitáveis – como sucedeu no caso concreto quando se destinam, de forma objectiva, a ir contra os direitos de cidadãos, que não dispõem muitas vezes de outro meio de defesa perante um jornal que não seja através do instituto do direito de resposta.

8. Quanto às alegadas violações da liberdade de criação e de expressão, nem se justifica comentário desenvolvido. A liberdade de imprensa não pode traduzir-se na violação da liberdade de expressão de que são titulares os cidadãos, sejam eles detentores de cargos públicos, jornalistas ou o cidadão mais anónimo.

9. Nesta medida, não deve o jornal “Público” esperar que o Conselho Regulador lhe dê contributo na sua aparente tentativa de vitimização.

10. O Conselho Regulador da ERC esclarece, a concluir, não ser parte na polémica entre o “Público” e o Presidente da Câmara Municipal do Porto. Não podendo, como é óbvio, aceitar que aquele jornal tente envolvê-lo em tal contenda.

11. Mas o Conselho Regulador não deixará de, por sua iniciativa ou mediante solicitação de uma ou de ambas as partes, exercer as competências que os seus Estatutos e outras normas em vigor lhe atribuem. Por muitas e mais ou menos “criativas” que sejam as formas de que o Público se socorra para protestar.

Lisboa, 10 de Novembro de 2006.


Nota Gostaria de publicar o editorial de hoje. No entanto, não o encontro no site do Publico.

COM A LUPA NA MÃO

ECT Capa
José Carlos Abrantes
Texto que usei na apresentação do livro de Eduardo Cintra Torres, Anúncios á Lupa: Ler publicidade, Lisboa, Editorial Bizâncio, 2006
Livraria Barata, dia 9 de Novembro de


É boa ideia escrever sobre publicidade.


1 É boa ideia porque as palavras são como as cerejas. Ou seja: a publicidade ocupa um lugar importante na vida de hoje. Basta ver os orçamentos das grandes empresas e a copiosas fatias que estas gastam com a publicidade. Ainda recentemente, um cronista do Público, Francisco Teixeira da Mota, mostrava que os 16 milhões de euros da CGD aplicados numa campanha à volta do futebol devem ser questionados pela sua dimensão social. A comparação com a carência de investimentos e ajudas em sectores tão desprezados como é o caso da protecção da infância é gritante e incomodativa. Dizia o cronista: “ É chocante que um banco de capitais públicos gaste tantos milhões de euros com o seleccionador e a selecção (?) de futebol e haja tantos miúdos que andam a dar pontapés na vida e a levar pontapés da mesma vida, por não haver meios financeiros para lhes “ensinar” e “permitir” outras coisas. Sendo certo que tudo será pago a dobrar, mais à frente.” Este aspecto não é uma preocupação deste livro, mas a discussão pública destes assuntos começa numa ponta e não se sabe em que ponta acaba. E isso é um mérito da discussão publica que se pode associar a esta publicação, pois...as palavras são como as cerejas. .
O lugar da publicidade é tão importante nas sociedades modernas que há quem considere que os patrões da publicidade são os novos capitães da consciência, tal como outrora houve os capitães da indústria (os patrões clássicos). Ewen, autor de uma obra importante sobre este tema, considera que a publicidade cria o espectáculo da mudança (mudar de carro, de roupa, de modelo de televisão ou de computador). A publicidade incentiva desenfreadamente o consumo e torna o cidadão apenas consumidor, avesso a participar em mudanças mais profundas e socialmente necessárias. Ewen tem um pensamento anti-capitalista radical, mas nem por isso deixa de ser interessante o que escreve. Por isso também é importante haver quem escreva sobre publicidade, para não deixar os capitães sozinhos, se esta análise é certeira.

