PORTUGAL SERÁ� MELHOR

  • - se a casa de Aristides de Sousa Mendes fôr reconstruída para um projecto ligado com a sua vida
  • - se houver mais locais para pôr as mãos na massa
  • - se cada um de nós Ler +
  • - se cada um de nós respeitar os passeios como lugar de trânsito dos peões, sobretudo dos que têm menos mobilidade
  • - se for mandado para as urtigas o princí­pio, muito vulgarizado: Tudo pelos amigos, nada pelos inimigos. Aos outros aplica-se a lei. É mais simples e justo se a todos se aplicar a lei.

POR UM JORNALISMO MELHOR

Recentes

Arquivos

Ligações


  • Get Firefox!

terça-feira, outubro 31, 2006

A FÁBRICA DO OLHAR Excerto Capítulo XI

Capa do Livro A Fábrica do Olhar
Capítulo XI OLHARES DE SUPERFÍCIE Hardy e Montméja, 1868

A fotografia que surge no espaço médico orienta a atenção das profundezas para a superfície. A gravura convidava às dissecações, ao mergulho do olhar no interior dos corpos; a fotografia troca as anatomias pelas aparências. Dois domínios são assim brutalmente promovidos: a dermatologia e as patologias do andar e do comportamento. Nestes jogos de superfície, a fotografia regista – algo que a gravura nunca poderia fazer – o rosto e o olhar dos doentes. Simultaneamente jogo superficial e transmissão do trágico, a imagem fotográfica converte-se assim em profundos paradoxos.
Em 1868, A. Hardy, médico no hospital Saint-Louis, e o seu aluno A. de Montméja, que conhecem já os trabalhos fotográficos dos seus colegas ingleses, empreendem a publicação de A Clínica Fotográfica do Hospital Saint-Louis. Primeiro tratado médico ilustrado com fotografias, a obra destina-se a circular, a criar laços entre os médicos de Paris ou de outros lugares. A pele que mostra as suas lesões torna-se o primeiro objecto de uma fotografia médica institucionalizada.

DOIS LIVROS

Foram apresentados em Braga os dois últimos livros, por mim organizados, editados na colecção Media e Jornalismo: A construção do Olhar e Ecrãs em Mudança. Foi na Livraria Almedina, situada no campus universitário de Gualtar da Universidade do Minho, onde fomos acolhidos pela Joana Matos. A apresentação esteve a cargo dos professores Moisés Martins, presidente do Instituto de Ciências Sociais


e Felisbela Lopes, directora do curso de Ciências da Comunicação. ...


PROVEDORIAS Hoje, no DN

O texto de hoje, no DN, intitula-se Ouvir interesses atendíveis.

O Código Deontológico dos Jornalistas estatui no seu artigo 1º : (...) Os factos devem ser comprovados, ouvindo as partes atendíveis no caso. (...) “ O que levará os jornalistas a esquecer este b-a-ba?

sábado, outubro 28, 2006

A FÁBRICA DO OLHAR Excerto Capítulo X

Capa do Livro A Fábrica do Olhar
Capítulo X FARADIZAÇÃO Guillaume Duchenne de Boulogne, 1862


«Era um velho internado que sofria de anestesia da face, ou seja, cuja pele era insensível a qualquer estímulo doloroso; a electricidade podia, portanto, ser aplicada na pele deste infeliz, atravessá-la sem provocar reacções dolorosas e estimular os músculos subjacentes que tinham preservado perfeitamente a sua contractilidade, ou seja, que funcionavam como numa pessoa normal. Podia-se assim contrair um seu músculo isoladamente, provocar, por exemplo, a acção do grande zigomático e dar ao rosto a expressão do riso, sem que o sujeito tivesse qualquer ideia daquilo que a sua fisionomia então reflectia.» Como anexo à sua obra Mécanismes de la physionomie [Mecanismos da Fisionomia], o médico Guillaume Duchenne, conhecido por Duchenne de Boulogne, do nome da sua cidade natal , colocou a fotografia de um pobre homem de rosto enrugado, um pouco simples de espírito, internado no hospital da Salpêtrière e sapateiro de profissão. O homem apresenta uma expressão estranha, como que alucinada. A seu lado, o médico em pessoa aplica-lhe no rosto dois reóforos ligados a uma fonte de corrente de baixa intensidade. A contracção muscular provoca uma expressão fugaz, à qual a fotografia confere permanência.
A operação de captação da imagem é delicada. Depois de ter colocado o paciente em posição conveniente graças a um apoio de cabeça, Duchenne de Boulogne cuida das iluminações e da focagem. Entretanto, a chapa fotográfica é coberta de colódio e sensibilizada. Quando Duchenne de Boulogne actua sozinho, a focagem sobre a sua própria personagem é apurada. Quando tem o auxílio de um colaborador, confia-lhe esta última tarefa. No entanto, reserva para si a tiragem das fotografias, pois considera que, melhor do que um fotógrafo, pode ajuizar sobre uma forma ou uma expressão. As muitas outras fotografias em que a sua própria personagem aparece desfocada e desenquadrada denunciam a dificuldade de execução de um duplo protocolo electrofisiológico e fotográfico.
As experiências fotográficas de Guillaume Duchenne de Boulogne pretendem-se «científicas». Retiram explicitamente a sua legitimidade da História do Homem, de Buffon. Os rostos são quadros – «telas» – sobre os quais se pintam as mais secretas agitações: a sua alma é o pincel. Assim se traduzem tanto a delicadeza como a energia, as hesitações e as vontades indomáveis. A equação é simples. Cada movimento da alma exprime-se por uma forma do rosto; a cada forma corresponde um carácter. Para Duchenne de Boulogne, a escolha de um simples de espírito internado na Salpêtrière facilita as primeiras experiências: as emoções básicas ajudarão ao estabelecimento de conclusões claras."


In Monique Sicard, A Fábrica do Olhar, Lisboa, Edições 70, 2006.
Este é o primeiro livro da colecção A Construção do Olhar.

COMBOIOS EM IMAGENS (3)

Outros dados: um comboio na linha de Sintra equivale a menos 1000 carros no IC19. 1000 kms (!) de linha férrea ainda têm um controlo por telefone, mas 1469 km de rede tem cantonamento automático. A modernidade e o século XIX continuam lado a lado.

Vimos como a passagem de comboios na ponte sobre o Tejo -1999- esvaziou o terminal do Barreiro, cidade que hoje viu quase desaparecer a classe operária, com tradições de luta e revindicação no sector. Vimos mulheres maquinistas nos actuais comboios. Maquinistas dos pendulares, saudosos das antigas máquinas a vapor. Ruas na Amadora sem carros, nos anos 60.

Vimos a modernização arquitectónica das estações e as esculturas de Francisco Simões de mulheres que esperam. Percebenos como o designer José Santa Bárbara tem vindo a dar nova imagem aos lugares que ocupamos. Como uma estação – Castelo de Vide - foi transformada em estalagem.

sexta-feira, outubro 27, 2006

PASSAR POR ESPINHO


Registado em 21 de Abril de 2006, JCA

COMBOIOS EM IMAGENS (2)

Outra imagem de arquivo que me chamou a atenção é a de uma mulher emigrante que está a ser ouvida, talvez em Sta Apolónia e que afirma serem melhores os comboios franceses. O marido arranca-a literalmente de frente das câmaras, agitado e interrogando “o que é que vocês querem?” Será um passado ultrapassado neste aspecto?

Apreciei também os cruzamentos que aparecem com o cinema e a fotografia (imagens de Aurélio Paz dos Reis e de Cottinelli Telmo, por exemplo).

A atenção dada a uma linha férrea que foi construída entre Barca de Alva e Salamanca, agora encerrada, foi um momento alto no documentário. A sua construção terá sido feita para ligar o Porto à Europa e veio a gerar prejuízos, enfraquecendo a Banca nortenha. Hoje, há um movimento para sua recuperação turística, movimento que se situa sobretudo do lado de Espanha. A parte construída em Espanha foi feita com dinheiros portugueses.

A evocação do Sud-Express, do Foguete, das máquinas potentes dos carvoeiros, das antigas máquinas a vapor mexeu com recordações de infância. A comparação com os actuais pendulares é algo que nos deixa incapazes de pensar outras comparações. O TGV poderia estar a fazer a ligação Lisboa Porto em 1h 15 (?) se os nossos governantes tivessem tido uma visão estratégica mais avançada há vinte ou trinta anos atrás.

A FÁBRICA DO OLHAR Excerto do Capítulo IX

Capa do Livro A Fábrica do Olhar
Capítulo IX FOTOMICROGRAFIA
Alfred Donné, 1844

Alfred Donné não espera muito tempo após a revelação dos processos da fotografia nesse ano de 1839 para se lançar nas suas próprias experiências. Especialista em microscopia e apaixonado pelas «novas tecnologias», é natural que tente ligar uma câmara escura à extremidade de uma ocular de microscópio. No dia 27 de Fevereiro de 1840, anuncia uma experiência bem sucedida: a realização de daguerreótipos de objectos microscópicos invisíveis a olho nu! «Depois de ter retirado a ocular do microscópio, recebo a imagem do objecto numa pequena tela transparente que me serve para encontrar o foco; substituo então a tela por uma chapa com iodeto, e quando a luz produz a sua impressão sobre esta chapa, exponho-a como habitualmente ao vapor de mercúrio.» Alfred Donné encomendou então a um óptico o fabrico de um microscópio daguerreótipo."


In Monique Sicard, A Fábrica do Olhar, Lisboa, Edições 70, 2006.

HAVERÁ JORNAIS DE PAPEL daqui a umas décadas?

Há quem diga que sim, como ontem Vicente Jorge Silva terá afirmado no É cultura, estúpido!.
Ver aqui uma peça de Ana Pago.

"Os jornais vão com certeza sobreviver, mas muito diferentes daquilo que são hoje", insistiu o jornalista Vicente Jorge Silva no debate de quarta-feira do É a Cultura, Estúpido!, reunida no Jardim de Inverno do Teatro São Luiz (Lisboa) para analisar O Fim dos Jornais. Directas no estilo, incisivas na forma como foram desferidas, as palavras do antigo director do Público e actual colunista do DN dão uma nota de esperança ao actual panorama da imprensa nacional, marcado por "ciclos cada vez mais curtos e o desafio incontornável" da Internet."

DOC LISBOA 2006

DocLisboa 2006

O programa de hoje está aqui. Vale também a pena ir aqui, pelo conjunto e, sobretudo, pelo som da campainha de bicicleta.

"SEXTA, 27


11.00 Pequeno Auditório
Gambit [I]Gambit [I]
de Sabine Gisiger | 107' Suíça 2005
Em Julho de 1976, numa fábrica de substâncias químicas perto da cidade Italiana de Seveso, um reactor que produzia triclorofenol explode, libertando uma grande quantidade de dioxina, substância extremamente venenosa. Não houve baixas, mas foi evacuada uma extensa área à volta do local e muita gente contaminada. As crianças sofreram queimaduras químicas graves, 77 mil animais sucumbiram ou foram afectados. O engenheiro químico Jörg Sambeth conta a sua história: nos anos 60 começou a trabalhar com entusiasmo para a Givaudan, empresa filiada do empório Hoffmann-La Roche. Era também supervisor da fábrica perto de Seveso. Descreve a cultura da empresa, com a qual nunca se sentiu à vontade, mas cuja política jamais se atreveu a criticar, nem mesmo depois da catástrofe de Seveso, quando teve que guardar silêncio sobre a verdadeira natureza das substâncias libertadas. Foi considerado culpado e condenado a cinco anos de prisão. Quebra agora o silêncio e fala do trágico desastre.

14.30 Pequeno Auditório
Onde Jaz o Teu Sorriso? [FR]Onde Jaz o Teu Sorriso? [FR]
de Pedro Costa | 2002 Portugal/França 104'
Enquanto Danièle Huillet e Jean-Marie Straub procedem à montagem da terceira versão de "Sicília!", Pedro Costa filma uma "comédia de remontagem". Por detrás da sua paciência no trabalho, terna e violenta, os dois cineastas revelam uma certa ideia do cinema, do seu cinema e da sua vida conjugal, da vida conjugal, muito simplesmente. Pedro Costa conduz-nos ao centro do seu próprio cinema, numa viagem espácio-temporal única, oferecendo ao espectador o presente mais perfeito: participar do interior no acto de criação cinematográfica.

