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segunda-feira, outubro 16, 2006

A FÁBRICA DO OLHAR Excerto

"Capítulo VIII LEGITIMAÇÕES François Arago, 1839

Efeitos de anúncio

No dia 7 de Janeiro de 1839 , François Arago fala «com muitos pormenores» à Academia das Ciências sobre uma descoberta efectuada por Daguerre, mas não revela os processos de fabrico da fotografia. A ideia com que se fica é que se trata de uma das invenções mais prodigiosas do nosso século, que a França deve «dar ao mundo inteiro uma descoberta que tanto pode contribuir para o progresso das artes e das ciências». Para Arago, é indispensável que o governo recompense directamente o Sr. Daguerre, a quem ele elogia. Anuncia que dirigirá, a este respeito, um pedido ao ministério ou à Câmara, mas pretende assegurar-se previamente de que o método é pouco dispendioso e utilizável por todos.
A 3 de Julho de 1839 , Arago efectua uma importante intervenção na Assembleia Nacional sobre os trabalhos da comissão encarregue da análise do projecto de lei tendente a atribuir uma pensão a Daguerre e aos filhos de Niépce, «por terem cedido o processo que serve para fixar as imagens da câmara escura». Nesta altura, a aposta já está praticamente ganha: a Assembleia já manifestou o interesse pelos projectos fotográficos.
A comunicação transforma um processo técnico num recurso nacional. Arago é, simultaneamente, o arauto de uma nova tecnologia e do progresso social. Para isso, utiliza uma linguagem didáctica e clara. Cria um efeito de anúncio: uma vez votada a lei, os processos fotográficos serão revelados numa sessão extraordinária na Academia das Ciências. A fotografia é uma coisa exacta. Estabelece uma física, uma química das experiências. Além disso, pela utilização de uma perspectiva central, «obedece às regras geométricas» criadas no Renascimento.
No dia 19 de Agosto de 1839 , François Arago toma novamente a palavra. Desta feita, diante da Academia das Ciências e da Academia de Belas-Artes reunidas, revela os processos técnicos da fotografia. Contudo, Arago dirige-se em primeiro lugar aos académicos das ciências. Convicto de que o conhecimento científico contém em germe transformações sociais, atribui um estatuto científico à fotografia nascente. De descoberta inclassificável, esta torna-se instrumento de conhecimento.
No entanto, Arago não esquece o mundo artístico, até então depositário da história das imagens: tivera o cuidado de confiar ao pintor Paul Delaroche a redacção de uma nota prévia destinada a auxiliar a comissão preparatória no projecto de lei. Para o pintor, «a correcção das linhas, o rigor das formas é tão completo quanto possível nos desenhos de Daguerre, e nestes reconhecemos, ao mesmo tempo, um modelado amplo, enérgico, e um conjunto tão rico em tom como em efeito. Neste processo, o pintor poderá encontrar um bom meio para fazer colecções de estudos, que de outro modo só obteria a grande custo [...]». Paul Delaroche cala os detractores: «Em suma, a admirável descoberta do Sr. Daguerre é um serviço imenso prestado às artes.» Para os artistas, a fotografia impõe-se doravante como «objecto de investigação e estudo»."

1 Comments:

Anonymous Tinê Soares said...

Duas pequenas curiosidades a respeito deste trecho do livro:

1 - a imagem mais antiga que conhecemos, feita por Nièpce (1826-27), não é de uma mão, uma folha, uma porta, um detalhe qualquer: mas uma mesa posta, atoalhada, prato, copo, jarro... tal qual uma "natureza-morta" tendo ao fundo uma paisagem de casario pintada em tela. Um quadro! E foi necessário quase um dia inteiro!

2 - Daguerre virou herói nacional em França por aperfeiçoar o método de Nièpce, mas só podia obter UMA IMAGEM ÚNICA. Sem cópias.

Foi o inglês William H.Fox Talbot quem permitiu fazer INÚMERAS CÓPIAS EM PAPEL a partir de um negativo - oficialmente, em 1841.
E não há nenhuma menção [no texto] à sua extraordinária contribuição: será porque, ao contrário dos artistas com suas 'obras-primas', a reprodutividade de seu método permitia algo serial, sem uma autoria 'romanticamente' fixa?

6:47 da manhã  

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