2 Por outro lado, uma imagem vale mil palavras. Ou seja, uma parte significativa da publicidade gira à volta das imagens, das indústrias visuais. Terá sido esta a razão que levou o Eduardo a convidar-me para esta apresentação, sabendo do meu gosto e de alguma reflexão que tenho produzido à volta destas questões.
É cada vez mais importante pensar as imagens que nos rodeiam, lê-las, falar delas em voz alta, dar lugar a leituras várias e plurais que estas sugerem. A publicação feita nos últimos dias no jornal de Negócios é exemplar neste aspecto e deveria ser seguida mais vezes. Por exemplo hoje, a crónica do ECT é contraditada por um texto do autor da campanha criticada – a do Euro 2004- e o livro é enquadrado por um texto do Professor Rogério Santos, aqui presente. Ou seja, a uma só imagem correspondem vozes plurais. Deveria ser sempre assim, para evitar a fixação de um sentido ex cátedra, um sentido único, que as imagens não têm. A vida das imagens é feita de pluralidade de leituras e é nessa pluralidade que estas vivem e se realizam.

Duas boas razões portanto:
1 desencadear a discussão à volta da publicidade em várias dimensões - mesmo as que não estejam directamente contempladas no livro, nomeadamente a discussão ideológica sobre os papéis e as funções sociais da publicidade.
(Outro aspecto interessante neste domínio seria questionar se, ao contrário do que Eduardo Cintra Torres me parece defender, a publicidade desempenha apenas um papel de propaganda ou também tem um valor informativo escondido. Não me quero referir à destrinça que opõe a publicidade ao jornalismo, mas sim ao efeito sobre as pessoas que consomem publicidade).
2 O livro aproveita o peso das imagens na publicidade para as discutir, questionar e pensar. Nunca é demais pensar as imagens, o que estas são, como são fabricadas, por quem, em que contextos, por que dispositivos são criadas e difundidas. Só por isso seria de saudar o livro, o Eduardo, o Jornal de Negócios e a editora Bizâncio. Mas, se nos concentrarmos nas imagens, veremos que há motivos mais finos para nos regozijarmos com esta publicação.

1 Em primeiro lugar, saliento a metáfora do título e da imagem da lupa. É interessante ir buscar uma lupa para ver as imagens com redobrada atenção. Usar uma lupa significa ir buscar um dispositivo de visão e alguns instrumentos de análise que nos ajudam a ver aumentado, a ver detalhes que, de outro modo, passariam sem reparo. Significa que queremos vestir a pele de detectives, de cientistas, de quem procura saber mais sobre as coisas, além do que se vê à primeira vista. Trata-se de usar procedimentos de interrogação, de análise, de comparação, de interpretação que estão ligados a este dispositivo: a lupa, baseada numa lente, modifica-nos o olhar e torna o pensamento mais ágil e diversificado.
Ou seja, o livro, pela metáfora mas também pelos procedimentos, coloca a questão dos dispositivos que nos revelam as imagens. Dispositivos que esquecemos constantemente olhando as imagens como se estas fossem de uma pureza imaterial. E não são: são fruto de dispositivos técnicos e humanos, o que o autor nos lembra vezes sem conta.

Uma segunda razão está ligada à análise das imagens publicitárias que radica no célebre texto sobre as massas Panzanni (Dês pates, oui, oui...mais des Panzanni, dizia o slogan que escutei repetidamente na televisão e rádio francesas). A publicidade não era objecto de estudo e de análise até que Roland Barthes escreveu sobre o significado desse anúncio de massas italianas. Nele mostrou como diferentes elementos foram organizados para dar a sensação de Itália e de frescura dos produtos publicitados. O semiólogo abriu caminho mostrando como nas imagens há a coisa vista e a coisa interpretada. Ora, neste livro, o leitor pode entender como os objectos (as denotações) são associados aos mais diferentes significados (as conotações). Um exemplo lido na página 58 do livro agora editado: “para que não haja dúvidas dos “poderes especiais” que os óculos escuros conferem ao utilizador, o indivíduo do anúncio é um esforçado montanhista de tronco nu e com uma poderosa tatuagem nas costas. Todos pressentimos que sem os óculos escuros ele cairia da montanha abaixo.”

