PORTUGAL SERÁ� MELHOR

  • - se a casa de Aristides de Sousa Mendes fôr reconstruída para um projecto ligado com a sua vida
  • - se houver mais locais para pôr as mãos na massa
  • - se cada um de nós Ler +
  • - se cada um de nós respeitar os passeios como lugar de trânsito dos peões, sobretudo dos que têm menos mobilidade
  • - se for mandado para as urtigas o princí­pio, muito vulgarizado: Tudo pelos amigos, nada pelos inimigos. Aos outros aplica-se a lei. É mais simples e justo se a todos se aplicar a lei.

POR UM JORNALISMO MELHOR

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segunda-feira, setembro 18, 2006

O JORNALISMO E NÓS Os incêndios

Eduardo Cintra Torres alargou o corpo de análise ao modo como as televisões cobriram os incêndios entre 5 e 15 de Agosto no seu artigo de ontem do Público. Alguns dados ficam mais consistentes com esse campo de análise mais alargado. Como Eduardo Cintra Torres não acrescenta novas informações sobre as anteriores acusações presume-se que as mantém.

No dia 15 os incêndios já tinham abrandado. O alerta passara de laranja a amarelo no domingo, 13, e a azul na terça, 15. Nesse dia, o Telejornal como que resumia a sua política editorial na semana em que, segundo esse mesmo noticiário, tinha ocorrido um terço dos incêndios do ano. Foi o dia em que o ministro António Costa foi a Carnaxide receber os bombeiros que estiveram na Galiza. Os três canais fizeram directos ao local. A entrevista da SIC em directo ao ministro teve uma duração de 2’23. A da TVI durou 2’34. O Telejornal deu ao ministro em directo 6’36. Depois de quase duas semanas dedicando aos incêndios menos ou muito menos atenção que os privados, o Telejornal deu 2,5 vezes mais tempo ao representante do governo.
O que está em causa não é se eu escrevi um artigo como jornalista, crítico, investigador ou tudo isso. O que está em causa é o condicionamento político da informação, que marca profundamente a acção deste governo (António Vitorino avisou os jornalistas logo que o PS ganhou as eleições: «Habituem-se!»). Numa excelente reportagem sobre a destruição pelo fogo do Parque Nacional da Peneda-Gerês, o jornalista Secundino Cunha (Correio da Manhã, 09.09) referiu o medo de autarcas e responsáveis ambientais em darem a cara, transformando-se em fontes não identificadas: «o receio de falar, sobretudo por parte dos funcionários do Parque e dos autarcas, foi uma constante ao longo da nossa reportagem. O mesmo se tinha passado na altura do incêndio, com os responsáveis da Protecção Civil a centrarem muita da sua actuação no controlo das informações e na proibição de acesso dos jornalistas aos locais mais importantes da tragédia.» As novas formas de censura em plena democracia são diferentes das dos tempos da ditadura, mas são de extrema gravidade para a democracia e o exercício das liberdades em Portugal. É isso que é preciso debater, é pela liberdade de expressão e informação que é preciso lutar, seja qual for o governo.