14.30 Grande Auditório
Entre Nós [SE]Bien Mélanger [I]
Entre Nós [SE]
filme colectivo | 30' Portugal 2006
Bien Mélanger [I]
de Nicolas Fonseca | 75' Canadá 2006
Ser estrangeiro em Portugal, ser português no estrangeiro. "Entre Nós" é o resultado do convite para a criação de pequenos filmes de três minutos subordinados ao tema da imigração feito a doze cineastas nacionais (André Godinho, Pedro Paiva, Fausto Cardoso, Tiago Afonso, Sérgio Tréfaut, Catarina Alves Costa, José Filipe Costa, Cátia Salgueiro, André Príncipe, Miguel Nogueira, Joana Neves, Leonor Noivo). A encomenda partiu da organização do Fórum Gulbenkian sobre Imigração e teve como objectivo principal, dar a ver, através destes criadores, o ponto de vista dos imigrantes sobre a nossa realidade. Já "Bien Mélanger", realizado por um canadiano luso-descendente, é um documentário sobre a identidade através da perspectiva de jovens filhos de emigrantes, designadamente os pertencentes à comunidade portuguesa no Canadá, sobre questões como a mundialização e o turismo. O filme conta ainda com os depoimentos de vários estudiosos da globalização, entre os quais encontramos Anthony Giddens.

16.30 Pequeno Auditório
Marguerite par Elle-Même [FR]Marguerite Telle Qu'en Elle-Meme [FR]
de Dominique Auvray | 61' França 2002
A 3 de Junho de 1991, Marguerite Duras ofereceu-me o seu último livro então publicado, L'amant de la Chine du Nord com uma dedicatória que dizia: "Para a minha amiga Dominique Auvray, na lembrança de uma maravilha entre todas: a de um passado ainda recente: de quando trabalhávamos juntas em cinema." Um retrato para me aproximar dela tal como era: divertida e séria, verdadeira e provocadora, atenta e categórica, mas acima de tudo jovem e livre. A realizadora deste retrato foi montadora de três filmes de Duras: Baxter, Vera Baxter (1976) , Le Camion (1977) e Le Navire Night (1979), de filmes de Philippe Garrel, de Pedro Costa, entre outros".

16.30 Grande Auditório
Neighborhood [CI]Yellow Box [CI]
Neighborhood [CI]
de Karoi Kinoshita e Allain Della Negra | 17' França 2006
Yellow Box [CI]
de Ting-fu Huang | 53' Taiwan 2006
"Yellow Box" decorre quase inteiramente no interior de uma loja envidraçada situada em Taiwan. O trânsito circula em frente à câmara. Os automobilistas param para comprar nozes de areca, um produto muito popular na Ásia que acelera o ritmo cardíaco. Para melhorar as vendas as vendedoras, que os clientes tratam por alcunhas como Honey ou Candy e que são exibidas como peixes de aquário, adoptam trajes e gestos alusivos a situações de prostituição. "Neigborhood" questiona as relações entre pessoas que partilham a mesma comunidade virtual, no caso a do jogo "The Sims", no qual encarnam vidas e personalidades alternativas ao seu quotidiano.

18.30 Pequeno Auditório
Die Bewerbung [T]Ils ne Mouraient pas Tous mais Tous Étaient Frappés [T]
Die Bewerbung [T]
de Harun Farocki | 58' Alemanha 1997
Ils ne Mouraient pas Tous mais Tous Étaient Frappés [T]
de Sophie Bruneau | 80' França 2005
Farocki sobre "Die Bewerbung" (à letra, A Entrevista): "Durante o Verão de 1996, filmámos diversos estágios de formação em que se aprendia a colocar correctamente uma candidatura de emprego. Filmámos desempregados de longa duração incentivados pelo Estado a seguir esta formação. Filmámos gerentes que, com um salário elevado, podiam pagar a um formador privado: tal qual os cidadãos livres na Grécia Antiga que se iniciavam na Retórica com um escravo doméstico. Docentes, universitários, desempregados de longa-duração, ex-toxicodependentes, gerentes de classe média, todos têm de aprender a oferecer-se, a vender-se em nome da auto-gestão". Filmado em três hospitais públicos da região parisiense, "Ils ne Mouraient pas Tous..." acompanha o trabalho de uma psicóloga e de dois médicos que recebem homens e mulheres doentes devido aos seus empregos. Todos relatam o seu sofrimento no trabalho no âmbito duma entrevista. Os três profissionais especializados escutam e diagnosticam pouco a pouco o sofrimento individual do paciente e a sua relação com as novas formas de organização do trabalho.

18.30 Grande Auditório
The Sky Is my Ceiling [CI]Kinshaza Palace [CI]
The Sky Is my Ceiling [CI]
de Keja Ho Kramer | 11' França 2006
Kinshaza Palace [CI]
de Zeka Laplaine | 75' Congo/França 2006
Em "Kinshaza Palace", filme que baralha habilmente a fronteira entre ficção e memória para construir uma investigação sobre uma família espalhada por três continentes, o realizador Zeka Laplaine põe-se no papel de Kaze, um homem que procura desesperadamente Max, o seu irmão desaparecido. Seguindo as poucas pistas de que dispõe, viaja para França, Congo e Portugal, e também para o Cambodja, na esperança de resolver o misterioso desaparecimento do irmão. "The Sky Is my Ceiling", que abre, projecta na cidade de São Paulo a concretização do cenário fantástico de um conto de J.G. Ballard.

21.00 Pequeno Auditório
Los Angeles Plays Itself [FR]Los Angeles Plays Itself [FR]
de Thom Andersen | 169' EUA 2003
"Os filmes apagam o seu rasto, deixando-nos com o que querem que vejamos, passando a outra coisa qualquer. Fazem o trabalho da nossa atenção voluntária, de modo a que tenhamos de suprimir essa faculdade enquanto assistimos a um. A nossa atenção involuntária torna-se a principal. Mas e se observarmos com a nossa atenção voluntária, em vez de nos deixarmos dirigir pelos filmes? Se podemos apreciar os documentários pelas suas qualidades dramáticas, também podemos apreciar os filmes de ficção pelas suas revelações documentais" (Thom Andersen) Um ensaio cinematográfico sobre as representações da cidade de Los Angeles no cinema, dividido em três partes: a cidade como bastidor, como personagem e como tema.

21.00 Grande Auditório
In to the Great Silence [CI]Into Great Silence [CI]
de Philip Gröning | 164' Alemanha 2005
A Grande Chartreuse, casa-mãe da lendária Ordem dos Cartuxos, está localizada nos Alpes Franceses. "Into the Great Silence" é o primeiro filme de sempre sobre a vida no interior da Grande Chartreuse. Silêncio. Repetição. Ritmo. O filme é uma aproximação austera à meditação silenciosa da vida monástica em forma pura. Sem música excepto os cânticos do mosteiro, sem entrevistas, comentário, material adicional. Um filme sobre a consciência, a presença do absoluto e a vida de homens que devotam as suas existências a Deus na forma mais pura. Contemplação. Um objecto no tempo."

COMBOIOS EM IMAGENS

Vi, há pouco, na RTP um documentário sobre os comboios da autoria de Paulo Silva Costa. Chego á conclusão que aprecio, em certo sentido, comboios, carros, aviões, a internet, ou seja o transporte. O documentário escolhe o percurso Braga-Faro como elemento estruturante da narrativa. Porém, há sempre algo ao lado, nas linhas secundárias, a que foi obrigatório dar atenção, o que nem sempre facilita o acompanhamento.
Há a utilização de imagens de arquivo algumas vezes imagens bem particulares e fortes. Lembro o depoimento de arquivo não exibido, datado de 1964, em que um funcionário da CP ao falar da companhia lembra que a segurança poderia ser melhorada. Evoca ao mesmo tempo a morte recente de uma passageira que não acta instruções. Era fácil, com a censura dar a imagem de ordem e progresso e a ilusão de que nada se passava de perturbador.

(a continuar)

quinta-feira, outubro 26, 2006

BEM PENSADO

"A degradação da privacidade e da intimidade
José Pacheco Pereira

Tudo começou no Expresso de 14 de Outubro, há apenas dez dias. É verdade que já havia nas revistas do coração e nos tablóides uma exploração do mesmo tema, mas nunca tinha chegado à imprensa que se pretende séria e responsável. Para se perceber como é que a coisa funciona, basta seguir a sequência: no dia 14, o Expresso titula na primeira página "Casal Sócrates pelo sim", referindo-se à presença de José Sócrates enquanto secretário-geral do PS e uma jornalista descrita como sua "namorada" num debate sobre o aborto. O título era completamente abusivo: a presença dos dois na sala e o facto de fazerem intervenções sobre o mesmo tema era mais que justificado pela circunstância de ambos, cada um de per se, como indivíduos, terem revelado interesse pelo tema e pela causa e não por serem um "casal" que era o que o título queria dizer num mecanismo puramente tablóide. Acresce que, quer um, quer outro, independentemente das relações que tenham ou não tenham, são pessoas que mantêm sobre a sua vida privada uma sadia reserva que cada vez menos se observa em pessoas sujeitas a uma exposição pública. O título do "casal" não tinha qualquer relevância jornalística, destinava-se apenas a alimentar o voyeurismo de um público que respeita pouco ou nada da privacidade alheia. Não havia um átomo de interesse público em tal "revelação", ou sequer na sugestão ofensiva para a individualidade de cada um, e aqui obviamente mais ofensiva para a mulher do que para o homem, de que ela vale mais como parceiro de um "casal", do que pelo seu mérito próprio.
Os jornalistas do Expresso não podiam deixar de saber o que estavam a fazer."


Hoje, no Público.

DoC LISBOA 2006 Quinta e Sexta

DocLisboa 2006

O programa de hoje está aqui. Vale também a pena ir aqui, pelo conjunto e, sobretudo, pelo som da campainha de bicicleta. QuINTA, 26


11.00 Pequeno Auditório
(Othon) [FR]Les yeux ne veulent pas en tout temps se fermer ou peut-être qu'un jour rome se permettra de choisir à son tour (Othon) [FR]
de Jean-Marie Straub e Danièle Huillet | 88' Alemanha/Itália 1969

14.30 Pequeno Auditório
Kya Ra Ka Ba A [J]Tarachime [J]
Kya Ra Ka Ba A [J]
de Naomi Kawase | 50' Japão 2001
Tarachime [J]
de Naomi Kawase | França / Japão, 2006, cor, som, 43', Beta digital PAL


16.30 Pequeno Auditório
Adrian WoodMasterclass EDN com Adrian Wood [SE]


18.30 Pequeno Auditório
Numéro Zéro [FR]Numéro Zéro [FR]
de Jean Eustache | 110' França 1971


18.30 Grande Auditório
Onze Burros Caem no Estômago Vazio [P]Cantai Cantigas [P]
Onze Burros Caem no Estômago Vazio [P]
de Tiago Pereira | 28' Portugal 2006
Cantai Cantigas [P]
de Cláudia Tomás | 50' Portugal 2006


21.00 Pequeno Auditório
British Sounds [T]Humain Trop Humain [T]
British Sounds [T]
de Jean-Luc Godard e Jean-Henri Roger | 97' Reino Unido 1969
Humain Trop Humain [T]
de Louis Malle | 75' França 1970

21.00 Grande Auditório
Strip Tease [CI]Our Daily Bread [CI]
Strip Tease [CI]
de Attila V. Nagy | 7' Hungria 2005
Our Daily Bread [CI]
de Nikolaus Geyrhalter | 90' Áustria 2005


23.00 Grande Auditório
Lusofonia, a (R)Evolução [SE]Lusofonia, a (R)Evolução [SE]
filme colectivo com produção da Red Bull Music Academy | 60' Portugal 2006