Em terceiro lugar, o leitor do livro pode perceber que a força das imagens vem do também de conceitos ligados á imagem, como o de reconhecimento (os rostos conhecidos, caso de Rui Costa numa campanha sobre os óculos de sol),
da sua dimensão artística (o anúncio da ETIC, uma escola de imagem),
do seu potencial transformador (a campanha do Ministério das Finanças sobre a exigência de factura),
da capacidade de envolvimento (as reticências da Martini sugerindo uma aventura a viver após tomarmos o aperitivo).

Há um quarto contributo: O autor mostra também como são raras as imagens sem texto. De facto, as imagens tendo um potencial de sentido muito variado, precisam, quase sempre e sobretudo na mensagem publicitária, de algo que chame a atenção para alguns elementos pertinentes, estruturantes do sentido. As palavras servem para nos dar um quadro de leitura mais intencional, desejado pelos que criam e planificam a mensagem publicitária. Palavra e imagem são dois universos que se completam aqui, tal como na vida que vamos fruindo.

Uma quinta razão da minha atenção foram os temas das crónicas. Há-as ligadas a actos de cidadania, como é o caso já referido da exigência da factura numa campanha do Ministério das Finanças, há outras ligadas ao consumo dos mais variados objectos. Há crónicas que questionam a relação da publicidade com o jornalismo e outras que discutem os fundamentos da nossa relação com a televisão. E mesmo as que são sobre produtos revelam muitas vezes concepções “existenciais” mais ou menos explícitas: basta recordar como as Pedras Salgadas jogaram no equilíbrio e na estabilidade, ou no slogan “segue as emoções” de uma campanha da Optimus, para percebermos como a publicidade encena e transmite valores e actos essenciais para todos.

Em suma
Este livro ajuda-nos a ler as imagens, a ler a publicidade. As imagens são entidades complexas pois, pela semelhança com os objectos que retratam, fazem-nos facilmente crer que estamos perante as próprias coisas. Um dos méritos deste livro é o de nos recordar constantemente que as imagens se lêem, ou seja que as imagens são construídas, não são a realidade. As imagens representam objectos e, também, o que está para além dos objectos.
E usam processos narrativos muito diferenciados. Há jovens e pessoas maduras, bebés, rostos conhecidos e outros de homens e mulheres comuns, pares romanticamente amorosos ou mesmo a sugerirem cenas ousadas. A forma é variada: ora se usa a técnica da fotonovela, ora se privilegia o grande plano, tanto se escolhe uma sequência de imagens como se usa a potencialidade gráfica da escrita ou se acentua a dimensão artística da imagem.

O livro lembra-nos que existem modos de fabrico que estão entre nós e as imagens, processos complexos e fruto de investimentos elevados. Por isso a publicidade é um bom estudo de caso. Porque sendo a produção e a difusão muito dispendiosas, a mensagem necessita de ser muito eficaz, curta, mas de significados complexos. À semelhança de imagens de outrora, de pintura, necessita também de ser cuidadosamente organizada. E nessa relação com a pintura estão intertextualidades explicitadas no livro, com alguma frequência, o que é outro pormenor de relevo.

Por último: há uma razão individual para nos precavermos. Se é verdade que a publicidade nos dá algumas características dos produtos (e outras do domínio do sonho, das conotações), também nos pode levar a tirar uma fatia do nosso orçamento para comprar mais um perfume, fazer mais uma viagem, mudar de carro ou sugerir a utilização dos serviços de um novo banco. Ou seja, as imagens de publicidade procuram levar-nos a uma acção , não apenas a uma contemplação: as imagens de publicidade cumprem esta função, tantas vezes ignorada nas análises. Por isso, na publicidade, vale a pena criar alguma distância, como faz o livro de Eduardo Cintra Torres: a distância do pensamento crítico entre nós, os objectos e as narrativas que sobre eles se constroem. Espera-se que tal pensamento crítico, sem travar a acção, possa contribuir para a tornar igualmente emotiva e , simultaneamente, mais racional e ponderada.


