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segunda-feira, outubro 16, 2006

A FÁBRICA DO OLHAR Excerto

Capa do Livro A Fábrica do Olhar
Capítulo VII O REALISMO DOS CORPOS Jacques Fabien Gautier d’Agoty, 1759

"No Renascimento, André Vesálio fora um dos primeiros a perceber a importância das qualidades estéticas das gravuras de anatomia para obter o apoio dos mecenas. A qualidade dos seus desenhos contribuíra bastante para fazer a anatomia passar do estatuto de disciplina menor para o de ciência de renome e até prestigiosa. Em pleno século XVIII, Jacques Fabien Gautier d’Agoty está também consciente da importância económica ou social que as gravuras de anatomia podem ter. Alguns acusá-lo-ão abertamente de ter, por razões de prestígio e de enriquecimento pessoal, utilizado a ambiguidade fascinante do espectáculo dos corpos. Com efeito, aquilo que propõe não é uma mera reunião de órgãos, mas já, em cada prancha, um duplo ponto de vista sobre os corpos: tanto externo como interno. As dissecações anteriores aos desenhos são realizadas por Duverney, cirurgião apaixonado, célebre por ter aparecido das entranhas do cadáver de um elefante quando Luís XIV assistia pessoalmente a uma lição de anatomia .
Longe de representarem a morte, as pranchas de Gautier d’Agoty, todas imprimidas em tamanho real, são a vida. Os cadáveres femininos são preferidos aos corpos masculinos: os seus músculos delicados ocupam menos espaço na página. Deixa-se espaço livre para representar os rostos. Para agradar, esforçam-se por «mostrar [o corpo] ao natural». A dissecação limita-se então à abertura de um útero, à dissecação de um músculo, à apresentação de um feto em situação, numa mistura sabiamente doseada de fascínio e repulsa. Uma bonita jovem apresenta simultaneamente o perfil do seu rosto, os cabelos castanhos encaracolados, e «as apófises superiores das costas, as primeiras costelas em ponto pequeno, a curva da espinha dorsal até ao osso sacro, [...] o grande denteado com a sua junção na base da omoplata e os apêndices do grande dorsal ligados às quatro últimas costelas [...] ». Mais tarde, Jacques Prévert dirá que ela tem «ombros nus ou antes desnudados com a pele rebaixada de cada lado»."

1 Comments:

Anonymous Tinê Soares said...

É sabido que a Escola de Medicina de Bolonha foi a partir do final da idade média o único estabelecimento permitido pela Igreja Católica a lecionar anatomia humana com cadáveres... fora dali, penalidades serveras.
Dizem que a permissão veio após cientistas ocidentais provarem ao papa que os árabes estavam mais adiantados como cirurgiões... uma grande verdade!

Além de um belíssimo e variado museu a serviço da medicina, lucraram os artistas que não precisavam ir às escondidas pelos becos atrás de "modelos" de indigentes.

Hoje o Museu de Anatomia bolonhês abriga um enorme cabedal de imagens, feitos por artistas, além de esculturas - como o de uma mulher autopsiada pela metade, cabelos longos espalhados como em uma propaganda de shampoo, em que lhe acrescentaram um colar de pérolas e assim ficou menos repugnante aos olhos visitantes.

6:33 da tarde  

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