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quarta-feira, agosto 30, 2006

AS IMAGENS E NÓS Tome Nota

cultura massa

Os problemas do estudo da cultura de massas começam pela própria designação. O que são, ou quem são, as massas? Trata-se do povo? Nesse caso, porquê cultura de massas e não cultura popular? Trata-se, antes, da indústria da cultura? Então, qual o papel das massas na sua definição? Entre a cultura popular e as indústrias culturais onde parece oscilar a definição de cultura de massas, a abordagem a que esta é sujeita atravessa as manifestações aparentemente mais espontâneas da vida social e as formas de inculcação mais sofisticadas, os consumos com que se cria o gosto e o senso comum, por um lado, e os mecanismos de produção, por outro.

A cultura de massas, antes de qualquer definição mais rigorosa, parece portanto ser um ponto óptimo para encarar a dimensão política e económica da cultura. Nos processos de massificação jogam-se, simultaneamente e em relação, o alargamento do mercado capitalista, a intensificação do poder do Estado e, no campo mais especificamente cultural, a percepção da autonomia individual e o fortalecimento da capacidade em criar consensos. Ou seja, tal como nos outros campos onde se desenrolam os processos estruturantes daquilo a que chamamos modernidade, na cultura de massas coexiste a aspiração à liberdade e ao prazer, por um lado, e o fortalecimento da capacidade das grandes disciplinas homogeneizadoras.

O primeiro painel deste workshop organiza-se em torno do papel da imprensa e dos jornalistas, na transição do século XIX para o século XX, numa das mais precoces manifestações de uma emergente indústria cultural e um importante local de cruzamento entre o alargamento do mercado capitalista, o fortalecimento da capacidade de criar consensos, o desenvolvimento da noção de espaço público e o surgimento desse novo actor social, o intelectual. O segundo painel aborda a construção e consolidação de alguns espectáculos modernos, como a música, o cinema e o futebol, pensando a sua capacidade de atrair e gerar públicos e consumos massificados, bem como novos hábitos sociais e culturais. Finalmente, o terceiro painel aborda as formas de recepção e apropriação que romperam de algum modo o alcance homogeneizador daqueles mecanismos de produção cultural.

De certo modo, este workshop é um pequeno balanço das discussões que tiveram lugar durante o I Seminário sobre Cultura de Massas, também organizado pelo Instituto de História Contemporânea da UNL e pelo Centro de Estudos Interdisciplinares do século XX da Universidade de Coimbra, na FCSH/UNL, em 2005/2006. Este seminário serviu de espaço de reflexão teórica e definição metodológica em torno do estudo da cultura de massas, por um lado, bem como, por outro lado, de apresentação pública de um conjunto de estudos parcelares em torno dos mecanismos de massificação cultural que possam vir a abrir caminho ao desenvolvimento de uma História da Cultura de Massas em Portugal no Século XX.

Oportunamente, será divulgado o programa do II Seminário sobre Cultura de Massas, que decorrerá na FCSH/UNL entre Outubro de 2006 e Maio de 2007 (coordenado por Tiago Baptista: trbaptista@gmail.com).