PORTUGAL SERÁ� MELHOR

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  • - se for mandado para as urtigas o princí­pio, muito vulgarizado: Tudo pelos amigos, nada pelos inimigos. Aos outros aplica-se a lei. É mais simples e justo se a todos se aplicar a lei.

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segunda-feira, outubro 09, 2006

TELEVISÃO

Não vi, mas confio no Eduardo Cintra Torres e no Manuel Pinto.
É urgente que o Telejornal de serviço público tenha meia-hora para evitar estas derrapagens...(conclusão minha).Não se poderão dedicar 15 minutos de 30 a um sequestro em Setúbal. Os jornalistas da RTP terão que editar, escolher, priorizar de outro modo. E os cidadãos que pagam a RTP têm direito a saber o que ocorre no mundo, num período curto. Até julgo que seria bom haver, num outro horário, um telejornal de 15 minutos, no serviço público, durante a noite.


A blogosfera protestou: o Telejornal de 5 de Outubro remeteu para segunda linha o discurso de Cavaco Silva e a manifestação de professores. De facto, o jornal da RTP dedicou os primeiros 15m29s a um sequestro num banco em Setúbal; seguiu-se o aumento das taxas de juro; só aos 22 minutos do noticiário veio a maior manifestação de professores de sempre, que teve direito a 2m32s, isto é, metade do futebol e o mesmo que os 50 anos dos livros da Anita. O discurso do Presidente e a abertura do Palácio de Belém tiveram direito a 7m23s, mas só depois da primeira meia hora de Telejornal. Os protestos da blogosfera são correctos, porque o Telejornal deveria ser a janela do serviço público informativo.
O Jornal Nacional da TVI, sempre tão rechaçado pelas elites ilustradas do nosso ilustrado país, abriu com os professores (4m22s), passou ao sequestro e avançou o discurso de Cavaco Silva como terceira notícia. Mas a SIC optou pelo mesmo critério editorial da RTP quanto à manifestação dos professores, relegando os seus 2m39s para a segunda parte do Jornal da Noite, às 20h39. Este noticiário também abriu com o fait divers do sequestro, em 6m30s. Mas quanto ao discurso presidencial sobre a corrupção, deu a notícia quase meia hora antes do Telejornal."
Eduardo Cintra Torres, no Público de ontem.

"O Telejornal falhado do dia 5 de Outubro

Li algumas críticas que me pareceram sérias e pertinentes a respeito do Telejornal da RTP1 do feriado de quinta-feira, dia 5. Não tinha visto as notícias nesse dia, pelo que me dei a tarefa de ir ao site da RTP rever esse vídeo. O que aí se pode observar é, de facto, dificilmente aceitável, qualquer que seja o ponto de vista que se adopte.
A peça de abertura retoma o caso do sequestro num banco de Setúbal. É verdade que o desfecho só na madrugada do próprio dia 5 se verificara, mas o assunto já tinha sido tratado de véspera e nada justificava as delongas em torno do modo como as forças policiais actuaram, com um representante da PSP em estúdio, comentando imagens das operações para libertar os reféns. Os pormenores arrastam-se por uns incompreensíveis 16 minutos, explorando um acontecimento que não mereceria mais de um ou dois minutos.
Segue-se, no alinhamento, a notícia da subida das taxas de juro, decretada pelo Banco Central Europeu. Seis minutos foi quanto os responsáveis do Telejornal atribuiram à matéria, apesar de a própria peça negar a importância que lhe foi dada, ao notar que o anúncio foi "o que já todos esperavam" e que "a razão é sempre a mesma". O motivo da notícia era escasso, mas a RTP entendeu encher chouriços indo para a rua fazer aquelas perguntas óbvias que só podem receber respostas igualmente óbvias. Tudo o contrário daquilo que se costuma entender por jornalismo.
É em terceiro lugar, quando se leva já, mais de 22 minutos de Telejornal que chega uma das mais importantes notícias do dia: a manifestação de professores em Lisboa, que o autor da peça considera "a maior desde o 25 de Abril" e, mesmo, "o maior protesto de rua de sempre" da classe docente. Se assim foi, será aceitável que o assunto tenha sido colocado em terceiro lugar e tratado de fugida? Os 2,5 minutos que ocupa tornam-se ridiculos em face dos 16 atribuídos a um sequestro requentado. E não é apenas a duração da peça. O tratamento é do mais convencional que pode haver.
A outra notícia do dia - o agendamento político do problema da corrupção pelo presidente Cavaco Silva, no seu discurso comemorativo da implantação da República - surge em quarto lugar, já perto das 20.30. Igualmente a correr, já que o destaque, nesta matéria, vai para a abertura do Palácio de Belém à visita dos populares.
Torna-se deprimente ver José Alberto Carvalho como pivot de um serviço destes. E torna-se, sobretudo, preocupante, ver o serviço público dar sinais de um enviesamento que não pode deixar de ser denunciado."
Manuel Pinto, no Jornalismo e Comunicação, hoje.