SEXTA, 27


11.00 Pequeno Auditório
Gambit [I]Gambit [I]
de Sabine Gisiger | 107' Suíça 2005


14.30 Pequeno Auditório
Onde Jaz o Teu Sorriso? [FR]Onde Jaz o Teu Sorriso? [FR]
de Pedro Costa | 2002 Portugal/França 104'

14.30 Grande Auditório
Entre Nós [SE]Bien Mélanger [I]
Entre Nós [SE]
filme colectivo | 30' Portugal 2006
Bien Mélanger [I]
de Nicolas Fonseca | 75' Canadá 2006


16.30 Pequeno Auditório
Marguerite par Elle-Même [FR]Marguerite Telle Qu'en Elle-Meme [FR]
de Dominique Auvray | 61' França 2002


16.30 Grande Auditório
Neighborhood [CI]Yellow Box [CI]
Neighborhood [CI]
de Karoi Kinoshita e Allain Della Negra | 17' França 2006
Yellow Box [CI]
de Ting-fu Huang | 53' Taiwan 2006


18.30 Pequeno Auditório
Die Bewerbung [T]Ils ne Mouraient pas Tous mais Tous Étaient Frappés [T]
Die Bewerbung [T]
de Harun Farocki | 58' Alemanha 1997
Ils ne Mouraient pas Tous mais Tous Étaient Frappés [T]
de Sophie Bruneau | 80' França 2005

18.30 Grande Auditório
The Sky Is my Ceiling [CI]Kinshaza Palace [CI]
The Sky Is my Ceiling [CI]
de Keja Ho Kramer | 11' França 2006
Kinshaza Palace [CI]
de Zeka Laplaine | 75' Congo/França 2006


21.00 Pequeno Auditório
Los Angeles Plays Itself [FR]Los Angeles Plays Itself [FR]
de Thom Andersen | 169' EUA 2003


21.00 Grande Auditório
In to the Great Silence [CI]Into Great Silence [CI]
de Philip Gröning | 164' Alemanha 2005

TELEJORNAIS em discussão

Atenção ao programa do provedor de televisão, no sábado à noite, depois do telejornal.

"Provedor analisa alinhamentos do Telejornal da RTP
Maria Lopes

Gabinete do provedor recebeu 60 queixas sobre a hierarquização das notícias

O provedor do telespectador da RTP vai analisar os alinhamentos de edições recentes do Telejornal no seu próximo programa, a emitir no sábado à noite. Desde o início do mês, o gabinete do provedor recebeu cerca de 60 queixas sobre "a falta de hierarquização lógica das notícias", disse ao PÚBLICO Paquete de Oliveira.
Grande parte dessas queixas são coincidentes: criticam o facto de o bloco informativo da RTP1 da noite de dia 5 de Outubro ter aberto com a notícia de um sequestro numa dependência bancária em Setúbal, a que dedicou 15m30s - "um destaque desmesurado, segundo afirmam os espectadores" - , relegando para terceiro lugar aquela que é considerada a maior manifestação de professores de sempre, e só para muito mais tarde (já passava da meia hora de Telejornal) o discurso do Presidente da República nas comemorações da implantação da República.
Como habitualmente, as queixas serão apresentadas pelos próprios telespectadores - depois de uma selecção do gabinete do provedor -, e o programa contará também com depoimentos de Francisco Rui Cádima (docente e investigador universitário na área da comunicação social e ex-presidente do Observatório da Comunicação), e de Fernando Dores Costa, historiador e professor da Universidade de Évora. O director de informação da RTP, Luís Marinho, também participa, respondendo sobre a escolha da hierarquia dos assuntos nos noticiários." No Público, hoje.

quarta-feira, outubro 25, 2006

IMPRENSA E JOVENS

The Times of India ganha Prémio Mundial de Jovens Leitores 2006

O diário indiano The Times of India conquistou o Prémio Mundial de Jovens Leitores 2006, galardão atribuído anualmente pela Associação Mundial de Jornais (WAN) às publicações que criem projectos inovadores para incentivar a leitura de jornais entre os jovens. O mesmo jornal venceu ainda na categoria de Educação, devido à sua utilização eficaz como ferramenta de ensino em mais de duas mil escolas e por ter conseguido cativar mais de quatro mil jovens a participar na concepção da edição para estudantes do The Times of India. Na categoria de Serviço Público ganhou o título espanhol El Correo, por promover o jornalismo-cidadão entre os seus jovens leitores, enquanto La Prensa, do Panamá, venceu na categoria Marca, por um projecto com palhaços e multimedia que visava apresentar o jornal aos mais novos. O júri atribuiu ainda o prémio da categoria Editorial ao norte-americano Virginian-Pilot, que criou uma secção para jovens que combina a parte impressa com podcasts, vídeos online e uma presença no myspace.com,



In Público de hoje. Não sei porquê mas não consigo ver os patrões, directores e jornalistas da imprensa portugueses a pararem um pouco e a estudarem o caso do The Times of India. Gostaria de estar enganado.

terça-feira, outubro 24, 2006

DoC LISBOA 2006 Terça e Quarta

DocLisboa 2006

O programa de hoje está aqui. Vale também a pena ir aqui, pelo conjunto e, sobretudo, pelo som da campainha de bicicleta.

terça, 24


11.00 Pequeno Auditório
A2 [J]A2 [J]
de Mori Tatsuya | 131' Japão 2002

14.30 Pequeno Auditório
Der Kick [I]Der Kick [I]
de Andres Veiel | 82' Alemanha 2006

16.30 Pequeno Auditório
Without Memory [J]Without Memory [J]
de Hirokazu Koreeda | 84' Japão 1994-1996

16.30 Grande Auditório
Sombras do Passado [P]Sombras do Passado [P]
de José Manuel Fernandes | 59' Portugal 2006


18.30 Pequeno Auditório
Wittstock, Wittstock [T]Wittstock, Wittstock [T]
de Volker Koepp | 117' Alemanha 1997

18.30 Grande Auditório
Don Bosco's Boys' Home [P]Pátria Incerta [P]
Don Bosco's Boys' Home [P]
de Manuel Monteiro Grilo | 47' Portugal 2006
Pátria Incerta [P]
de Inês Gonçalves e Vasco Pimentel | 52' Portugal 2006

21.00 Pequeno Auditório
Embracing [J]Katatsumori [J]
Embracing [J]
de Naomi Kawase | 40' Japão 1992
Katatsumori [J]
de Naomi Kawase | 40' Japão 1994

21.00 Grande Auditório
Brava Dança [SE]Brava Dança [SE]

23.00 Pequeno Auditório
Memories of Agano [J]Memories of Agano [J]
de Makoto Satô | 57' Japão 2004


23.00 Grande Auditório
Impending Doom [CI]Arcana [CI]
Impending Doom [CI]
de Edgar Pêra | 8' Portugal 2006
Arcana [CI]
de Cristobal Vicente | 96' Chile 2005


QuaRTA, 25


11.00 Pequeno Auditório
Surfarara [T]Harlan County [T]
Surfarara [T]
de Vittorio De Seta | 10' Itália 1995
Harlan County [T]
de Barbara Kopple | 103' EUA 1976
As minas de enxofre fazem parte dos vastos descampados da Sicília central. Poucas estruturas testemunham no exterior a batalha negra e a tragédia invisível que acontece nas entranhas da terra. Aí, em baixo, como nos campos ou nos mares, tem lugar o imenso e nobre drama do trabalho humano, captado em "Surfarara" pelo grande documentarista italiano Vittorio De Seta. O filme de Barbara Kopple documenta sem concessões uma greve mineira numa pequena aldeia do Kentucky. Com um acesso sem precedentes à lutas dos mineiros, Kopple e a sua equipa capturaram os confrontos, por vezes violentos, com os fura-greves, a polícia local e o patronato. Com uma banda sonora assombrosa, que conta com a participação de artistas country e bluegrass, o filme é o registo de uma luta de treze meses entre uma comunidade que luta para sobreviver e uma grande empresa empenhada em ir até ao fim.

11.00 Grande Auditório
Makoto SatôMasterclass Makoto Satô [J]
Integrando a programação este ano dedicada ao documentário japonês contemporâneo, o doclisboa apresenta uma masterclass de Makoto Satô. É uma oportunidade rara de ouvir um dos seus mais ilustres e influentes cineastas (mas não só, Satô é também professor e historiador de documentário) falar do seu trabalho, da sua filiação na tradição do documentário japonês socialmente empenhado (como se percebe nos seus dois filmes exibidos no programa: "Living on the River Agano" e "Memories of Agano") e da situação actual do documentário no seu país, de que ele traça um retrato algo crítico.

14.30 Pequeno Auditório
Tanjuska and the Seven Devils [SE]Tanjuska and the Seven Devils [SE]
de Pirjo Honkasalo | 80' Finlândia 1993
Tanjuska é uma estudante bielorrussa de doze anos, que a partir dos dez anos deixou de se alimentar, de falar e finalmente de crescer. Vive com o seu pai numa comunidade religiosa da Estónia. O padre local e a família acreditam que a rapariga está possuída e rejeitam a explicação médica que lhes é dada, a de que Tanjuska sofre de esquizofrenia.

16.30 Pequeno Auditório
The Cheese & The Worms [J]The Cheese & The Worms [J]
de Kato Haruyo | 98' Japão 2005
A realizadora vive numa cidade rural com a mãe doente e uma avó idosa. O irmão, a cunhada e os seus filhos pequenos vivem perto de si. Reúnem-se para seguirem a luta da mãe contra a doença e para cuidarem dela com o calor do amor familiar. Perante a realidade da morte iminente da mãe, a realizadora mantém a distância do seu objecto sem cair no sentimentalismo e tenta tirar um duro retrato da vida e da morte, preservando a fragilidade de cada momento de verdade e captando um lento mas firme e misterioso amor pela vida por trás das imagens.

18.30 Pequeno Auditório
Enntuziasm: Sinfonia Dombassa [T]Six Fois Deux- Episódio 1a Y'a personne [T]
Enntuziasm: Sinfonia Dombassa [T]
de Dziga Vertov | 68' URSS 1930
Six Fois Deux- Episódio 1a Y'a personne [T]
de Jean-Luc Godard e Anne-Marie Miéville | 58' França 1976
"Entuziasm" é um filme realizado para mostrar o esforço dos mineiros da Dom para cumprir em quatro anos a sua parte do Plano Quinquenal e representou para Vertov o desafio da utilização do som, a que recorreu de modo tão dinâmico equivalente ao uso que fez da imagem nos seus filmes mudos. "Apreender a realidade febril da Bacia de Dom, reproduzir de forma o mais fiel possível a sua atmosfera dos martelos que batem, dos apitos dos comboios, das canções dos operários que descansam - foi esse o meu objectivo.", afirmou. A sua abordagem inovadora encontrou um fã em Charles Chaplin que escreveu: "Nunca teria acreditado que fosse possível orquestrar ruídos mecânicos para criar tal beleza. Uma das mais soberbas sinfonias que já conheci. Dziga Vertov é um músico." A televisão tornou-se rapidamente para Jean-Luc Godard e Anne-Marie Mièville ocasião para um projecto de grande envergadura: adoptando o dispositivo para melhor denunciar o seu conteúdo, realizam em Grenoble, em 1975-1976, Six foi deux / Sur et sous la communication, uma série de seis programas de cem minutos, cada um subdividido em duas emissões de cinquenta minutos para poderem ser difundidos mais facilmente. A série de emissões, que veremos aqui apenas o primeiro episódio, é uma reflexão sobre os meios de comunicação, denunciando "aqueles que asfixiam a verdade", para propôr em contrapartida uma televisão diferente, mais próxima das realidades sociais e mais crítica.

