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segunda-feira, outubro 16, 2006

A FÁBRICA DO OLHAR Excerto

In Sicard, Monique, A Fábrica do Olhar, Lisboa, Ediçoes 70, 2006 Capítulo V

O MICROSCÓPIO

Robert Hooke (1635-1703)
Antoni van Leeuwenhoek (1632-1723)


A história das ideias esclarece-se na dos instrumentos.
O microscópio é inventado no início do século XVII, na mesma altura que a luneta astronómica, da qual é uma consequência lógica. Brutalmente, mergulha-nos num mundo buliçoso, inesperado. Contudo, o microscópio não tem logo um acolhimento tão estrondoso como o telescópio. Os debates que acompanham a sua chegada não têm nem a dimensão nem o vigor dos que se seguiram à descoberta da luneta astronómica. Nenhum processo acompanha a emergência dos primeiros microscópios. Pior: os novos conhecimentos que eles geram tardam a impor-se, como se o instrumento não chegasse a abandonar o seu estatuto de curiosidade.
No século XIX, quando os progressos da óptica facilitam finalmente o aperfeiçoamento de instrumentos de qualidade estável, os microscópios de lentes acromáticas só são comercializados 50 anos após as lunetas astronómicas beneficiarem das mesmas lentes. Podemos questionar estes desfasamentos: por que razão, após as notáveis invenções das primeiras décadas do século XVII, o entusiasmo pela observação microscópica decaiu tão depressa?

pulga
Figura 8. – A pulga.
Gravura sobre cobre publicada em Robert Hooke, Micrographia, 1665.


Em 1723, ano da morte do holandês Antoni van Leeuwenhoek, pioneiro da microbiologia, os cientistas utilizam ainda muito pouco o microscópio. E sabemos que a teoria celular só se vai impor um século após as observações microscópicas que, porém, poderiam tê-la elaborado. Com efeito, em finais do século XVII, o biólogo inglês Robert Hooke já descrevera algumas células de um pedaço de cortiça: «Retirei um fragmento [de cortiça] extremamente fino e, como era um objecto claro, coloquei-o sobre uma lâmina negra. Projectei a luz sobre este fragmento com o auxílio de uma lente plana-convexa espessa e vi com nitidez extrema que este fragmento era inteiramente perfurado e poroso, muito semelhante a um favo de cera de abelha [...].»
O princípio do microscópio é simples: se conseguirmos observar os objectos de muito perto, conservando uma imagem nítida, então eles aparecerão muito maiores. O fabrico de lentes, que facilitam esta focagem a curtas distâncias, condicionou a invenção dos primeiros instrumentos. O próprio Galileu descobriu que a luneta astronómica podia ser utilizada como um microscópio. No dia 23 de Setembro de 1624, envia uma luneta ampliadora a Frederico Cesi, marquês de Monticelli e duque de Asquasparta, pai espiritual da Academia de Lincei , acompanhando-a com estas palavras: «Envio a Vossa Excelência uma luneta para ver ao perto as coisas mais pequenas [...]. Demorei a enviá-la porque ainda não estava perfeita e tive dificuldades em perceber o modo de trabalhar perfeitamente as lentes. [...]. Contemplei muitos animais pequenos com uma admiração infinita. A pulga, por exemplo, é absolutamente horrível; o mosquito e a traça são muito belos; e foi com enorme contentamento que vi como as moscas e outros pequenos animais conseguem subir pelos espelhos.»
As primeiras observações surpreendem; a novidade deste olhar técnico exige a realização de desenhos e gravuras. Mais tarde, a microscopia surgirá como o verdadeiro instigador do desenho de história natural. Uma das primeiras pranchas gravadas que representa seres observados ao microscópio é desenhada em 1625 por Francesco Stelluti, um dos fundadores da Academia de Lincei. Esta gravura reúne várias figuras da anatomia externa de uma abelha. As sombras acrescentadas aumentam o efeito de realismo. O entusiasmo é tão grande que o desenho, utilizado como modelo para o brasão do papa Urbano VIII, se torna emblemático.
Primeiro tratado impresso de microscopia, a obra Micrographia , de Robert Hooke (1625-1703), ilustrada com extraordinárias pranchas gravadas sobre cobre, conferiu à microscopia o seu primeiro estatuto de nobreza. Dedicada ao rei, era fruto de observações minuciosas. Os desenhos tinham sido realizados pelo próprio observador antes de serem entregues ao gravador. A qualidade destes desenhos é sedutora e vão provocar a adesão de Catarina I da Rússia à causa da microscopia.

1 Comments:

Anonymous Tinê Soares said...

Olá, Sr. Abrantes!
Não li o livro e nem completei de ler os últimos posts... comento baseado no título deste: O Microcópio.
Próximo à abertura da Bienal de Artes em São Paulo, foi lançada uma campanha para angariar fundos ao tratamento do câncer infantil; as imagens empregadas foram quadros em exposição mostrando uma bela arte abstrata: em verdade, fotos feitas em microscópios eletrônicos, super ampliados, de vários tipos de câncer... poucos "leitores" perceberam isto nas obras "artísticas".
Um abr,

3:15 da manhã  

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