Lisboa 9 de Novembro de 2006

quarta-feira, novembro 08, 2006

CLUBE DOS JORNALISTAS

Quarta-feira, dia 8, pelas 23 e 30, na RTP 2 06-11-2006
Existe um jornalismo positivo? A questão é polémica e suscita diversas posições, mas vai ser debatida no programa Clube de Jornalistas desta semana. Em estúdio: Luís Marinho, director de informação da RTP, Miguel Pinheiro, director da "Sábado" e Mário Ramires, sub-director do "Sol". Depoimentos de Laurinda Alves, directora da "Xis", e Torcato Sepúlveda, da "Notícias Sábado". Moderação de João Paulo Meneses.

A FÁBRICA DO OLHAR Excerto Capítulo XV

Capa do Livro A Fábrica do Olhar
Capítulo XV VISTAS AÉREAS 1914-1944

A guerra vista do alto
1914-1918: a utilização do automóvel transforma profundamente a guerra. Já não se hesita em concentrar as tropas até 100 ou 200 quilómetros dos campos de batalha. A guerra de posição evolui para uma guerra dinâmica.
Em simultâneo, o olhar eleva-se, abre caminho a novos pontos de vista: os aviões e a fotografia aérea abrangem do alto um vasto campo de visão. O novo olhar, móvel, livre do peso, «vê» em todos os sentidos. As imagens produzidas sem cima nem baixo libertam-se das leis da perspectiva. A guerra é assim, segundo Brecht, «a grande lição de coisas para uma nova visão do mundo».
A fotografia aérea não nasceu com a guerra, mas as necessidades militares fazem-na evoluir consideravelmente. Ao facilitar a comparação entre duas disposições sucessivas do campo de batalha, encontra o seu objecto de predilecção na guerra de movimento. Desempenha plenamente o seu papel quando, nas situações dramáticas, os espíritos mais envolvidos não podem conservar a objectividade. Não sem cinismo, os cronistas afirmam a supremacia da fotografia sobre as observações a olho nu: «Quando um bombardeiro declara de boa-fé ter visto as suas bombas explodirem no meio da rotunda de uma gare importante, o mal não é grande. Mas quando um observador declara ter visto todas as trincheiras do inimigo arrasadas e as redes destruídas, enquanto que essas destruições só foram assim completas na sua imaginação, disso pode depender o sucesso de um ataque.»

AMANHÃ....

NOVEMBRO, 9
ECT Capa
às 18h 30, na Livraria Barata apresentarei, em conjunto com Pedro Bidarra, o livro Anúncios à Lupa – Ler Publicidade, de Eduardo Cintra Torres (Editorial Bizâncio).

PROVEDORIAS Hoje, no DN

"Palavras de ontem nos dias de hoje
José Carlos Abrantes

A perplexidade do leitor tem a ver com uma evolução social que deixou de atribuir, na esmagadora maioria das situações, qualquer relevo particular à cor de pele para efeitos da narrativa jornalística ou para a definição dos direitos políticos e sociais."


Leia a crónica aqui.

terça-feira, novembro 07, 2006

PROXIMIDADES France Gall



Festival da Canção LUXEMBOURG 1965 - "Poupée De Cire, Poupée De Son"

A FÁBRICA DO OLHAR Excerto Capítulo XIV

Capa do Livro A Fábrica do Olhar
Capítulo XIV A IMPRESSÃO Secondo Pia, 1898

No último terço do século XIX, o estatuto científico da fotografia reforça-se. O caso do santo sudário é revelador da instalação de uma paradigma fotográfico: por efeito da nova imagem, o olhar sobre a peça de pano muda. Os mecanismos da prova alteram-se.