18.30 Grande Auditório
O Casino [P]À Espera da Europa [P]
O Casino [P]
de Hugo Maia | 13' Portugal 2006
À Espera da Europa [P]
de Christine Reeh | 58' Portugal 2006
A jovem Vânia que protagoniza "À Espera da Europa" veio da Bulgária para viver em Portugal à procura da sua independência e de realizar o sonho de uma vida melhor. Passa por medos e esperanças, enquanto tenta encontrar respostas para as grandes decisões da vida. Quando começa a viver em Espanha apercebe-se de repente do seu isolamento e que se encontra num ciclo típico de dependência. Este filme é sobre a emigração de uma perspectiva feminina. É sobre crescer e adiar a vida ... enquanto se espera que um dia as utopias da Europa se realizem. A curta metragem que abre a sessão segue a inauguração do Casino de Lisboa, numa cerimónia onde afluíram populares e convidados VIP, os primeiros assistindo na via pública ao que se passa e os segundos convivendo numa enorme tenda montada para o efeito; mas ambos esperando o momento em que o casino abrirá as suas portas.

21.00 Pequeno Auditório
Ears Open. Eyeballs Click [I]Ears Open. Eyeballs Click [I]
de Canaan Brumley | 95' EUA 2005
O filme de Canaan Brumley é uma imersão completa e brutal no universo da recruta, tal como é praticada no corpo de elite dos marines dos Estados Unidos. A espaços diíficil de suportar dada a permanente exibição da violência física e mental a que estão sujeitos os recrutas durante o treino militar, é um retrato da instituição militar que tem menos a ver com o "Basic Training" de Frederick Wiseman do que com a primeira parte de "Full Metal Jacket" de Stanley Kubrick. E depois de vê-lo não podemos deixar de encontrar em todo o processo parte da explicação para os abusos e humilhações cometidos pelos mesmos militares que aqui vimos em Abu Ghraib e Guantánamo.

21.00 Grande Auditório
Cigaretta Mon Amour [CI]La Consultation [CI]
Cigaretta Mon Amour [CI]
de Rosa Hannah Ziegler | 6' Alemanha 2006
La Consultation [CI]
de Héléne de Crécy | 91' França 2005
Seguindo o dia-a-dia de um médico de clínica geral no seu consultório, "La Consultation" é uma investigação sobre as práticas médicas. Dentro das quatro paredes do consultório do doutor Luc Perino, os pacientes expôem as suas dores e alegrias: uma gripe, um nascimento, o alcoolismo ou a depressão por causa do trabalho ou da vida. Assistimos às consultas médicas e percebemos que para cada pessoa há um diagnóstico e que as histórias de vida são paralelas às dores. O doutor Perino não aprovaria certamente o tabagismo inveterado, mas muito cool, do protagonista de "Cigaretta Mon Amour", a brevíssima curta que abre a sessão.

23.00 Pequeno Auditório
Letter from a Yellow Cherry Blossom [J]Letter from a Yellow Cherry Blossom [J]
de Naomi Kawase | Japão, 2002, cor, som, 65', Vídeo
Os últimos dias de Nishii Kazuo, crítico de fotografia e personagem essencial do mundo da fotografia no Japão. Nisshi a quem sobravam apenas alguns meses de vida devido a uma doença terminal, pediu a Naomi Kawase para que o filmasse, pedido a que acedeu, iniciando uma série de visitas regulares. Kawase regista as suas conversas e a dificuldade crescente de Nishii para responder e reagir. Nishii tem igualmente uma câmara na mão e filma Kawase enquanto é filmado. A troca entre os dois provoca "uma memória do tempo partilhado" que perdura.

23.00 Grande Auditório
Babooska [CI]Babooska [CI]
de Rainer Frimmel e Tizza Covi | 100' Áustria/Itália 2005
"Babooska" relata a luta diária pela sobrevivência de uma das últimas formas de vida nómada na Itália actual. Durante um ano, os realizadores seguem a jovem Babooska, uma artista que viaja pelo país com o seu pequeno circo familiar. É um olhar cheio de empatia - e sem os habituais clichés, comentário ou entrevistas - sobre um microcosmos que resiste nas margens da sociedade.

PROVEDORIAS Hoje, no DN

"Visto na televisão
José Carlos Abrantes

Os jornalistas e os árbitros vêm pior que os espectadores se tiverem que confiar apenas na sua própria visão para os momentos muito críticos. Não chega. Nem na arbitragem, nem no jornalismo."


Leia a crónica aqui.

No domingo, no Público Rui Araújo escreveu uma crónica intitulada "E depois do diagnóstico?"

segunda-feira, outubro 23, 2006

PROVEDORIAS Terça, no DN

A minha coluna no DN passou para as terças-feiras a pedido da direcção.

DOC LISBOA 2006

DocLisboa 2006

O programa de hoje está aqui. Vale também a pena ir aqui , pelo conjunto e, sobretudo, pelo som da campainha de bicicleta.


PROGRAMA 2006

SegUNDA, 23


11.00 Pequeno Auditório
Sisters in Law [I]Sisters in Law [I]
de Kim Longinotto e Florence Ayisi | 106' Reino Unido 2005


14.30 Pequeno Auditório
Une Maison à Jerusalém [AG]Une Maison à Jerusalém [AG]
de Amos Gitai | 87' França/Itália 1998


16.30 Pequeno Auditório
Mysterion [SE]Mysterion [SE]
de Pirjo Honkasalo | 90' Finlândia 1991


18.30 Pequeno Auditório
Living on the River Agano [J] Living on the River Agano [J]
de Makoto Satô | 115' Japão 1992

18.30 Grande Auditório
Excursão [P]Cartas a uma Ditadura [P]
Excursão [P]
de Leonor Noivo | 25' Portugal 2006
Cartas a uma Ditadura [P]
de Inês Medeiros | 60' Portugal 2006


21.00 Pequeno Auditório
El Comité [I]El Comité [I]
de Mateo Herrera | 93' Equador 2005


21.00 Grande Auditório
Things [CI]As the Sun Begins to Set [CI]
Things [CI]
de Martha Hrubá | 18' República Checa 2005
As the Sun Begins to Set [CI]
de Julie Moggan | 58' Reino Unido 2005

23.00 Pequeno Auditório
Makom, Avoda [T]Nosotros, los de Allá [T]
Makom, Avoda [T]
de Nurith Aviv | 81' Israel 1998
Nosotros, los de Allá [T]
de Anna Klara Åhrén, Anna Weitz et Charlotta Copcutt | 46' Suécia/Bolívia/Chile 2005


23.00 Grande Auditório
Gagarin's Pioneers [CI]Gagarin's Pioneers [CI]
de Vitali Manskij | 100' Alemanha/Rússia 2005

FABRICAR O OLHAR Serge Tréffaut

Outro autor, neste caso de documentário, Serge Treffaut, explicou como fabrica as suas imagens.




domingo, outubro 22, 2006

FELIZMENTE HÁ LUAR...

ou melhor, felizmente há a crítica.

"A segunda técnica da nova propaganda é a do encharcamento dos media com informação. O Governo produz diariamente "agenda" que ocupa tempo dos jornalistas - não lhes permitindo investigar outras coisas - e espaço e tempo nos conteúdos mediáticos."

Eduardo Cintra Torres, no Público, dia 22 de Outubro.

FABRICAR O OLHAR Eduardo Cintra Torres

Eduardo Cintra Torres apresentou um DVD que fez para o Ministério da Educação. O objectivo é ajudar alunos e professores a melhor compreender as imagens.



DOC LISBOA 2006 DomINGO, 22

DocLisboa 2006

14.30 Pequeno Auditório
Bait (House) [AG]Bait (House) [AG]
de Amos Gitai | 51' Israel 1980
"Bait" é o primeiro capítulo da história de uma casa em Jerusalém Ocidental seguida por Amos Gitai ao longo de três filmes e de 25 anos: abandonada durante a guerra de 1948 pelo seu proprietário, um médico palestino; requisitada pelo governo israelita como "vaga"; adquirida por um professor universitário que leva a cabo a sua transformação como uma vila... O edifício é como um teatro em que os antigos residentes, os vizinhos, os trabalhadores, o construtor e o novo proprietário, todos aparecem. A televisão Israelita censurou o filme.

14.30 Grande Auditório
China Blue [I]China Blue [I]
de Micha X. Peled | 87' EUA 2005
Um impressionante documento sobre os "efeitos secundários" da globalização, vista através do árduo quotidiano de jovens trabalhadoras de uma fábrica de calças de ganga na China. As condições de trabalho que Jasmine e as suas colegas adolescentes estão sujeitas no dia-a-dia desrespeitam todas as normas laborais internacionais. O que é ainda mais agravado quando o proprietário da fábrica fecha um importante negócio com um cliente ocidental e começa a exigir horas extraordinárias às trabalhadoras para cumprir a encomenda.

16.30 Pequeno Auditório
Kz [I]Kz [I]
de Rex Bloomstein | 98' Reino Unido 2005
As visitas guiadas de turistas e de jovens estudantes a um antigo campo de concentração nazi situado perto da pacata cidade austríaca de Mauthausen. No confronto entre as atrocidades ali cometidas no passado que vão sendo relatadas pelos guias e a normalidade presente de uma visita turística pressente-se, com um arrepio, a progressiva banalização do mal que permitiu o Holocausto.

16.30 Grande Auditório
Pintura Habitada [P]Pintura Habitada [P]
de Joana Ascensão | 52' Portugal 2006
Documentário sobre o trabalho de Helena Almeida, artista plástica que, desde o final dos anos 60, tem desenvolvido uma obra na qual explora os limites dos diferentes meios que utiliza, sejam eles a pintura, o desenho, a fotografia ou o vídeo. O filme centra-se nas várias fases e elementos envolvidos no elaborado processo criativo através do qual Helena Almeida constrói as suas obras, colocando em cena o próprio corpo.

18.30 Pequeno Auditório
Les Malles [T]Salesman [T]
Les Malles [T]
de Samba Félix Ndiaye | 13' França 1989
Salesman [T]
dos irmãos Maysles e Charlotte Zwerin | 90' Estados Unidos 1968
Um clássico do cinema vérité, "Salesman" segue quatro vendedores de Bíblias porta-a-porta, enquanto percorrem a linha que vai do entusiasmo ao desespero. Paul "O Chato" Brennan, Charles "O Atleta" McDevitt, James "O Coelho" Baker, and Raymond "O Touro" Martos, assim chamados pelos seus estilos de venda particulares. Primeiro mostra-os a trabalhar em Boston e arredores, onde a companhia está sedeada, depois em Chicago numa conferência de vendedores e por fim no novo "território" prometido de Miami e áreas circundantes. A missão é simples: convencer as pessoas a comprar. Em "Les Malles", filmado no Senegal, um grupo de amigos recupera bidões metálicos destinados ao transporte de alcatrão. Depois de limpos em grandes fogueiras, desfazem-nos, cortando placas de metal que servirão para fabricar malas que, uma vez pintadas e decoradas, estão prontas para serem vendidas.

18.30 Grande Auditório
Logo Existo [P]Logo Existo [P]
de Graça Castanheira | 52' Portugal 2006
"Logo Existo" exclui intencionalmente a primeira palavra da expressão "Penso, logo existo". O estudo da mente tem sido, ao longo dos últimos séculos, relegado para a religião e a filosofia. No entanto, nas últimas décadas, a neurobiologia rasgou horizontes neste campo. "Este filme é sobre a procura de uma palavra que substitua este pensar cartesiano que há já três séculos definiu conceitos em torno da identidade humana sem nos fazer felizes" (Graça Castanheira).

21.00 Pequeno Auditório
Fragments sur la Grâce [SE]Fragments sur la Grâce [SE]
de Vincent Dieutre | 101' França 2006
Vincent Dieutre (realizador de "Leçon des Ténèbres" e de "Mon Voyage d'Hiver") empreende um inquérito sobre as questões teológicas que marcaram o século XVII francês. O cineasta mergulha no universo incandescente de Port-Royal e da doutrina jansenista através da leitura de textos barrocos (entre os leitores encontramos Mireille Perrier, Eva Trufffaut e Matthieu Amalric), de visitas aos locais históricos do jansenismo e de conversas com historiadores e teólogos, levando o filme até aos limites da questão sem resposta sobre que coisa é a Graça.

21.00 Grande Auditório
The Seeds [CI]Elogio ao 1/2 [CI]
The Seeds [CI]
de Wojciech Kasperski | 28' Polónia 2006
Elogio ao 1/2 [CI]
de Pedro Sena Nunes | 70' Portugal 2005
Em "The Seeds", uma família pobre e rejeitada pela comunidade isolada onde vive carrega o peso de traumas passado. "Elogio ao 1/2" decorre na Meia-Praia, nome e terra dos "índios" que, vindos de Monte Gordo, espontaneamente construíram as suas cabanas de refúgio. Com o 25 de Abril de 1974 foi desenvolvido um plano arquitectónico com o objectivo de requalificar o conjunto de barracas feitas de junco, transformando-as em casas construídas pelos próprios habitantes. Muitas das promessas políticas feitas há 30 anos continuam por cumprir. Como será viver hoje na Meia-Praia?

23.00 Pequeno Auditório
Wadi Grand Canyon [AG]Wadi Grand Canyon [AG]
de Amos Gitai | 90' Israel/França 2001
Vinte anos depois do seu primeiro Wadi, Amos Gitai volta pela terceira vez a Wadi Rushmia. O local foi quase inteiramente destruído por promotores imobiliários. Yussef e a sua mulher, guardas do local e da sua história, ainda aí vivem... "Wadi Grand Canyon" é composto por três filmes rodados em 1981, 1991 e 2001 em Wadi Rushmia.

23.00 Grande Auditório
Tweety Lovely Superstar [CI]Tierra Negra [CI]
Tweety Lovely Superstar [CI]
de Emmanuel Gras | 18' França 2005
Tierra Negra [CI]
de Ricardo Iscar Alvarez | 90' Espanha 2005
"Tierra Negra" é uma observação global (que inclui aspectos sociais, geográficos, geológicos e humanos) do vale mineiro de Lumajo, na província espanhola de Leão. Mas, partindo dessa localização tão específica, o que se pretende é analisar e descobrir, de forma simultaneamente científica e poética, os mecanismos que regem a vida de qualquer comunidade. Em "Tweety Lovely Superstar", a curta metragem que abre a sessão, quatro homens e uma criança destroem, sem grandes ferramentas e quase tijolo a tijolo, uma casa em Beirute.

CARTA EUROPEIA PARA A LITERACIA DOS MEDIA

a qual pode ser subscrita por indivíduos e instituições em diferentes condiçõesde apoio, desenvolvimento, crítica ou promoção/divulgação.
Subscreva se concordar...
Recebido de Vítor Reia Baptista, Sopcom

sábado, outubro 21, 2006

EDUCAÇÃO para os media

Está em consulta pública .
Até 15 de Dezembro 2006
The deadline for replies is 15 December.

"The media are a very powerful economic and social force. The media sector is also an accessible instrument for European citizens to better understand the societies in which they live and participate in the democratic life.Hence a higher degree of media literacy can significantly contribute to reaching the objective set for the European Union at the Lisbon European Council on 23 and 24 March 2000 by the Heads of State and Government in particular as regards a more competitive knowledge economy, while contributing to a more inclusive society."

FABRICAR O OLHAR Beatriz Batarda

Betariz Batarda reflectiu sobre a imagem do actor e sobre o actor na imagem. A descoberta das personagens, da persona, é uma preocupação da actriz.

sexta-feira, outubro 20, 2006

FABRICAR O OLHAR Lídia Jorge

Lídia Jorge fez uma intervenção em resposta à interrogação se os escritores também criam imagens. Recordar é imaginar, disse, considerando que a literatura está em conflito com as imagens.

A ERC pronuncia-se

"Autopromoções da novela "Jura"

"O Conselho Regulador, reunido a 19 de Outubro de 2006, deliberou instaurar um procedimento contra-ordenacional contra o operador televisivo SIC pela emissão repetida dos spots autopromocionais da novela "Jura" em horário entre as 10 e as 23, em violação do art. 24.º, n.º 2, da Lei da Televisão.

O texto da Deliberação pode ser consultado em "Deliberações/Direitos Fundamentais - Deliberação 4-D/2006"."


ver aqui

Conselho Regulador da Entidade Reguladora para a Comunicação Social
Recomendação 4/2006O Conselho Regulador da ERC – Entidade Reguladora para a Comunicação Social,
apreciou as imagens visuais e sonoras emitidas pela SIC como autopromoções da novela
“Jura”, em todos os horários do dia, incluindo intervalos de programas de grandeaudiência, como novelas, blocos informativos e programas destinados a públicos infantojuvenis, por considerar poder estar em causa a violação do disposto no art. 24.º, n.º 2, da Lei da Televisão.
Feita essa análise, e
Verificando a dimensão puramente sexual das imagens exibidas, “valorizadas” num
quadro relacional de traição e mentira, sem contextualização ou conteúdo educativo ou
formativo,
Concluindo que, nas imagens e sons daqueles spots autopromocionais, o homem é
apresentado como simples actor sexual e dominante (o “garanhão”), escolhendo, ao
sabor dos seus impulsos sexuais, entre a mulher (“esposa”) e a “amante”; e que, além
disso, a mulher é representada como mero produto sexual, apetecível ou não consoante
os humores ou apetites do “garanhão”,
Ponderando o facto de não ter dúvidas de que esta operação autopromocional foi
pensada e organizada ao pormenor, com intuitos exclusivamente comerciais, com a exploraçãodo sexo como simples produto vendável para captação de audiências, com ostensivodesrespeito pela lei,

25 O Conselho Regulador
1. Delibera que a emissão repetida dos spots autopromocionais da novela “Jura”, em
horário entre as 10 e as 23 horas, representou uma violação flagrante, reiterada e grosseira do art. 24.º, n. 2, da Lei da Televisão.
2. Recomenda à SIC o cumprimento das suas obrigações legais elementares, postas
gravemente em causa no caso em apreço.
3. Decide, com base nos factos apurados e nos termos do art. 24.º, n.º 3, als. a) e ac) dos Estatutos da ERC e dos arts. 69.º, n.º 1, al. a), 70.º, n.º 1, al. a) e 89.º da Lei da Televisão, instaurar procedimento contra-ordenacional contra o operador televisivo SIC.
Lisboa, 19 de Outubro de 2006
O Conselho Regulador
José Alberto de Azeredo Lopes
Elísio Cabral de Oliveira
Luís Gonçalves da Silva
Maria Estrela Serrano
Rui Assis Ferreira"


Houve duas declarações de voto. O que se pode dizer? Parece que a ERC não ficou abalada pela forte reacção das privadas à anterior deliberação da ERC sobre a renovação das licenças.

FABRICAR O OLHAR

Capa do Livro A Fábrica do OlharLeonor Areal prolongou no DocLog a discussão iniciada na Universidade Nova no Um Dia a Falar de Imagens. O seu post intitula-se Paradoxos da Imagem. Eis o seu início:

Paradoxos da imagem

O colóquio sobre o fabrico das imagens, e particularmente a conferência de Monique Sicard acerca do vocabulário das imagens, fez-me pensar sobre o valor das palavras que usamos ao falarmos das imagens. A utilização coloquial dos termos “imagem”, “real”, “olhar” e “visão” – inevitavelmente multiforme - levanta o problema de diferenciarmos estes conceitos enquanto os usamos em diálogo, para conseguir atravessar as malhas paradoxais da linguagem. Das conversas que se geraram, retirei algumas propostas de definição, postas aqui à discussão:

1. Imagem será algo que se pode definir por oposição a coisa. A imagem é sempre uma representação - de qualquer outra coisa. Ou seja, não podemos abrir a janela, olhar a paisagem e dizer “que bela imagem”. O que não invalida que uma imagem (de outra coisa) se possa tornar ela mesma uma coisa (sem deixar de ser imagem originalmente)."


Coloquei este comentário no DocLog.

"Muito interessante que a Leonor estenda a discussão iniciada na Nova ao seu blogue. Apenas um comentário rápido: a imagem não pode ser sempre definida como representação de uma coisa. Em meu entender a arte abstracta iniciou um movimento, que nunca mais parou, de entender a imagem não como representação de uma coisa, mas sim como expressão do artista não necessariamente ligada à representação das "coisas". Há imagens que são impossíveis de compreender se as quisermos entender como representação de algo."

quinta-feira, outubro 19, 2006

3º ENCONTRO DE WEBLOGS, Porto, 13 e 14 de Novembro

Aqui pode encontrar o texto da comunicação que fiz no 3º Encontro de Weblogs.

Deixo também 6 indicações de Orihuela aos novos bloggers. Quem sabe se também podem aproveitar a alguns antigos autores de blogues...

10 tips orihuela

FABRICAR O OLHAR

Voltemos à Universidade Nova e a alguns apontamentos da intervenção de Monique Sicard no Um Dia a Falar de Imagens, no dia 17 de Outubro.Neste excerto Monique Sicard fala dos conceitos "regard" e "fabrique". Houve alguma discussão à volta do "regard" (ver, olhar) com Jacinto Godinho e Leonor Areal a fazerem algumas observações sobre a sua tradução e utilização.

quarta-feira, outubro 18, 2006

FABRICAR O OLHAR

Excerto da apresentação de Paulo Filipe Monteiro

Excerto da apresentação de Vicente Jorge Silva

Excertos da intervenção de Monique Sicard


Os videos foram cedidos por Rogério Santos, do
Indústrias Culturais,

A FÁBRICA DO OLHAR


Foto cedida por Rogério Santos.

Ao fim do dia teve lugar a apresentação do livro na Livraria Almedina. Esta apresentação foi integrada no ciclo Falar de Imagens e esteve a cargo de Paulo Filipe Monteiro e de Vicente Jorge Silva. A autora também teceu algumas considerações sobre o seu livro.

terça-feira, outubro 17, 2006

FABRICAR IMAGENS Ponto FInal?

Julgo que não....Houve um princípio e um fim. Este fim é outro princípio.

Gostei de estar na Universidade Nova, depois na Livraria Almedina. Julgo que a maior parte dos que nos acompanharam também gostaram. Depois de cerca de 10h a falar de imagens, só me resta classificar algumas, pô-las no You Tube. E repartir.
Obrigado a todos: os que falaram, os que estiveram, os que moderaram, os que mostraram imagens, os que as fabricaram, os que ajudaram, os que apresentaram. A que escreveu.

Começo pelo fim, com um excerto da síntese da Catarina Alves Costa. Aliás, as sinteses foram um retrato do dia: vivas e interessantes.



e outro do Rui Cádima, imediatamente antes.

segunda-feira, outubro 16, 2006

A FÁBRICA DO OLHAR Excerto

"Capítulo VIII LEGITIMAÇÕES François Arago, 1839

Efeitos de anúncio

No dia 7 de Janeiro de 1839 , François Arago fala «com muitos pormenores» à Academia das Ciências sobre uma descoberta efectuada por Daguerre, mas não revela os processos de fabrico da fotografia. A ideia com que se fica é que se trata de uma das invenções mais prodigiosas do nosso século, que a França deve «dar ao mundo inteiro uma descoberta que tanto pode contribuir para o progresso das artes e das ciências». Para Arago, é indispensável que o governo recompense directamente o Sr. Daguerre, a quem ele elogia. Anuncia que dirigirá, a este respeito, um pedido ao ministério ou à Câmara, mas pretende assegurar-se previamente de que o método é pouco dispendioso e utilizável por todos.
A 3 de Julho de 1839 , Arago efectua uma importante intervenção na Assembleia Nacional sobre os trabalhos da comissão encarregue da análise do projecto de lei tendente a atribuir uma pensão a Daguerre e aos filhos de Niépce, «por terem cedido o processo que serve para fixar as imagens da câmara escura». Nesta altura, a aposta já está praticamente ganha: a Assembleia já manifestou o interesse pelos projectos fotográficos.
A comunicação transforma um processo técnico num recurso nacional. Arago é, simultaneamente, o arauto de uma nova tecnologia e do progresso social. Para isso, utiliza uma linguagem didáctica e clara. Cria um efeito de anúncio: uma vez votada a lei, os processos fotográficos serão revelados numa sessão extraordinária na Academia das Ciências. A fotografia é uma coisa exacta. Estabelece uma física, uma química das experiências. Além disso, pela utilização de uma perspectiva central, «obedece às regras geométricas» criadas no Renascimento.
No dia 19 de Agosto de 1839 , François Arago toma novamente a palavra. Desta feita, diante da Academia das Ciências e da Academia de Belas-Artes reunidas, revela os processos técnicos da fotografia. Contudo, Arago dirige-se em primeiro lugar aos académicos das ciências. Convicto de que o conhecimento científico contém em germe transformações sociais, atribui um estatuto científico à fotografia nascente. De descoberta inclassificável, esta torna-se instrumento de conhecimento.
No entanto, Arago não esquece o mundo artístico, até então depositário da história das imagens: tivera o cuidado de confiar ao pintor Paul Delaroche a redacção de uma nota prévia destinada a auxiliar a comissão preparatória no projecto de lei. Para o pintor, «a correcção das linhas, o rigor das formas é tão completo quanto possível nos desenhos de Daguerre, e nestes reconhecemos, ao mesmo tempo, um modelado amplo, enérgico, e um conjunto tão rico em tom como em efeito. Neste processo, o pintor poderá encontrar um bom meio para fazer colecções de estudos, que de outro modo só obteria a grande custo [...]». Paul Delaroche cala os detractores: «Em suma, a admirável descoberta do Sr. Daguerre é um serviço imenso prestado às artes.» Para os artistas, a fotografia impõe-se doravante como «objecto de investigação e estudo»."