Questões

Desde o seu aparecimento em 1357, na pequena aldeia de Lirey, em Champanha, perto de Troyes, o santo sudário preocupou as autoridades eclesiásticas. Dois bispos proibiram vigorosamente a exposição da tela de linho que, alegadamente, terá envolvido o corpo de Cristo após a sua retirada da cruz. Por meio de uma carta enviada ao papa, um deles pedira a promulgação de uma bula: «O sudário era apenas uma cópia, uma simples reprodução da mortalha de Cristo e não a própria mortalha.» Em seguida, o pano passou de Lirey para Sabóia. Teve proprietários poderosos. «Tornava-se ou voltava a tornar-se autêntica. » A pouco e pouco, o interesse desvaneceu-se.
Tudo iria mudar em 1898 com as primeiras fotografias da alegada impressão do corpo de Cristo. Ao substituir a própria tela, a imagem fotográfica oferece finalmente a possibilidade de uma análise cuidadosa. Causa, sobretudo, uma surpresa considerável ao revelar factos inesperados. Invertendo as zonas escuras e as zonas claras, os negativos fazem aparecer de maneira flagrante o desenho de um rosto. Inegável impressão de realidade: os olhos fechados com um círculo branco do positivo recuperam um aspecto normal no negativo. E, tal como num verdadeiro rosto, a sombra do nariz, esbatida nas bordas, torna-se mais clara no centro. As manchas e as impressões vagas da tela de linho dão lugar a um «homem verdadeiro», cuja cabeça emerge de uma semi-obscuridade. O negativo fotográfico parece imitar uma realidade; em contrapartida, o próprio pano parece o negativo de um corpo humano.

segunda-feira, novembro 06, 2006

IMAGENS

Um leilão de fotografia no CCB, uma queixa do PSD à ERC sobre a RTP, os 30 anos do Cinanima, as imagens de Sadam e de reacções à sua condenação mostram como as imagens nos rodeiam e como nos enlaçamos com elas a cada momento: como as desejamos ver, recordar, comprar, celebrar, partilhar, discutir.

UM BLOG sobre a Europa

Coulisses de bruxelles

Feito por um jornalista do Libération, Coulisses de Bruxelles, assume-se como trabalho jornalístico feito na blogosfera. E o tema, na blogosfera, parece ter eco em quem lê e escreve (210 posts deram lugar a 5560 comentários). Segundo o autor, o espaço nos media tradicionais sobre a construção europeia, sobretudo na televisão, não terá aumentado ao contrário do que se poderia ter pensado que iria acontecer após o referendo de 29 de maio de 2005, em França.

"Et voilà. Ce blog, lancé il y a un peu plus de dix mois, a franchi ce matin le cap des 300.000 « pages vues ». Et le nombre de consultations augmente régulièrement. Mes 210 « posts » ont attiré…5560 commentaires, ce qui démontre le besoin de débattre de la construction européenne. Curieusement, alors qu’on aurait pu penser, à la suite du référendum du 29 mai 2005, que la place consacrée à l’Europe allait augmenter dans les médias (surtout télévisuels), il n’en a rien été. D’où l’espace pris par des blogs comme les « coulisses de Bruxelles » ou des sites dédiés (« Les euros du village », Taurillon, etc)."

domingo, novembro 05, 2006

UMA VOZ QUE REGRESSA

O Chão de Papel assinalou, num post de 3 de Novembro, o regresso de Sena Santos. Ele sabe que o ouvirei.

Paulo Nuno Vicente assinala, depois, num comentário:
"E não deixa de ser - também esse - um óptimo sinal o regresso pela mão do podcast.
A Rádio portuguesa - e o jornalismo que por cá se faz (e não se faz..) - precisam de um debate urgente e alargado.
Não bastam os congressos profissionais - há quantos anos o último? - mas seria já um sinal de interesse."

Alguém escuta?

A FÁBRICA DO OLHAR Excerto Capítulo XIII

Capa do Livro A Fábrica do Olhar
Capítulo XIII MODERNIDADES Jules Janssen, 1874

As fotografias realizadas não são apenas uma «ajuda à medição» ou a preservação da memória de um fenómeno. Elas permitem descobrir o inesperado, ver melhor do que o olho, ampliar o campo do visível. Espera-se o inesperado. Ele deve acontecer.
Em 1839, Arago já percebia o interesse que a fotografia podia representar para a astronomia. Insistia então para que as aplicações científicas não fossem encerradas num quadro previamente definido. «De resto», acrescentava ele, «quando os observadores aplicam um novo instrumento ao estudo da natureza, aquilo que dele esperavam é sempre pouco relativamente à sucessão de descobertas originadas pelo instrumento. Neste sentido, é com o imprevisto que se deve especialmente contar. »
O revólver fotográfico de Janssen permite a Camille Flammarion concluir no valor profético daquelas palavras de Arago: «[...] tínhamos dito que, ao tentar verificar os momentos críticos da passagem, encontraríamos outra coisa. Esta coisa imprevista que observámos foi a atmosfera de Vénus [...].»
Embora as expedições científicas organizadas em 1874 não tivessem como objectivo principal detectar uma atmosfera em Vénus, não há dúvida de que a ideia estava fortemente presente nos espíritos.

PROXIMIDADES Louis Armstrong



PROVEDORIAS

Manuel Pinto, no Jornalismo e Comunicação, assinala que Ian Meyes, o actual provedor da The Guardian vai abandonar as suas funções no jornal. Ian Meyes vai dedicar-se a escrever a história recente do jornal, o que não deixa de ser uma continuação interessante para um mandato terminado. Ian Meyes não é provedor vindo exterior do jornal: é jornalista do The Guardian. E, numa nota, Manuel Pinto pergunta de forma clara:
"A propósito - Que se passa com o Jornal de Notícias, que se mantém mudo e quedo quanto à nomeação do provedor do leitor, desde que o último titular da função terminou o seu mandato em final de Janeiro passado? Que terá feito o anterior provedor para que em nove meses a empresa não tenha conseguido (ou querido) dar à luz um novo nome?"

Agora já não é só o Público a estender os longos momentos de pausa cada vez que um provedor termina o seu mandato.

sábado, novembro 04, 2006

DocLISBOA 2006

CINEMA NOV 6 a 8

DOC LISBOA Extensão do Festival de Cinema Documental Segunda a Quarta às 21h30
Auditório Bilhete: € 2.00

Na Malaposta (metro Senhor Roubado)

sexta-feira, novembro 03, 2006

TELEVISÃO novo livro

Capa Televisão

O que é o livro

Abrantes, J.C. e Dayan, D. (orgs), Televisão: Das Audiências aos Públicos, Lisboa, Livros Horizonte/CIMJ, 2006.

Este livro tem contributos de Carlos Fogaça, Daniel Dayan, Dominique Mehl, Eduardo Cintra Torres, Eliseo Veron, Guillaume Soulez, Jean Pierre Esquenazi, John Fiske, José Carlos Abrantes, Jostein Gripsrud, Sabine Chalvon e Todd Gitlin. O livro inclui também uma síntese elaborada por Felisbela Lopes a partir de contributos de António José da Silva, Isabel Ventura, José Jorge Barreiros e Tito Cardoso e Cunha
______
"As palavras são como as cerejas: eis um ditado popular que explica bem esta obra. De facto, Televisão: das audiências aos públicos tem origem num colóquio organizado pelo Centro de Investigação Media e Jornalismo, na Fundação Calouste Gulbenkian. Aí, Daniel Dayan fez uma intervenção em que se referiu aos públicos de televisão. Na altura questionei o conferencista. A resposta, aludindo à necessidade de criar tipologias de públicos, levou-me a planear e concretizar, em colaboração com este investigador, um outro momento de palavra, um curso da Arrábida."
José Carlos Abrantes (Org)
________
"Este texto é sobre o produto social da atenção partilhada e sobre as diferentes entidades colectivas ("personae fictae") que emergem quando essa atenção se realiza pela reacção e resposta. A nossa tarefa vai consistir em olhar de perto as várias "personae fictae" envolvidas na recepção da televisão. A distinção chave vai ser entre públicos e audiências ou, mais exactamente, entre os vários públicos e os diferentes tipos de audiências. "

Daniel Dayan (Org.)