A FÁBRICA DO OLHAR Excerto

Capa do Livro A Fábrica do Olhar
Capítulo VII O REALISMO DOS CORPOS Jacques Fabien Gautier d’Agoty, 1759

"No Renascimento, André Vesálio fora um dos primeiros a perceber a importância das qualidades estéticas das gravuras de anatomia para obter o apoio dos mecenas. A qualidade dos seus desenhos contribuíra bastante para fazer a anatomia passar do estatuto de disciplina menor para o de ciência de renome e até prestigiosa. Em pleno século XVIII, Jacques Fabien Gautier d’Agoty está também consciente da importância económica ou social que as gravuras de anatomia podem ter. Alguns acusá-lo-ão abertamente de ter, por razões de prestígio e de enriquecimento pessoal, utilizado a ambiguidade fascinante do espectáculo dos corpos. Com efeito, aquilo que propõe não é uma mera reunião de órgãos, mas já, em cada prancha, um duplo ponto de vista sobre os corpos: tanto externo como interno. As dissecações anteriores aos desenhos são realizadas por Duverney, cirurgião apaixonado, célebre por ter aparecido das entranhas do cadáver de um elefante quando Luís XIV assistia pessoalmente a uma lição de anatomia .
Longe de representarem a morte, as pranchas de Gautier d’Agoty, todas imprimidas em tamanho real, são a vida. Os cadáveres femininos são preferidos aos corpos masculinos: os seus músculos delicados ocupam menos espaço na página. Deixa-se espaço livre para representar os rostos. Para agradar, esforçam-se por «mostrar [o corpo] ao natural». A dissecação limita-se então à abertura de um útero, à dissecação de um músculo, à apresentação de um feto em situação, numa mistura sabiamente doseada de fascínio e repulsa. Uma bonita jovem apresenta simultaneamente o perfil do seu rosto, os cabelos castanhos encaracolados, e «as apófises superiores das costas, as primeiras costelas em ponto pequeno, a curva da espinha dorsal até ao osso sacro, [...] o grande denteado com a sua junção na base da omoplata e os apêndices do grande dorsal ligados às quatro últimas costelas [...] ». Mais tarde, Jacques Prévert dirá que ela tem «ombros nus ou antes desnudados com a pele rebaixada de cada lado»."

A FÁBRICA DO OLHAR Excerto

Capítulo VI A REJEIÇÃO DA IMAGEM Carlos Lineu (1707-1778)

"Lineu rejeita as imagens. Embora conserve as plantas em grandes herbários, não as desenha. Renunciar aos inventários de imagens significa abandonar o particular pelo geral, o individual pelo universal. O sucesso extraordinário do sistema de descrição do mundo vivo que Lineu propõe nasce desta liberdade em relação às imagens. A botânica, para ele, é uma ciência formal; deve-se compreendê-la em termos matemáticos e geométricos. A fixação da nomenclatura lineana com o Systema Naturae data de 1735. Esta primeira edição é seguida por outras doze, a última das quais publicada no ano da morte de Lineu. Uma Filosofia Botânica, publicada em 1751 e que expõe os métodos de classificação e de nomenclatura, completa o Systema Naturae. O ordenamento taxinómico da confusão vegetal instala-se assim mais de um século após a revolução galilaica. O mundo das plantas e dos animais, ainda que próximo de nós, chegou mais tarde do que o dos planetas e das estrelas. Será preciso esperar ainda um século pela teoria darwinista para se compreender as espécies em termos de filiação e evolução."

PROVEDORIAS Hoje, no DN

O artigo de hoje intitula-se A boa saúde financeira da RTP..

O título não deveria ter tomado a parte pelo todo, pois esse é um dos trabalhos especializados dos jornalistas: fazer títulos adequados aos textos.

PROVEDORIAS Ontem, no Público

Ontem no Público Rui Araújo escreveu sobre OS PORMAIORES, INFORMAÇÃO E PUBLICIDADE"

A FÁBRICA DO OLHAR Excerto

In Sicard, Monique, A Fábrica do Olhar, Lisboa, Ediçoes 70, 2006 Capítulo V

O MICROSCÓPIO

Robert Hooke (1635-1703)
Antoni van Leeuwenhoek (1632-1723)


A história das ideias esclarece-se na dos instrumentos.
O microscópio é inventado no início do século XVII, na mesma altura que a luneta astronómica, da qual é uma consequência lógica. Brutalmente, mergulha-nos num mundo buliçoso, inesperado. Contudo, o microscópio não tem logo um acolhimento tão estrondoso como o telescópio. Os debates que acompanham a sua chegada não têm nem a dimensão nem o vigor dos que se seguiram à descoberta da luneta astronómica. Nenhum processo acompanha a emergência dos primeiros microscópios. Pior: os novos conhecimentos que eles geram tardam a impor-se, como se o instrumento não chegasse a abandonar o seu estatuto de curiosidade.
No século XIX, quando os progressos da óptica facilitam finalmente o aperfeiçoamento de instrumentos de qualidade estável, os microscópios de lentes acromáticas só são comercializados 50 anos após as lunetas astronómicas beneficiarem das mesmas lentes. Podemos questionar estes desfasamentos: por que razão, após as notáveis invenções das primeiras décadas do século XVII, o entusiasmo pela observação microscópica decaiu tão depressa?

pulga
Figura 8. – A pulga.
Gravura sobre cobre publicada em Robert Hooke, Micrographia, 1665.


Em 1723, ano da morte do holandês Antoni van Leeuwenhoek, pioneiro da microbiologia, os cientistas utilizam ainda muito pouco o microscópio. E sabemos que a teoria celular só se vai impor um século após as observações microscópicas que, porém, poderiam tê-la elaborado. Com efeito, em finais do século XVII, o biólogo inglês Robert Hooke já descrevera algumas células de um pedaço de cortiça: «Retirei um fragmento [de cortiça] extremamente fino e, como era um objecto claro, coloquei-o sobre uma lâmina negra. Projectei a luz sobre este fragmento com o auxílio de uma lente plana-convexa espessa e vi com nitidez extrema que este fragmento era inteiramente perfurado e poroso, muito semelhante a um favo de cera de abelha [...].»
O princípio do microscópio é simples: se conseguirmos observar os objectos de muito perto, conservando uma imagem nítida, então eles aparecerão muito maiores. O fabrico de lentes, que facilitam esta focagem a curtas distâncias, condicionou a invenção dos primeiros instrumentos. O próprio Galileu descobriu que a luneta astronómica podia ser utilizada como um microscópio. No dia 23 de Setembro de 1624, envia uma luneta ampliadora a Frederico Cesi, marquês de Monticelli e duque de Asquasparta, pai espiritual da Academia de Lincei , acompanhando-a com estas palavras: «Envio a Vossa Excelência uma luneta para ver ao perto as coisas mais pequenas [...]. Demorei a enviá-la porque ainda não estava perfeita e tive dificuldades em perceber o modo de trabalhar perfeitamente as lentes. [...]. Contemplei muitos animais pequenos com uma admiração infinita. A pulga, por exemplo, é absolutamente horrível; o mosquito e a traça são muito belos; e foi com enorme contentamento que vi como as moscas e outros pequenos animais conseguem subir pelos espelhos.»
As primeiras observações surpreendem; a novidade deste olhar técnico exige a realização de desenhos e gravuras. Mais tarde, a microscopia surgirá como o verdadeiro instigador do desenho de história natural. Uma das primeiras pranchas gravadas que representa seres observados ao microscópio é desenhada em 1625 por Francesco Stelluti, um dos fundadores da Academia de Lincei. Esta gravura reúne várias figuras da anatomia externa de uma abelha. As sombras acrescentadas aumentam o efeito de realismo. O entusiasmo é tão grande que o desenho, utilizado como modelo para o brasão do papa Urbano VIII, se torna emblemático.
Primeiro tratado impresso de microscopia, a obra Micrographia , de Robert Hooke (1625-1703), ilustrada com extraordinárias pranchas gravadas sobre cobre, conferiu à microscopia o seu primeiro estatuto de nobreza. Dedicada ao rei, era fruto de observações minuciosas. Os desenhos tinham sido realizados pelo próprio observador antes de serem entregues ao gravador. A qualidade destes desenhos é sedutora e vão provocar a adesão de Catarina I da Rússia à causa da microscopia.

3º ENCONTRO DE WEBLOGS, Porto, 13 e 14 de Novembro

blogosfera segundo orihuela

José Luís Orihuela defendeu que os blogues não iriam acabar em 2007 (nem nos próximos anos). Destacou os 3 argumentos que o leitor pode ver
1 o génio está fora da garrafa;
2 o crescimento da blogosfera;
3 o facto de a blogosfera ser um media líquido.

Julgo saber que em 2007 o encontro dos bloggers será em Lisboa. Pode ser que sacuda algum provincianismo ainda instalado na capital em relação a esta verdadeira revolução na expressão dos cidadãos.

domingo, outubro 15, 2006

RECEBIDO

Pontos nos ii

A metáfora do box aplicada ao ensino da Matemática.