FALAR DE PUBLICIDADE dia 9 de Novembro

ECT Capa
às 18h 30, na Livraria Barata apresentarei, em conjunto com Pedro Bidarra, o livro Anúncios à Lupa – Ler Publicidade, de Eduardo Cintra Torres (Editorial Bizâncio).

FALAR DE IMAGENS Na Almedina dia 16 de Novembro

Será no dia 16 de Novembro, pelas 19h.

FALAR DE IMAGENS: Direito à imagem. Com Adriano Miranda, fotojornalista, Francisco Teixeira da Mota, advogado. Depoimento de Pedro Ornelas, jornalista.
O que está consagrado na lei portuguesa sobre as imagens? Teremos direito e possibilidade de nos opormos a que outros nos transformem em imagens?
Estou a colocar outras informações sobre este Falar de Imagens aqui
Um dos elementos interessantes para o debate já está on line O Céu sobre Lisboa. O Pedro Ornelas tirou algumas fotografias no Largo Camões. Essas fotografia geraram 37 comentários, na altura. Eis as fotografias então publicadas...
Foto de Pedro Ornelas
Foto de Pedro Ornelas
Foto de Pedro Ornelas
Foto de Pedro Ornelas

quinta-feira, novembro 02, 2006

A FÁBRICA DO OLHAR Excerto Capítulo XII

Capa do Livro A Fábrica do Olhar
Capítulo XII FIGURAS DO GALOPE Eadweard Muybridge, 1872

Em 1872, Eadweard Muybridge realiza a primeira fotografia de um cavalo a galope. Nos Estados Unidos, há uma mistura de incredulidade e entusiasmo. Na Europa, impera o cepticismo. O desafio técnico é considerável: o processo a colódio húmido, que Muybridge manipula com destreza, necessita, quando o Sol brilha, de um tempo de exposição de cerca de dez segundos. Obter uma imagem de um cavalo a galope que não seja totalmente desfocada representa uma proeza. As primeiras experiências são, aliás, insatisfatórias, apesar da extrema velocidade dos obturadores desenvolvidos por Muybridge. Este afirma ter obtido nesta época velocidades de 1/500 de segundo.
No dia 19 de Outubro de 1874, o San Francisco Examiner noticia um drama: Muybridge foi acusado de homicídio. Matou um homem chamado Larkins, que supõe ser o pai do seu filho. O fotógrafo é detido e julgado. Beneficiando de amizades e apoios consideráveis, nomeadamente de Lelan Stanford, governador da Califórnia, com quem fizera as fotografias de cavalos, é libertado. No entanto, o caso lança sobre ele uma terrível suspeita.
Após um interregno de alguns anos, Muybridge retoma os seus trabalhos e, no dia 2 de Agosto de 1877, envia ao jornal Alta California uma fotografia do cavalo Occident. O cavalo trota à velocidade de 36 pés por segundo, a uma distância de 40 pés da máquina fotográfica, e a imagem é quase nítida! A proeza justifica-se pelo melhoramento simultâneo da velocidade dos obturadores através de um sistema eléctrico e da sensibilidade do colódio. «A duração da exposição – avaliada em 1/1000 de segundo – foi determinada com relativa precisão graças à imagem um tanto indistinta do chicote do condutor: este não teve tempo de percorrer uma distância igual ao diâmetro do seu cabo. »
Não seria exacto afirmar que a fotografia de Occident foi acolhida em toda a parte com o mesmo entusiasmo. A prova, tal como a maioria das fotografias de Muybridge, fora retocada. O público, os invejosos e os incrédulos sabiam-no. Indeciso entre o rigor da experimentação científica e a preocupação de agradar pela realização de «belos» retratos de cavalos, Muybridge não resistiu ao desejo de fazer retoques, como o costumava fazer nas fotografias de paisagens.