A FÁBRICA DO OLHAR Excerto

In Sicard, Monique, A Fábrica do Olhar, Lisboa, Ediçoes 70, 2006
Capítulo IV A luneta astronómica Galileu 1610

Em Setembro daquele mesmo ano de 1610, Galileu observa, com a ajuda da luneta, as manchas solares e, depois, o estranho aspecto do planeta Saturno. É o primeiro a descrever as fases de Vénus, muito parecidas com as da Lua. Desta vez, não perde tempo na redacção. Desejando guardar parcialmente o segredo das suas observações e, ao mesmo tempo, marcando a sua primazia, publica rapidamente as suas conclusões na forma de anagramas. Luas de Júpiter, montanhas lunares, fases de Vénus, manchas solares, silhueta de Saturno: a avalanche de descobertas é impressionante. A notícia espalha-se com rapidez até às «regiões geladas de Moscóvia» .
As objecções depressa começam a chegar. Apresentam-se de várias formas. As primeiras incidem sobre a primazia da descoberta da luneta, conhecida nos Países Baixos antes de Galileu a utilizar. O embaixador do rei Henrique IV em Haia escrevera então que essas lunetas «permitem ver o relógio de Delft e as janelas da igreja de Leida, apesar de estas cidades estarem a hora e meia de distância de Haia [...], observar todas as coisas [...] e até as estrelas que normalmente não aparecem à nossa vista...».
Na Terra, a luneta dá acesso a objectos terrestres invisíveis ao olho, mas cuja existência é comprovável: incontestavelmente, este instrumento faz maravilhas. O ponto brilhante de uma estrela longínqua tem pouco que ver com um objecto terrestre: como dar crédito a um instrumento cujas aberrações ópticas e cromáticas dão uma imagem tão deformada desses pontos? Alguns detractores afirmam que só a observação natural é fiável; só o olho dá acesso à realidade do mundo. Galileu responde criticando a insuficiência da visão humana e a utopia da sua infalibilidade: «Pretenderemos ainda fazer dos nossos olhos a medida da expansão de todas as luzes, ainda que, quando as imagens dos objectos luminosos não nos são perceptíveis, devamos afirmar que a sua irradiação não nos chega? É possível que as águias e os linces vejam estrelas que, à nossa fraca vista, permanecem ocultas. » Como os animais são capazes de ver melhor do que o homem, não é ilógico pensar que o instrumento de óptica possa ver também aquilo que o homem não vê.
O que a luneta de Galileu atira então à cara dos seus detractores é a questão da realidade do mundo. Já não é possível recorrer aos debates acerca da existência de um mundo único, estável, que preexistiria a toda a observação, que seria independente de qualquer interpretação. A Terra é um astro e os astros são outras Terras. O universo já não é uma tela sobre a qual se projectam figuras geométricas. Os astrónomos já não se podem acantonar no resumo de uma geometria do céu ou na matemática: o mundo das estrelas está mais próximo de nós do que pensamos.
No entanto, Galileu não terá baseado a sua argumentação apenas nas observações do céu: a 24 de Maio de 1610 escreve a Matteo Carosio, dizendo-lhe que experimentou a luneta «cem mil vezes sobre cem mil estrelas e objectos diversos» . No dia 21 de Maio do ano seguinte, afirma: «[...] há dois anos que faço com o meu instrumento, ou antes com várias dezenas dos meus instrumentos, centenas ou milhares de experiências sobre centenas ou milhares de objectos próximos e distantes, grandes e pequenos, luminosos e escuros, e não percebo como é que alguém me pode achar tão ingénuo para me enganar nas minhas observações ». O instrumento técnico terá sido calibrado a partir de «milhares de observações de objectos terrestres ». Esta lógica da prova instituída pela comparação entre o objecto observado a olho nu e o objecto visto à luneta ter-se-ia apoiado em longas pesquisas realizadas a partir de experiências de percepção. Sobretudo, o invisível tornado manifesto inscreve-se num campo teórico elaborado: corrobora as bases das teorias copernicanas.
As objecções são redutoras. Para Cesare Cremonini, em Pádua, é impossível aprovar coisas das quais nada se conhece e que não foram vistas: «Penso [que Galileu] é o único a ter visto alguma coisa e, além disso, essas observações através das lunetas fazem-me dores de cabeça. Basta, já não quero ouvir falar mais disso.»
Acreditar naquilo que a luneta de Galileu mostra, acreditar nos seus desenhos, significa acreditar na exactidão daquilo que se vê graças a eles. Só a confiança na possibilidade lógica do universo a que ela dá origem permite acreditar na luneta.
Longe de serem uma mera descrição, as imagens são também o instrumento da adesão àquilo que é visto e compreendido. A Lua é uma outra Terra, a Terra é uma outra lua.

sábado, outubro 14, 2006

A FÁBRICA DO OLHAR

Capa do Livro A Fábrica do Olhar

In Sicard, Monique, A Fábrica do Olhar, Lisboa, Ediçoes 70, 2006
Capítulo III O Inventário Pierre Belon 1551
Albrecht Dürer, 1515

"Embora a quantidade dos textos impressos e das gravuras dê novo fôlego ao conhecimento científico, fixa paradoxalmente, por muitos anos, as lacunas da observação. O desenho, muito estruturado, do rinoceronte gravado sobre madeira por Albrecht Dürer em 1515 apresenta uma estranheza incontestável. As patas cobertas de escamas assemelham-se às de uma tartaruga. O animal que se diz capaz de vencer um elefante está munido – logicamente – de uma autêntica armadura. A gravura foi realizada sem que Dürer tivesse observado directamente o animal. No entanto, este já chegara sem novidade a Portugal, vindo das Índias. Mas foi logo a seguir enviado para Roma, pois o rei D. Manuel I de Portugal considerava-o presente digno de um papa. A viagem foi dramática. Ao navegar em direcção a Leão X, o navio, vítima de uma tempestade, afundou-se, levando consigo corpos e bens. O rinoceronte morreu afogado. Repescado, foi mais ou menos embalsamado. Apesar disso, Dürer não teve a oportunidade de o ver, nem vivo nem morto. Tomara conhecimento dele por intermédio de um esboço, que depois passou a desenho a pena antes de fazer uma gravura sobre madeira. A gravura teve um sucesso fulgurante. Produziram-se oito edições diferentes – sete das quais póstumas – a partir da madeira original. O Rinoceronte de Dürer foi copiado com as suas imperfeições, utilizado como referência até ao final do século XIX, quando os erros e as diferenças entre o desenho e o animal eram já perfeitamente conhecidos."

quarta-feira, outubro 11, 2006

"COMO PODEMOS-AINDA-ACREDITAR NAS IMAGENS?"

Capa do Livro A Fábrica do Olhar

Uma nova colecção de livros
A Construção do Olhar, Edições 70

“Como podemos – ainda – acreditar nas imagens? Como podemos considerá-las testemunhas absolutas se temos por evidente que a imagem não é a coisa, o mapa não é o território?”

Esta frase é um destaque do livro de Monique Sicard, A Fábrica do Olhar: Imagens de ciência e aparelhos de visão, séculos XV-XX. Este é o primeiro livro de uma nova colecção sobre imagem, A Construção do Olhar, das Edições 70. Esta obra foi considerada um dos cinquenta melhores ensaios e o melhor ensaio de ciência, em França, em 1998, ano em que foi editada pelas Éditions Odile Jacob.

Edições 70 tem uma longa tradição de edição no domínio da semiologia, da análise da imagem, do cinema, da teoria do cinema, tendo nomeadamente editado grande parte da obra de Roland Barthes.

A colecção A Construção do Olhar procurará dar seguimento à concepção que as imagens se completam com as palavras: para falar de uma imagem são precisas mil palavras, diz-se. Esta é a razão maior para a colecção: publicar palavras sobre as imagens, os olhares, os ecrãs, os modos de as fabricar, de as ler e usar. Palavras que possam ser contributos para construir o olhar, para nos revelar modos de ver. Palavras que se ambiciona nos ajudem a não perecer num tsunami de imagens: as imagens, sem palavras e sem outras formas de apropriação e expressão, podem ter efeitos devastadores.

Em 2007 e 2008 serão publicadas obras de João Lopes, Francisco Teixeira da Mota e Jorge Leitão Ramos, Ema Sofia Leitão, Rogério Santos e Serge Tisseron.

A colecção A Construção do Olhar é dirigida por José Carlos Abrantes, actualmente Provedor dos Leitores do Diário de Notícias. Foi professor de Teoria e História da Imagem na Licenciatura em Jornalismo, Faculdade de Letras, Universidade de Coimbra, entre 1994 e 2001. Também foi professor na Escola Superior de Comunicação Social em Lisboa, em 2000 e 2001.
Capa  e contracapa da Fabrica do Olhar

****************
O livro A Fábrica do Olhar será apresentado na Livraria Almedina, Atrium Saldanha, em Lisboa, no dia 17 de Outubro, às 19h, por Vicente Jorge Silva, jornalista e realizador e por Paulo Filipe Monteiro, professor universitário, actor e encenador com a presença de Monique Sicard e das Edições 70. Será a segunda
sessão da série Falar de Imagens que tem lugar, habitualmente, na Livraria Almedina.
A entrada é livre

************************
No mesmo dia, entre as 10h e as 18h, realizar-se-á Um dia a falar de imagens. Nesta iniciativa se aprofundará a ideia central do livro: o fabrico das imagens.

Organização: José Carlos Abrantes e Departamento de Ciências da Comunicação da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa
com o apoio do Centro de Estudos de Comunicação e Linguagens (CECL) da mesma Faculdade.

Neste debate participarão criadores de imagens de diferentes sectores. Todos falarão da sua obra, de como "fabricam" as imagens, que caminhos percorrem, para onde querem ir, perplexidades e dúvidas, enfim, os questionamentos proporcionados pela construção, difusão e usos das imagens.

As mesas terão, em geral, uma intervenção do orador com a duração de 15, máximo 20 minutos. Nesse tempo o orador deve incluir imagens que fabricou ou para as quais contribuiu - um excerto que não ultrapasse metade do tempo de exposição (o ideal cinco minutos de imagens, o máximo dez minutos de imagens). No fim da exposição de cada interveniente o público pode fazer perguntas breves para esclarecimentos. As intervenções sucedem-se uma após a outra. No fim de um grupo de intervenções haverá um debate geral. No fim do dia será feita uma breve síntese.

Além de Monique Sicard participarão Beatriz Batarda, Catarina Alves Costa, Eduardo Cintra Torres, Jacinto Godinho, José Carlos Abrantes, Lídia Jorge, Maria José Palla, Paulo Filipe Monteiro, Pedro Serrazina, Rui Cádima e Sérgio Treffaut.


PROGRAMA
10h Sessão 1 Fabricar Imagens
Paulo Filipe Monteiro, coordenador do Departamento de Comunicação da UN
José Carlos Abrantes, professor universitário
Monique Sicard, CNRS-Paris
11h 30 Intervalo

12 h
Sessão 2 Fabricar Imagens com Palavras
Lídia Jorge, escritora
Os escritores também fabricam imagens?

13h Almoço

Sessão 3 Fabricar Olhares
Moderador: Jacinto Godinho, RTP e Departamento de Ciências da Comunicação, Universidade Nova
14h 30 Beatriz Batarda, actriz
15h Eduardo Cintra Torres, jornalista, autor de um DVD de Educação para os Media
15h 30 Debate

16h Intervalo

Sessão 4 Fabricar o real e o imaginário
Moderadora: Maria José Palla, Universidade Nova-Departamento de Estudos Portugueses
16h 15m Sérgio Treffaut, realizador de documentários
16h 30 Pedro Serrazina, realizador de filmes de animação

17h Sessão 5 Debate e síntese final

Síntese a cargo de
Rui Cádima, professor do Departamento de Ciências da Comunicação da Universidade Nova
Catarina Alves Costa, do Departamento de Antropologia da Universidade Nova de Lisboa.


Na Universidade Nova, auditório 1 (Edifício B - Torre) Avenida de Berna, Lisboa

Entrada livre


***************************
O WORKSHOP La photographie: Un bien public? FOI ADIADO PARA DATA A ANUNCIAR BREVEMENTE (início de 2007)
Convidam-se os inscritos para a sessão de lançamento, na Livraria Almedina, em Lisboa, às 19h, terça feira, dia 17, onde poderão contactar Monique Sicard pessoalmente.

Em alternativa poderão também estar presentes na sessão "Um dia a falar de imagens", que vai ter lugar no mesmo dia na Universidade Nova, Avenida de Berna, em Lisboa. (ver programa das duas sessões nesta página.)

Mais informações: (351) 96 3 600 615
www.josecarlosabrantes.net/

terça-feira, outubro 10, 2006

TELEVISÃO privada

Quarta-feira, 11, na RTP2

A SIC nasceu no dia 6 de Outubro de 1992. Catorze anos depois, que balanço se faz da televisão privada em Portugal? Esta é a pergunta central do próximo Clube de Jornalistas, a emitir quarta-feira, dia 11, depois das 23 e 30. A televisão em Portugal nunca mais foi a mesma depois do nascimento da SIC e hoje já ninguém imagina voltar a ter apenas dois canais. Mas estes 14 anos não estão isentos de críticas e de polémicas. O próprio serviço público mudou de rumo diversas vezes. Em estúdio estarão: Emídio Rangel, jornalista e primeiro director-geral da SIC; José Carlos Abrantes, professor universitário, especialista em análise de imagens; Miguel Gaspar, jornalista e crítico de televisão. A moderação é de João Paulo Meneses.

Do site do Clube dos Jornalistas

JORNALISMO Censura?

Sendo o Liberation um jornalista do Le Monde saíu deste jornal alegando que um seu artigo foi censurado. O jornalista acusa que a censura terá a ver com as pressões de um actionista do Le Monde. a direcção desmente. Um caso a seguir.

INTERNET Google compra You Tube

A Google comprou a You Tube, escreve o Le Monde.

"Envie de voir le dernier clip d'Herman Düne ? Le fils du voisin expliquer sa passion pour les avions en balsa ou Pierre Bourdieu expliquer que Ségolène Royal est de droite ? C'est simple il suffit d'aller sur YouTube. C'est là que ça se passe pour la vidéo en ligne. C'est ce qu'a compris Google en décidant de débourser 1,65 milliard de dollars, en actions, pour mettre la main sur le site de partage de vidéos, emblématique du Web 2.0. C'est aussi la leçon du relatif échec de Google Vidéo, le service de partage de vidéo lancé par Google."

segunda-feira, outubro 09, 2006

TELEVISÃO

Vi, depois do meu post anterior, o que José Pacheco Pereira escreveu no Abrupto e que vai no mesmo sentido dos outros comentários que citei:

"O modo como a manifestação dos professores foi tratada mostra a fragilidade do nosso jornalismo, que tem muita dificuldade em sair do habitual, em perceber o que é diferente, para além das legítimas dúvidas sobre a governamentalização da RTP que suscita. A manifestação dos professores não foi apenas uma manifestação bem sucedida para os sindicatos, não foi apenas a "maior" manifestação dos professores, foi um elemento qualitativamente novo na análise da situação do nosso ensino.

PROVEDORIAS

Hoje, no DN.

Confortar os aflitos, afligir os confortáveis
José Carlos Abrantes

O que faltará para que a imprensa escrita de qualidade renasça com vitalidade? Atrevo-me a considerar que, além da vontade, de algum dinheiro ou da sua aplicação com diferentes critérios, se possa juntar esta afirmação do jornalista e humorista Finley Peter Dune: “O papel dos jornais é confortar os aflitos e afligir os confortáveis.” Retome-se este programa de sempre do jornalismo, porventura caído no esquecimento.



Ontem no Público

Rui Araújo escreveu sobre OS PORMENORES E A "AMÉRICA LATRINA"

TELEVISÃO

Não vi, mas confio no Eduardo Cintra Torres e no Manuel Pinto.
É urgente que o Telejornal de serviço público tenha meia-hora para evitar estas derrapagens...(conclusão minha).Não se poderão dedicar 15 minutos de 30 a um sequestro em Setúbal. Os jornalistas da RTP terão que editar, escolher, priorizar de outro modo. E os cidadãos que pagam a RTP têm direito a saber o que ocorre no mundo, num período curto. Até julgo que seria bom haver, num outro horário, um telejornal de 15 minutos, no serviço público, durante a noite.


A blogosfera protestou: o Telejornal de 5 de Outubro remeteu para segunda linha o discurso de Cavaco Silva e a manifestação de professores. De facto, o jornal da RTP dedicou os primeiros 15m29s a um sequestro num banco em Setúbal; seguiu-se o aumento das taxas de juro; só aos 22 minutos do noticiário veio a maior manifestação de professores de sempre, que teve direito a 2m32s, isto é, metade do futebol e o mesmo que os 50 anos dos livros da Anita. O discurso do Presidente e a abertura do Palácio de Belém tiveram direito a 7m23s, mas só depois da primeira meia hora de Telejornal. Os protestos da blogosfera são correctos, porque o Telejornal deveria ser a janela do serviço público informativo.
O Jornal Nacional da TVI, sempre tão rechaçado pelas elites ilustradas do nosso ilustrado país, abriu com os professores (4m22s), passou ao sequestro e avançou o discurso de Cavaco Silva como terceira notícia. Mas a SIC optou pelo mesmo critério editorial da RTP quanto à manifestação dos professores, relegando os seus 2m39s para a segunda parte do Jornal da Noite, às 20h39. Este noticiário também abriu com o fait divers do sequestro, em 6m30s. Mas quanto ao discurso presidencial sobre a corrupção, deu a notícia quase meia hora antes do Telejornal."
Eduardo Cintra Torres, no Público de ontem.

"O Telejornal falhado do dia 5 de Outubro

Li algumas críticas que me pareceram sérias e pertinentes a respeito do Telejornal da RTP1 do feriado de quinta-feira, dia 5. Não tinha visto as notícias nesse dia, pelo que me dei a tarefa de ir ao site da RTP rever esse vídeo. O que aí se pode observar é, de facto, dificilmente aceitável, qualquer que seja o ponto de vista que se adopte.
A peça de abertura retoma o caso do sequestro num banco de Setúbal. É verdade que o desfecho só na madrugada do próprio dia 5 se verificara, mas o assunto já tinha sido tratado de véspera e nada justificava as delongas em torno do modo como as forças policiais actuaram, com um representante da PSP em estúdio, comentando imagens das operações para libertar os reféns. Os pormenores arrastam-se por uns incompreensíveis 16 minutos, explorando um acontecimento que não mereceria mais de um ou dois minutos.
Segue-se, no alinhamento, a notícia da subida das taxas de juro, decretada pelo Banco Central Europeu. Seis minutos foi quanto os responsáveis do Telejornal atribuiram à matéria, apesar de a própria peça negar a importância que lhe foi dada, ao notar que o anúncio foi "o que já todos esperavam" e que "a razão é sempre a mesma". O motivo da notícia era escasso, mas a RTP entendeu encher chouriços indo para a rua fazer aquelas perguntas óbvias que só podem receber respostas igualmente óbvias. Tudo o contrário daquilo que se costuma entender por jornalismo.
É em terceiro lugar, quando se leva já, mais de 22 minutos de Telejornal que chega uma das mais importantes notícias do dia: a manifestação de professores em Lisboa, que o autor da peça considera "a maior desde o 25 de Abril" e, mesmo, "o maior protesto de rua de sempre" da classe docente. Se assim foi, será aceitável que o assunto tenha sido colocado em terceiro lugar e tratado de fugida? Os 2,5 minutos que ocupa tornam-se ridiculos em face dos 16 atribuídos a um sequestro requentado. E não é apenas a duração da peça. O tratamento é do mais convencional que pode haver.
A outra notícia do dia - o agendamento político do problema da corrupção pelo presidente Cavaco Silva, no seu discurso comemorativo da implantação da República - surge em quarto lugar, já perto das 20.30. Igualmente a correr, já que o destaque, nesta matéria, vai para a abertura do Palácio de Belém à visita dos populares.
Torna-se deprimente ver José Alberto Carvalho como pivot de um serviço destes. E torna-se, sobretudo, preocupante, ver o serviço público dar sinais de um enviesamento que não pode deixar de ser denunciado."
Manuel Pinto, no Jornalismo e Comunicação, hoje.

domingo, outubro 08, 2006

TELEVISÃO

Acabo de ver o Outras Conversas, de Maria João Avilez, na Sic Notícias. Um interessante e vivo debate entre José Manuel Fernandes, João Marcelino e Daniel Proença de Carvalho. Intervenções curtas e incisivas foram o estilo de princípio ao fim. Fiquei com a ideia que o jornalismo está em ebulição, que o tempo de decisões importantes será cada dia que passa.

sábado, outubro 07, 2006

TELEVISÃO

Tudo leva a crer que a RTP passou ontem o programa do Provedor por uma decisão estratégica, o que vulgarmente se chama contra-programação. Isto devido ao aniversário da SIC passar hoje no horário nobre. Será que o provedor teve muitas reclamações? Será que isto é lógica de serviço público ou serão hábitos trazidos de Carnaxide?

1001 RAZÕES PARA GOSTAR DE PORTUGAL

A Biblioteca Joanina
Vi, Graças ao Professor Carlos Fiolhais, Bibliotecário Geral da Universidade de Coimbra, alguns pormenores que não conhecia da Biblioteca da Universidade de Coimbra, construída no tempo de D. João V. Fica-se perplexo com tanta riqueza acumulada em livros e fica no ar a ideia que Coimbra, tem mais encanto...por causa dos livros.

BIBLIOTECA JOANINA
Originally uploaded by rpslee.




Biblioteca Joanina Detalhe
Originally uploaded by rpslee.

sexta-feira, outubro 06, 2006

LIVROS

O Público de hoje refere a apresentação na Livraria Almedina Estádio, na 4a feira, em Coimbra.

"A Net, a TV e o provedor em colectânea de textos
Dedicado às relações da televisão e da Internet com os respectivos públicos, concedendo particular atenção à interacção destes meios de comunicação com os mais jovens, o livro Ecrãs em Mudança: Dos jovens na Internet ao provedor de televisão assinala com especial relevo a recente entrada em funções do provedor do espectador, recentemente nomeado (José Manuel Paquete de Oliveira) pela RTP. Apresentado em Coimbra por José Carlos Abrantes, o responsável pela organização da obra (Livros Horizonte/Centro de Investigação Media e Jornalismo, Lisboa, 2006), o livro reúne ensaios de autores canadianos, belgas e franceses e inclui um texto, muito crítico, sobre a "deseducação" operada pela televisão contemporânea, da autoria de Eduardo Marçal Grilo. José Carlos Abrantes, actual provedor do leitor do Diário de Notícias, rejeitou a ideia de que os ecrãs de TV e computador representem a morte da imprensa e da escrita em geral. O investigador disse acreditar na tese, há muito defendida por Umberto Eco, de que os ecrãs dos computadores vieram, pelo contrário, banalizar a escrita, através do e-mail, dos chats, dos blogues, da interactividade proporcionada em geral. Convidado para apresentar o autor e o livro, o director da Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra, Carlos Fiolhais, sustentou a tese de que, passada a turbulência da adaptação, a Internet tenderá a assumir o papel de "prolongamento dos media" tradicionais. A.V.
A Frase "Os leitores são sempre muito exaltados. Querem logo a cabeça do director ou mandar este ou aquele jornalista para a escola, para aprender... Mas perguntam pouco"
José Carlos Abrantes"


Se o provedor disse sempre deveria ter dito... frequentemente ou muitas vezes.

quarta-feira, outubro 04, 2006

LIVROS

A Livros Horizonte, o Centro de Investigação Media e Jornalismo (CIMJ) e a Livraria Almedina têm o prazer de convidar V. Excª para o lançamento do livro "Ecrãs em Mudança: Dos Jovens na Internet ao Provedor de Televisão" José Carlos Abrantes (Org.)

O livro será apresentado por Carlos Fiolhais, Director da Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra

Hoje, às 21h, na Livraria Almedina Estádio, em Coimbra.

O livro “Ecrãs em mudança” reúne contribuições sobre as relações da televisão e da internet com os seus públicos, sobretudo os jovens. Dá também relevo ao provedor de televisão recentemente instituído pela RTP. A interacção entre os públicos e tais tecnologias faz-se, sobretudo, a partir dos ecrãs, face aos quais nos entregamos, quotidianamente, mais ou menos tempo, na nossa actividade profissional e de lazer. Tais ecrãs estão em mudança pois, quer uns quer outros, sofrem transformações constantes nos conteúdos, nos dispositivos, nos públicos, nas tecnologias que os fazem estar presentes nas sociedades modernas. Este livro dá uma contribuição para entender melhor as relações entre os ecrãs e os públicos, facto maior das sociedades contemporâneas.

Textos de Jacques Piette/Universidade de Sherbrooke, Dominique Pasquier/École des Hautes Études en Sciences Sociales, Jacques Gonnet/Université de Paris III, Eduardo Marçal Grilo/Fundação Calouste Gulbenkian, Serge Tisseron/Université paris VII, Geneviève Guicheney/France Télévisions.

Abrantes, José Carlos, (Organização), Ecrãs em mudança: Dos jovens na internet ao provedor de televisão, Livros Horizonte/CIMJ, Lisboa, 2006
Tradução dos textos de francês e de inglês: António Melo e Vera Futscher Pereira.

Livraria Almedina Estádio
Estádio Cidade de Coimbra
Rua D. Manuel I, n.° 26 e 283030-320 Coimbra
Tel: 239 406 266Fax: 236 406 312